Depressão
Eu finjo que entendi.
Que passou, que superei, que nem doeu tanto assim.
Mas no fundo, eu sei…
Meu corpo trava, minha voz falha, e eu paro.
Não é falta de força,
é medo de lembrar o quanto me importei.
De ter sido escolha,
e de repente, ser só mais um entre tantos.
A verdade?
É que fingir que não dói é mais fácil
do que admitir que ainda dói pra caralho.
E o que me trava não é o vazio —
é tudo o que ainda tá cheio aqui dentro,
e que eu finjo não ver pra continuar andando.
O CORAL DA CURA
Para você que, de alguma maneira, tenta sobreviver nesse mundo louco, sangrando e chorando atrás da tela e das teclas: eu te vi e te entendi. Este texto não é sobre política, é sobre você.
[...] A cada post seu, eu sinto o pulsar do seu coração, sabia? Talvez seja a primeira vez que você está me vendo, mas isso não é culpa sua. Eu te vejo há algum tempo. Bem, eu preciso me apresentar: sou dono de uma voz muito elogiada, mas o meu melhor dom é enxergar o que ninguém imagina. Eu vejo por trás do que você tenta mostrar. Eu sou você, sim, um reflexo seu: o resultado de uma batalha árdua e antiga, mas nunca me rendi. Sou os arranhões e os hematomas, as várias quedas ocultas e, por debaixo dessa pele, muitas cicatrizes não suturadas.
Não sei, pode ser que chamem isso de depressão. E se for? Bem, nunca recebi nenhum diagnóstico. Em meu peito, há uma voz que não sabe falar, mas identifica frequências de aflições alheias. Eu ouço essa sua voz que tenta se comunicar, mas não encontra ninguém que a perceba, que a entenda ou que a ajude.
Em cada post que você faz, tentando mostrar um sorriso, mas, na verdade, chorando por dentro, eu sei que carregas uma frustração inevitável. É exatamente por isso que roubas a cena com os teus sorrisos, brincadeiras ou piadas. Esse é o teu jeito de não aceitar a dor. Por isso, transborda músculos e retoca a maquiagem.
Você anda por aí disfarçando o tempo todo. Ninguém ainda conseguiu perceber a máscara que carregas. Sabe? Você não está doente. Na verdade, você talvez esteja bem; o mundo é que está doente. Eu também cresci assim, e lá em casa ninguém me entendia: nem pai, nem mãe, nem irmãos. Eu me acostumei. Eu sobrevivi. Eu sou forte. Viu por que te entendo? É que eu vivi isso também.
Você está aqui, no meio desse povo das redes sociais, onde todo mundo finge que está tudo bem. Você é essa voz da alma aflita nesse mundo de paliativos e hedonismo. Você é uma alma em busca de paz e, talvez, essa beleza que todos veem nas fotos, esse corpo maravilhoso, seja o reflexo do sorriso do seu ser celebrando mais um dia dessa sua força inexplicável ou dessa sua coragem de compartilhar o que sente, no intuito de encontrar outras vozes caladas para, juntas, formarem um grande coral de cura. Já me encontrou.
Se você é uma voz não entendida ou ignorada, faça como eu fiz: venha para Deus e se deleite em Sua paz, encontre remédio, encontre cura e seja feliz. Eu tô aqui sentado no cantinho, aqui, ó, está me vendo? Vire para cá, o lado direito... achou😂😂😂.
Senta aqui do meu lado, deixa eu te dar um abraço. Achou que ninguém estava te vendo, não é? Prazer em te conhecer, me chamo Sérgio Júnior. Qual o seu nome?
E aí, vamos cantar?
Não é possível que meio mundo esteja surtando ao mesmo tempo por uma simples questão psicológica.
Deve ter alguma coisa na água que andam distribuindo por aí.
A dor não virou passado,
ela é uma visita diária,
sempre chega sem avisar
e se deita no sofá da sala da alma.
Se eu pudesse voltar no tempo,
não voltaria jamais por orgulho,
mas sim pra falar no ouvido do meu eu de ontem:
“Cara, não faz isso, essa escolha muda a história”.
Tem desvios que a gente só entende quando já foi longe demais,
e percebe que passou tanto tempo tentando voltar,
que esqueceu como era caminhar.
O que sobrou de você
não cabe numa caixa,
nem em foto, nem em saudade.
É mais,
é ausência com grito,
memória com soco,
presença que machuca.
Tem pesos que a gente carrega que talvez só não saíram,
porque estavam boiando quando a maré tava alta.
A palavra tem poder de destruir ou construir o ser humano. Reflita sobre o que você está fazendo com elas.
Pulseira Escarlate
Eu tenho uma pulseira escarlate
A amo de paixão
Me ajuda com a sensação
Com ela, sou uma modelo de alfaiate
Sou um manequim
O artista me veste de vermelho
Procuro um conselho
Escarlate fica bem em mim?
Te cai muito bem
Coloco meu bracelete vermelho
Olho-me no espelho
Não consigo viver sem
Mas essa cor dói, digo
A encaro como um necessário perigo
Ando aos holofotes
Ganho, de ouro, alguns lingotes
Saio do palco, cansada
Olho minha pulseira, desesperada
O acessório brilha vermelho escuro
Consequência de meu sangue impuro
Que, em meus antibraços, escorre
Em todo meu corpo, uma sensação me percorre
É a calma
Esse é o trabalho da pulseira
Ela, sempre muito ligeira
Sangra, relaxando minha alma
A pulseira é a automutilação
O alfaiate, a pressão
O manequim
Se trata de mim
Tem dor que rasga a alma,
Faz a lágrima descer quente.
Tem dor que desnortea,
Te faz se sentir indigente.
Tem como tirar alegria da dor?
Pergunta pra o palhaço sonhador, Que no palco faz um espetáculo promissor Mesmo que seu coração esteja esmagado em dor.
Ele cumpre seu propósito ainda que com dor.
Um dia, aos prantos, escutei do vazio que me confortava que não era preciso o medo de chorar, pois chorar limpa a sua alma.
