Desconfiar das Pessoas

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Devemos desconfiar de tantas coisas, de muitas que não sabemos.

“A liberdade interior começa quando aprendemos a desconfiar das nossas certezas automáticas.”
A Mente Enganada — Nina Lee Magalhães de Sá

Entre confiar e desconfiar, sigo observando.

Aprendi a desconfiar de quem se diz neutro e vive em cima do muro. Quem é amigo de todos, no fim, não é leal a ninguém.

Desconfiar da própria sombra é a destreza dos fortes;

A mesma vida que nos ensina a desconfiar também nos obriga a rever certezas.

Quem viveu cercado de tempestades
começa a desconfiar do céu azul.
Não porque desaprendeu a sonhar,
mas porque o coração passou a esperar o trovão.
Ainda assim,
há dias em que o sol insiste.
Não para apagar o passado,
mas para lembrar que nenhuma dor
foi feita para ser morada eterna.

Depois de algumas feridas, a mente aprende a desconfiar até daquilo que poderia fazê-la feliz. O medo de conhecer alguém novo nem sempre nasce da falta de amor, mas da lembrança da dor que um dia já foi chamada de amor.


-Jouberth Toffoli

⁠Você pode desconfiar de uma verdade. Mas uma mentira, como tal, é sempre rigorosamente verdadeira.

Millôr Fernandes
Millôr definitivo: a bíblia do caos. Porto Alegre: L&PM, 2011.

Quanto mais uma sociedade teme o abuso do poder, mais deve desconfiar do poder sem limites criado para combatê-lo.

A Constituição é a memória escrita de uma sociedade que decidiu desconfiar do próprio poder

Nietzsche desconfiou das verdades absolutas; o jurista deveria desconfiar especialmente das verdades que beneficiam sempre os mesmos.

O jurista deveria desconfiar tanto da mentira evidente quanto da verdade confortável.

A Filosofia ensina a desconfiar das respostas fáceis; o Direito ensina que algumas respostas ainda precisam ser dadas apesar da complexidade.

A razão pública deve desconfiar de toda certeza que pede imunidade contra evidências.

A razão não promete certezas eternas; promete métodos para desconfiar das certezas prematuras.

O mundo costuma desconfiar de quem pensa demais. Talvez porque a inteligência enxergue o abismo antes de dar o primeiro passo, enquanto a certeza raramente olha para baixo.

A ciência desconfia das certezas; o Direito deveria desconfiar das certezas com poder.

O Direito deveria desconfiar tanto do poder que invoca Deus quanto daquele que invoca a ciência para escapar do debate público.

Podemos desconfiar dos sentidos, questionar as aparências e suspender nossas crenças; aquilo que não podemos eliminar sem pensar é o próprio ato de pensar.