Desconfiar das Pessoas
“A liberdade interior começa quando aprendemos a desconfiar das nossas certezas automáticas.”
A Mente Enganada — Nina Lee Magalhães de Sá
Aprendi a desconfiar de quem se diz neutro e vive em cima do muro. Quem é amigo de todos, no fim, não é leal a ninguém.
Quem viveu cercado de tempestades
começa a desconfiar do céu azul.
Não porque desaprendeu a sonhar,
mas porque o coração passou a esperar o trovão.
Ainda assim,
há dias em que o sol insiste.
Não para apagar o passado,
mas para lembrar que nenhuma dor
foi feita para ser morada eterna.
Depois de algumas feridas, a mente aprende a desconfiar até daquilo que poderia fazê-la feliz. O medo de conhecer alguém novo nem sempre nasce da falta de amor, mas da lembrança da dor que um dia já foi chamada de amor.
-Jouberth Toffoli
Você pode desconfiar de uma verdade. Mas uma mentira, como tal, é sempre rigorosamente verdadeira.
Quanto mais uma sociedade teme o abuso do poder, mais deve desconfiar do poder sem limites criado para combatê-lo.
Nietzsche desconfiou das verdades absolutas; o jurista deveria desconfiar especialmente das verdades que beneficiam sempre os mesmos.
A Filosofia ensina a desconfiar das respostas fáceis; o Direito ensina que algumas respostas ainda precisam ser dadas apesar da complexidade.
O mundo costuma desconfiar de quem pensa demais. Talvez porque a inteligência enxergue o abismo antes de dar o primeiro passo, enquanto a certeza raramente olha para baixo.
O Direito deveria desconfiar tanto do poder que invoca Deus quanto daquele que invoca a ciência para escapar do debate público.
Podemos desconfiar dos sentidos, questionar as aparências e suspender nossas crenças; aquilo que não podemos eliminar sem pensar é o próprio ato de pensar.
