Do nada
Deixemos os pontos do passado acentuar a história que passou... nada mais. Talvez, sejam apenas pontos ou até poderão ser acentos.
Não presumo resgatar nada.
Tempo não se recupera e, tampouco, sentimentos sentidos.
Vivemos o que podemos viver.
Vivi a minha entrega
e o que me resta é viver o agora.
Não ouso tentar não ser.
Quero pouco ou até nada.
Vou seguindo sem avisos.
Precisando de muito pouco ou quase nada...que é o meu tudo.
Devemos aprender e apreender que nada levamos desta vida... a não ser os bons frutos semeados e o exemplo de humildade e os gestos de carinho que podemos doar para os outros.
Rasuras surgem quando tentamos esconder os equívocos cometidos.
Risque o quiser, mas nada, em tempo algum, poderá apagar ou rasurar aquilo que já fez.
Olho à distância.
Nada surge com a forma almejada para causar o sorriso.
Imagens opacas de um tempo findo e fina estampa de uma hora que não conclui.
Olhos na imensidão a observar os seus olhos também perdidos e me perdendo sem explicação.
Vou vagueando sem muito esperar esperando o dia encerrar com o nascimento de nova forma de ver e sem desequilíbrio das gotas que fluem minando a minha alma.
Queria não dizer nada e nem ousar sentir o que sinto agora neste singular vazio desenhado pela sua ausência. Abraço-me ao resto de mim sem você para findar esta noite.
Qualquer coisa pode ser nada, mas qualquer nada será uma coisa.
Prefiro o nada quando me oferecem qualquer coisa inútil.
Contando os pontos sem pontas.
Horas cheias de vazios pontuados na mesmice da espera.
Nada movimenta os ares anunciando a sua chegada.
Outra noite repleta de saudades e sem você.
Alguns pensam que o amor nasce do nada e,
mesmo assim,
fazem de tudo para continuar seguindo sem as ações necessárias para a sua permanência e frutificação.
Por isso, vivem no fosso permanente dos seus corações pela incapacidade de amar e serem amados.
Ouço o ruído do dia que se encerra.
Nada diferente.
Nenhum sinal espontâneo anuncia vida saudosa.
Aguardo sofrendo o seu sopro.
Chove tristeza nesta hora.
Nada poderá ser mais importante do que nós.
Tudo passa...mas as lembranças ficam.
O novo só nasce quando permitimos.
Não ouso afirmar o que não conheço e, mesmo ao conhecer, me reservo o direito de nada dizer.
25.04.12
A dita solidão que cita minha alma e que me incita nestes ais... Dita dor de nada e que de resto sou tudo dentro do espaço que agoniza outra hora natimorta sem a sua voz.
Mergulho neste arrebol e não há nada mais dignificante do que a possibilidade de sentir estar magnífica obra do Criador.
Criatura imperfeita que sou... resta-me, apenas, agradecer: obrigado Mestre por poder senti-lo em cada linha da minha vida.
