Do nada
Como os frutos da Chilco
com absoluta veneração,
para dar sabor o que falta,
sem colocar nada à prova,
Cultuo o telúrico e visto-me
de fúcsia para a sedução -
com o alvo de te transbordar,
e dos pés à cabeça - degelar.
(Está certo que vou te inundar).
Nada de mim em ti, é evanescente;
incipiente se renova e permanece,
com velatura de seda sobre a sua
pele com nímio certeiro nos impele
a nos colocar nas mãos do destino.
Perscrutar o teu mistério quase
místico é algo como mansa ave
e o meu roçar suave passeiam
com graça tangencial no seu brio,
flertando sibilante e visceralmente.
Doce é a ambição pela tua turgidez
de alta voltagem e do teu mais
terno amplexo que têm fortemente
se preparado - e a cada novo
eflorescimento tem se encaixado.
Não quero esconder que te quero
bem colado com beijos de Cambuí,
indecoroso, atrevido e abusado,
porque lado a lado sinto que os teus
planos são de amor e fogo apaixonado.
Que tentem ofuscar a visão
do Hemisfério Celestial Sul
com nuvens pesadas -
não preciso nada que não
seja as noites estreladas
iluminadas pelos teus
olhos lindos e cansados.
Com o melhor de ti que
está sendo preparado -
para o coração derretido
com o teu amor melado;
e retribuir com o que há
de tangencial apaixonado,
para amplexos refundados
fazerem de nós namorados.
Na corda harpejante do Sul
do coração o desejo manter
de colher na tua companhia,
quando o tempo certo vier -
de celebrar feijoas maduras,
com a paz agradável viver,
na sua hora e doce jeito
determinado para tomar-me
por tua absoluta mulher.
Nada retira a autoridade
de ter visto ou vivido,
Ainda é bem vívido
como se tivesse ido
agora para encontrar um
povo gentil que sabia
receber a qualquer hora,
Sem marcar parecia
estar esperando desde
a aurora matutina.
Ali lado a lado de nós,
sem questionar --
e sem importar da onde
veio ou para você onde vai,
olhar para o relógio
não estava em questão.
Nostalgia de Ardósia
bruta ou em placa --
de quem tem memória
estradeira até chegar
de longe em Paraobepa,
Sem mesmo atentar
que ía pavimentando-se
o tempo naquela terra,
e trazer à tona a poeta.
Distante de ser perto
de um qualquer,
Você não é, e não quero
que seja comparado
com nada neste mundo;
Não existem poesias
no Oriente ou no Oriente
que definam completamente
ou se alinham com a gente.
O trapézio do imprevisível
não provoca intimidação,
Porque com o fogo cruzado
nós temos intimidade.
Do nosso Deus tu és o sabre
contra o Mal e a injustiça,
e nos meus sonhos
o trigal mais vasto de amor
que eu já tive notícia;
Por isso espero e faço votos
de render-me sem medida,
e entre nós não haverá
a última dança nem despedida.
O mundo nada nos prometeu e nada nos deve; ainda assim, é em meio às suas turbulações que nos revelamos a nós mesmos. Viva.
Quem nada fez não deveria se queixar do caos; a ordem que desejava pronta custou o esforço que não quis empregar.
Se algo vive, é porque muda; o que não muda, cedo ou tarde, apenas parecerá vivo. Nada se perpetua como era; é a vida que permanece, mas já como outra coisa.
O ignorante consciente estuda o nada e descobre o tudo.
O sábio arrogante estuda o tudo e entende o nada.
