Dormir em seu Colo e Morrer em seus Bracos

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"Eu nunca mais vou respirar se você não me notar. Eu posso até morrer de fome se você não me amar."

⁠A morte se espalha tanto, ocupa tanto lugar, que não sei mais onde morrer.

Emil Cioran
Silogismos da amargura. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.

Dizem que antes de morrer você pensa em tudo que passou na sua vida, coisas que você fez coisas que você disse e principalmente coisas que você deveria ter feito ou dito. Também dizem que você se arrepende de todo mal que você causou, toda pessoa que você magoou e acaba se lembrando das vezes que você ajudou um amigo, um colega, um familiar ou ate mesmo um desconhecido. Eu acredito que antes de morrer nosso ultimo pensamento seja a coisa mais feliz que nos aconteceu, o momento mais alegre de nossa vida, aquele que não importa o que aconteça ou quanto tempo passe você lembrará, sorrirá e depois chorará por ele não ter sido pra sempre. E então qual é o seu?

⁠⁠Estamos todos fadados a morrer um dia, mas é nossa escolha, seguir nosso caminho até esse dia chegar. Saibam que eu sou único responsável pela minha história e serei o único responsável pela minha morte. Apenas eu. Nenhum inimigo e nenhum Deus. Apenas eu.

⁠Prefiro morrer tendo falado a minha maneira do que falar da sua maneira e viver.

Sócrates
PLATÃO. Apologia de Sócrates.

"...Só Existem três acontecimentos importantes na vida: nascer, viver e morrer... Não sentimos o primeiro... no viver, sofremos porque temos que morrer... ao morrer, geralmente, observamos que esquecemos de viver como se deveria VIVER..."

⁠Quando eu morrer, meu corpo vai parar de funcionar. Ele vai se desligar, de uma vez ou gradativamente. A respiração vai cessar, o coração vai parar de bater. Morte clínica. E um pouco depois, tipo, uns cinco minutos depois, meus neurônios vão morrer. Mas, nesse meio-tempo, talvez meu cérebro libere uma maré de DMT. É uma droga psicodélica liberada quando sonhamos, então eu vou sonhar. Vou sonhar mais do que jamais sonhei, porque isso é tudo. É a última descarga de DMT toda de uma vez. Meus neurônios vão disparar e verei um espetáculo de lembranças e imaginação. Vai ser uma baita viagem. Vai ser alucinante porque minha mente vai estar viajando pelas memórias de longo e curto prazo, sonhos se misturando com lembranças, e finalmente a cortina se fecha. O sonho que fecha todos os sonhos. O último grande sonho enquanto minha mente esvazia o depósito e então… acaba. A atividade cerebral cessa e não resta nada mais de mim. Nenhuma dor. Nenhuma lembrança. Nenhuma consciência de quem já fui. De que já machuquei alguém. De que já matei alguém. Tudo permanece como era antes de mim. A eletricidade se dispersa do meu cérebro até sobrar só tecido morto. Carne. Esquecimento. E todas aquelas coisinhas que fazem parte do meu corpo, os micróbios, bactérias e bilhões de outras coisinhas que vivem nos meus cílios, no meu cabelo, na minha boca, na minha pele, no meu estômago e tudo mais, seguirão vivendo. E comendo. E estarei servindo o meu propósito: alimentar a vida. Quando me decompuser e as minúsculas partes de mim forem recicladas, estarei em bilhões de outros lugares. Meus átomos estarão nas plantas, insetos, animais. Eu serei como as estrelas no céu. Aqui em um momento, depois, espalhadas pelo cosmos.

É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar

Nasce então a estranha alegria que nos ajuda a viver e a morrer e que, de agora em diante, não recusamos a adiar para mais tarde. Na terra dolorosa, ela é o joio inesgotável, o amargo alimento, o vento forte que vem dos mares, a antiga e a nova aurora.

Vai ter que reconhecer que as vezes amar é não aceitar tudo, é morrer um pouquinho para suas vontades, é agradecer e mudar, é corrigir e dizer a verdade que dói no outro e dói muito mais profundamente em você.

você ainda vai amar e odiar a mesma pessoa, vai querer morrer e vai querer viver mais, vai se perguntar o porque de gostar, o porque de amar! Vai rir das coisas que passou, vai rir de como você era, de como você é, e de como você pensa ser. Vai querer mudar de nome, vai querer ser outra pessoa, vai perceber que você mudou muito, ou que você sempre foi a mesma pessoa! Vai querer rir com vontade de chorar, chorar com vontade de rir, vai acreditar e desacreditar, vai se perder em sua própria vida, vai arriscar mesmo sabendo das conseqüências. Vai deixar de tentar por medo, duvidas, vai se arrepender, vai querer voar. Vai querer sumir, se mudar para outro país. Vai querer recomeçar, mesmo nunca tendo começado, vai fazer planos com outra pessoa, mesmo ela nunca ter feito parte disso. Vai depender de alguém, vai pedir ajuda. Vai perder o orgulho. Vai perceber que mesmo sendo sempre a mesma pessoa, você nunca é você mesmo.

De fome ninguém vi morrer, porém a muitos de muito
comer.

Afinal, Michael Jackson já sabia que ia morrer, pois desde de pequeno ele se preocupou em deixar coisas boas para nós.

Mas veja que pra mim, morrer não é o fim. O fim é viver vendo você sem mim

Não é de morrer que tenho medo. É de não vencer.

Como eu invejo os suicidas, que tem a coragem de morrer e aliviar toda a dor, como queria ter essa coragem de me auto exterminar e sumir de um lugar no qual me sinto só.

Pois morrer é uma destas duas coisas: ou é como um nada e o morto não tem nenhuma sensação de nada, ou (conforme se diz por aí) ocorre de ser uma transmigração e uma transferência da alma aqui deste lugar para um outro lugar.

Sócrates
PLATÃO. Apologia de Sócrates. Porto Alegre: L&PM, 2013.

Pareço egoísta
Quando quero morrer
Mas não do meu ponto de vista
Pois eu queria poupa-los de sofrer

Sim, por que me sinto um fardo
Só causo preocupação
Eu queria ser melhor de fato
Mas não passo de uma decepção.

Mô, até alguns meses antes de errar feio, eu pensava que queria morrer antes de você, pois não queria sofrer com a sua falta, então me dei conta do meu egoísmo e pensei: "mas se eu morrer primeiro, ela vai sofrer e isto não é justo. E afinal somente Deus pode decidir sobre isto". Hoje, continuo com a convicção de que você ainda me ama, pois se for mesmo verdade tudo o que me diz, que já não me ama, que não se sente bem do meu lado, que quer que eu vá embora, então aí sim, ainda que prevaleça a vontade divina, não será egoísmo o meu desejo de morrer antes de você, afinal eu continuo e continuarei te amando.

⁠Ainda bem
que não morri de todas as vezes que
quis morrer – que não saltei da ponte,
nem enchi os pulsos de sangue, nem
me deitei à linha, lá longe.

Ainda bem
que não atei a corda à viga do tecto, nem
comprei na farmácia, com receita fingida,
uma dose de sono eterno.

Ainda bem
que tive medo: das facas, das alturas, mas
sobretudo de não morrer completamente
e ficar para aí – ainda mais perdida do que
antes – a olhar sem ver.

Ainda bem
que o tecto foi sempre demasiado alto e
eu ridiculamente pequena para a morte.
Se tivesse morrido de uma dessas vezes,
não ouviria agora a tua voz a chamar-me,
enquanto escrevo este poema, que pode
não parecer – mas é – um poema de amor.