Depois

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18-06-17
Geralmente se reza antes de qualquer refeição!
Eu rezo depois, vá que me de um treco.

Ele parecia invencível. Mas depois das batalhas, quando o mundo dormia, o gigante chorava de saudades.

"Um pai, à beira do sacrifício, doa ao filho seus últimos conselhos — e logo depois, o coração."

"E se você tivesse só um dia… pra fazer tudo o que deixou pra depois?"

"Sorrisos viraram silêncio. Abraços viraram lembrança. E o amor… só foi entendido depois da perda."

"Dizer 'eu te amo' depois do caixão fechado é covardia disfarçada de saudade."

"Cai hoje. Aprendo amanhã. Volto depois com raiva e resultado."

“O que ficou depois da tempestade”

Passei por corredores brancos
onde o relógio falava mais alto que a minha voz.
Aprendi que coragem não é gritar —
é tirar o lenço, olhar no espelho
e reconhecer a mulher que continua ali.

Meu corpo virou mapa de batalhas:
cicatriz que costura medo com força,
veias que decoraram nomes de remédios,
seios que foram casa, depois campo,
e agora são história.

Teve dia que o cansaço pesou mais que o diagnóstico.
Que o gosto de metal na boca era o gosto do recomeço.
Teve noite que negociei com Deus só mais uma manhã
pra ver o sol sem agulha, sem contagem de plaquetas.

Descobri que dor e amor dividem o mesmo quarto.
Amor nas mãos que seguraram as minhas no soro frio.
Amor no “vai ficar tudo bem” dito sem promessa,
só presença.
Amor em cada mensagem que dizia “tô aqui”
quando eu não tinha palavra nenhuma.

O câncer me tirou pedaços,
mas me devolveu inteira de outro jeito.
Me ensinou que cabelo cresce,
mas dignidade não cai.
Que peito não mede feminilidade —
o que bate dentro dele, sim.

Hoje eu ando devagar às vezes,
não por fraqueza,
é que aprendi a pisar onde dói
só pra lembrar que ainda sinto.

Se me perguntam o que passei,
eu digo: atravessei um inverno dentro de mim.
Floresci careca, com medo, com raiva,
mas floresci.

E se a vida me pedir de novo pra lutar,
que venha.
Eu já sei o caminho de volta pra mim.

O único assassino que é recompensado depois de cometer um crime é aquele que consegue matar a charada.

Quase todos continuam a dieta depois de passar pela porta estreita.

Sou o que restou depois que parei de tentar ser qualquer outra coisa.

⁠Só notamos os dias felizes da nossa vida passada depois de darem lugar aos dias de tristeza.

Arthur Schopenhauer
As dores do mundo. Lebooks Editora, 2020.

O dinheiro, depois de certa quantia, parece deixar de ser estimulante sexual. Já o poder funciona como um Viagra sem limite de idade.

Os ministros do STF sabem que construíram um poder absoluto e inquestionável. O que veio depois é parte da natureza humana e sempre acontece quando tanto poder é concentrado nas mãos de poucos: o poder absoluto corrompe absolutamente.

Glenn Greenwald
Os abusos do STF são agora óbvios. Mas quem pode pará-los? Folha de S.Paulo, 11 dez. 2025.

As mulheres são tão carentes porque para crescerem tiveram de perder o amor da mãe, e, depois, do pai. Os homens ainda procuram o amor da mãe. As mulheres, o que procuram?

A melhor parte de mim nasceu do que eu observei quando era criança, depois me encheram de palavras e eu me transformei num robô.

Depois que aprendemos o truque, Maya nos propõe outros, ainda mais avançados.

Não existe o espaço, dentro ou fora, antes ou depois, porque cada coisa está sobreposta a cada coisa. Tudo coexiste com tudo. Tudo é uma coisa só. Isto não é exato porque a forma não é exata.

Depois do fracasso, só nos resta a felicidade.

O que achei depois da ilusão


Esta não é uma carta de prosperidade.
Não é um relato de vitória.
Não é uma narrativa otimista construída para convencer alguém de que tudo acontece por uma razão ou de que, no final, tudo ficará bem.
Não sei se ficará.
Escrevo de um intervalo.
Um espaço estranho entre quem fui e aquilo que ainda não sei nomear.
Durante muito tempo acreditei que estava vivendo minha própria vida.
Hoje suspeito que apenas executava uma sequência de instruções herdadas.
Estude. Trabalhe. Produza. Conquiste. Resista. Suporte.
E eu suportei.
Suportei tanto que transformei o peso em identidade.
Passei a admirar minhas cicatrizes mais do que minhas necessidades.
Confundi exaustão com virtude.
Confundi utilidade com valor.
Confundi sobrevivência com existência.
Fui o homem que carregava.
O homem que resolvia.
O homem que seguia.
O homem que sempre encontrava uma forma.
Mas ninguém me perguntou se eu ainda queria carregar aquilo tudo.
Nem eu.
Talvez porque algumas perguntas sejam perigosas demais.
Elas não derrubam apenas respostas.
Derrubam estruturas inteiras.
Então o abismo apareceu.
Não como um monstro.
Não como um inimigo.
Mas como um espelho.
E pela primeira vez percebi algo perturbador:
eu não estava com medo do abismo.
Estava com medo do que descobriria sobre mim ao olhar para dentro dele.
Porque durante anos me tornei especialista em observar o mundo.
Analisei sistemas.
Pessoas.
Comportamentos.
Estratégias.
Falhas.
Mas havia uma região inteira de mim que permanecia interditada.
Uma caverna onde escondi desejos.
Medos.
Raivas.
Carências.
Sonhos abandonados.
Partes de mim que não cabiam na narrativa do homem forte.
E quando aquela porta começou a abrir, tudo entrou em conflito.
A carreira.
Os relacionamentos.
As crenças.
A espiritualidade.
A identidade.
A própria ideia que eu tinha sobre quem era.
Descobri que saber meu nome não responde quem sou.
Saber meus gostos não responde quem sou.
Saber meus objetivos não responde quem sou.
Nem mesmo minhas conquistas respondem.
Porque existe um ponto da existência onde o currículo perde valor.
Onde a performance social perde força.
Onde os títulos deixam de explicar a alma.
E foi exatamente ali que me encontrei.
Ou talvez tenha sido exatamente ali que me perdi.
Ainda não sei.
Só sei que algo morreu.
Não fisicamente.
Mas simbolicamente.
Morreram versões de mim que eu jurava serem definitivas.
Morreram certezas.
Morreram personagens.
Morreram narrativas que me mantiveram funcional por anos.
E quando a poeira baixou, restou apenas o silêncio.
Um silêncio pesado.
Incômodo.
Sem promessas.
Sem aplausos.
Sem distrações.
Foi então que percebi que minha solidão não era ausência.
Era convocação.
Ela não queria me punir.
Queria conversar.
Queria que eu sentasse diante dela sem telefone, sem trabalho, sem justificativas e sem fuga.
Queria me apresentar a alguém que passei anos evitando.
Eu mesmo.
E essa conversa continua acontecendo.
Nem sempre de forma gentil.
Nem sempre de forma bonita.
Às vezes ela chega como revolta.
Às vezes como vergonha.
Às vezes como tristeza.
Às vezes como uma pergunta simples que destrói uma semana inteira:
"Se ninguém esperasse nada de você, quem você escolheria ser?"
Ainda não tenho a resposta.
Mas pela primeira vez parei de fingir que tenho.
Hoje compreendo algo que antes me ofendia:
a consciência tem um preço.
Toda visão ampliada dói.
Toda lucidez cobra.
Toda verdade exige espaço.
Porque enxergar não é ganhar conforto.
É perder ilusões.
E nenhuma ilusão abandona o palco sem resistência.
Por isso não escrevo esta carta como alguém que venceu.
Escrevo como alguém que despertou.
E despertar não é um momento glorioso.
É um processo brutal.
É perceber que algumas das grades eram feitas pelas próprias mãos.
É descobrir que parte do sofrimento vinha das correntes que chamávamos de identidade.
É admitir que certas escolhas eram abandono disfarçado de responsabilidade.
Hoje caminho sem muitas respostas.
Mas com menos mentiras.
E isso precisa bastar por enquanto.
Não sei exatamente quem me tornarei depois desta travessia.
Mas sei quem não consigo mais continuar sendo.
Talvez esse seja o verdadeiro começo.
Não a certeza.
Não a paz.
Não a iluminação.
Mas a coragem de permanecer acordado enquanto tudo aquilo que era falso desmorona.
E continuar olhando.
Mesmo quando o abismo devolve o olhar.