Do nada
- Menino, me diz o que é isso?
- Isso o quê?
- Isso que você faz: chegar do nada e sem algum motivo aparente, me conquistar tão facilmente e tomar conta da minha cabeça por dias, noites e madrugadas afora.
(Silêncio.)
- Até pelo seu silêncio eu me apaixonei. (...) Mas eu tenho medo de que você encontra alguém, não melhor ou mais bonita, apenas um pouco mais, digamos, disponível... É que tem uma coisa entre nós que não é viva, ou pelo menos finge não ser, mas me atormenta sempre e me faz lembrar de uma música que diz "I wish you here", e eu desejo você aqui mesmo sem você me desejar aí, e eu tenho tanta coisa pra te falar mas deixa pra lá, porque você não virá correndo dizer que toda essa distância - física ou não - não vai ser problema, e que você me cuida, me salva e me livra de todo esse abismo que eu sou.
[You drive me insane.]
É assim que se perde o amor.
E Laura disse:
- É lógico que eu fiquei triste, más não foi nada que eu não pudesse esquecer ou superar. Eu só não queria que você continuasse com a Fernanda, porque isso significaria que o que você havia me dito não era verdade. Mas agora, isso não importa mais. Eu estou namorando, e muito feliz. Saber se você realmente me amava naquela época, hoje, não faz nenhuma diferença.
Na verdade, Laura não tem namorado. A resposta de Marcelo poderia mudar sua vida, dar sentido a tudo, tirar o sentido de tudo, ou o que fosse, mas ela não poderia colocar essa pressão nele, pois corria o risco de não receber um resposta sincera, e caso essa resposta fosse um não, em sua cabecinha, seu namorado imaginário a ajudaria a resgatar sua dignidade.
Marcelo olhou pra cima, suspirou e disse:
- Bom saber... Pois quando eu falei que te amava, eu não estava falando sério... Quer dizer, eu gostava de você, mas não era mais que isso.
Essa foi a maior mentira que Marcelo já havia dito. Nunca havia amado alguém como Laura. E Fernanda, como muitas outras, fora apenas uma tentativa de esquecer Laura. Não houve nenhum outro beijo como o dela, nenhum outro abraço como dela, e em nenhum momento da vida dele, ele sentira-se mais feliz do que quando estava com ela. Mas ouvir da boca da própria, que havia superado, que estava namorando e que era capaz de ser FELIZ com outra pessoa, era algo grande demais para Marcelo, algo que o impediu de dizer a ela a verdade.
- É.. eu já desconfiava – disse Laura, olhou pros lados, e levantou-se rápido. Acenou para Marcelo, deu um thau entre os dentes e foi embora.
Laura não desconfiava. Para ela, Marcelo diria nessa hora, que tudo que ele havia dito era verdade, e que não havia parado de sentir aquilo por um momento sequer, e daí eles se beijariam e seriam felizes para sempre. Mas a vida não é como nos filmes, se lembrou Laura, e se levantou antes que Marcelo pudesse ver sua lagrima.
Não dependa dos outros para suas escolhas,se não você nunca terá nada na vida,pois as melhores escolhas e sábias saem de você mesmo
Nós humanos somos seres estranhos. Nunca estamos felizes com nada. Vivemos sempre buscando algo que não temos, e o que temos já não nos importa. Algo como: a felicidade está em um patamar acima do nosso e estamos sempre a buscá-la. Enfim, por mais que tenhamos bens, saúde, uma família, sempre falta algo. Que seja algo distante, que seja impossível, pois será isso que iremos desejar, ainda que o que precisamos, de fato, esteja ao alcance de nossas mãos. Carros, casas, bens, dinheiro, dinheiro. Seria essa a definição ideal de felicidade? Não sei, a resposta não é tão simples. Talvez a felicidade não se resuma nessas coisas, em bens materias, embora estas coisas ajudem muito. Talvez, as coisas mais valiosas que temos, por mais démodé que seja, são amores. Não amores carnais apenas, paixões, mas sim amores, amores pelo simples viver, do amanhecer de um dia, de uma vida envolta de prazeres simplórios, e que não são necessariamente relacionados a dinheiro. Tá, reconheço que isso é filosófico demais, mas é realidade. Afinal, a vida deve ser encarada como um simplicidade impressionante, porque a vida é mesmo complexa. Mas é difícil ver simplicidade na vida, porque, aliás, a felicidade é, além de tudo, complexa. Quando criança, eu queria ser adulto, mas por que cargas d’água hoje eu gostaria de ser criança? Por que sentimos falta daquilo que tivemos, e que sempre desejamos descartar?Afinal, o que te faz feliz? O que nos faz feliz? O que é ser feliz? Talvez seja a esperança de saber que o amanhã poderá ser melhor, e é por isso que batalhamos hoje. É, talvez ser feliz seja isso: viver o que temos pra viver da maneira que podemos.
´Eu tenho MUITO dentro de mim e não estou afim de receber nada em troca. Essa coisa bonita de dar sem receber funciona muito bem em rezas, histórias de santos e demais evoluídos do planeta. Mas eu não moro em igreja, não sou santa, não evoluí até esse ponto e só vou te dar se você me der também...´
Não há nada mais perfeito que um sorriso...
Daqueles que penetra no olhar, e nos tira de órbita por
alguns instantes.
É como se o mundo inteiro desaparecesse a minha volta
e o tempo parasse à meu favor...
Solta
Sou como uma palavra, que sozinha pode dizer tudo ou nada, mas que não cabe em qualquer verso. Meu som ecoa por onde passo, mas não pode ser capturado. Cada momento deve ser vivenciado como único, pois não garanto que voltará a acontecer. Quero a beleza da liberdade, de ir como e onde meu desejo me levar. Não permito que me rotulem, pois não caibo em qualquer recipiente.
Sou leve, solta e preciso volitar entre pensamentos e filosofias, sem me fixar a nenhum deles. Sou todas e não sou nenhuma. Sou aquilo que vê agora, sou o instante. Sou a pluma que brinca com o vento e perde toda sua vida ao ser capturada. Fidelidade só tenho com os meus ideais, que podem variar de acordo com as tão diversas situações da vida.
Tudo se perdeu, as letras não conseguem se definir.
Nada mais pode ser reencontrado.
Nada mais pode ser consertado.
Por que?
Nada mais tem porque,
Nada mais tem razão,
Nada mais existe.
É tarde.
É inútil.
Sinto-me como um fantasma.
O que será de mim?
Sou vazio,
Sou lágrima.
O que será de mim agora?
Já não o tenho mais.
Já não ouço sua voz.
Já não sinto seu cheiro.
O que será de mim agora que já sei que não posso mais contar com você?
Sou ave sem ninho,
Sou corpo sem alma.
Sou apenas escuridão.
Sou só tristeza.
Nada nos poderá preocupar, se decidirmos firmar o coração no desejo da verdadeira Pátria: o Senhor nos conduzirá com a sua graça e impelirá a barca com bom vento para tão claras margens.
Os dias me fazem perceber, que o tempo não cura nada, só transforma o presente em um passado distante.
Não direi simplesmente nada pois as palavras simplesmente inexistem para explicar aquilo que sinto por ti.
Você implora por ajuda e nada, nem ninguém quer te ajudar. O suicídio começa por dentro. Você não tem mais vontade de sair com os amigos, seus pais se perguntam o que houve de errado, se eles são os culpados pela sua terrível solidão. Seus olhos ficam cada vez mais pesados, e teu coração bate cada vez mais lento. Tic tac, socorro, tic tac. Sua respiração vai falhando, sua garganta vai dando aquele nó e um filme passa por sua cabeça. Sua adolescência cheia de dores, brigas, futilidades, desamores. E cada momento é como uma facada no seu coração […] O suicídio começa por dentro.
A verdade é que não me sinto capaz de nada. Não é fossa. Fossa dá ideia de uma coisa subjetiva e narcisista. São motivos bem concretos, que inclusive transcendem o plano pessoal. E tudo tão insolúvel que a gente só pode fugir, porque ficar não adianta nada. A minha maneira de fugir, tu sabes, é dormindo.
E quando teu sonho se realizar, verás que não tem nada nas mãos, e que os valores reais são os invertidos.
