Depois
Às vezes o futuro me parece uma sala de portas fechadas. Toco uma, depois outra, e escuto apenas o eco de mim mesmo. Então respiro e deixo que o tempo abra as demais. Há uma sabedoria silenciosa no modo como as coisas se revelam.Aprender essa paciência é um dom que só nasce com o tempo.
O desapego me veio aos poucos, como quem descasca fruta. No começo dói, depois suaviza o gosto amargo. Libertar é reconhecer que não trazemos nada do mundo. Só algumas estrias e memórias para contar. E isso basta para sermos ricos de experiência.
A coragem que admiro é a que retorna depois do medo. Não é a que nunca treme, mas a que insiste em levantar. Há heróis de pequena escala que multiplicam esperança. Reconhecê-los é dever de quem quer viver bem. E eu os nomeio internamente como santos do cotidiano.
Amar foi bonito enquanto durou,
mas sobreviver depois exige outra coragem. Porque lembrar dói mais do que perder, e esquecer parece uma forma de traição. Ainda assim, sigo, ferido, lento, verdadeiro, aprendendo que viver também é resistir à própria saudade.
Fiz da ausência um hábito, depois um vício e, por fim, meu próprio nome. Já não sei quem eu seria se o vazio me deixasse.
O destino não é o que nos acontece, mas o que fazemos com o que nos sobra depois que o pior já passou e o silêncio se instalou na sala. É a reconstrução paciente de um vaso quebrado, sabendo que as marcas da cola farão parte da sua nova identidade.
O amor é um hóspede barulhento que bagunça toda a casa da nossa alma e depois vai embora sem ajudar na limpeza, deixando apenas o cheiro de um perfume que odiamos lembrar. Mas, no fundo, a gente sabe que a casa vazia e limpa é muito mais triste do que o caos que ele causou.
Eu não sou o que me fizeram, sou o que sobrou depois do impacto, o que sangrou, caiu… e ainda assim se levantou.
Há uma forma de existência que nasce depois do colapso, uma existência que não depende mais de sentido, apenas de permanência.
Existe uma versão minha que ainda acredita em recomeços. Mesmo depois de tantas despedidas. Mesmo quando tudo me sugere o contrário. É ela que impede meu coração de se fechar por inteiro. É ela que ainda me convence a tentar mais uma vez.
Existe uma espiritualidade silenciosa em quem continua respirando mesmo depois de ter perdido partes inteiras de si pelo caminho.
O sofrimento prolongado altera a arquitetura da alma. Depois de certas dores, nunca mais voltamos a sentir o mundo da mesma maneira.
Existe uma beleza profundamente triste em quem continua sendo sensível depois de ter conhecido a brutalidade humana de perto.
Certa vez, a tempestade perguntou ao velho carvalho por que ele continuava de pé depois de tantos invernos. O carvalho respondeu que não resistia por causa da força dos galhos, mas porque suas raízes haviam aprendido a conversar com a escuridão sem ter medo dela. Desde então compreendi que a verdadeira fortaleza não nasce dos dias tranquilos, mas da intimidade que criamos com aquilo que tentava nos destruir.
- Tiago Scheimann
Há pessoas que partem da nossa vida, outras permanecem para sempre, mesmo depois de irem embora, assombrando os cômodos vazios da memória.
Passei anos procurando um sentido para a minha dor.
Depois compreendi algo ainda mais triste:
Talvez o sentido nunca tenha existido.
Talvez sejamos apenas viajantes tentando convencer a nós mesmos de que a estrada leva a algum lugar, porque admitir o contrário seria pesado demais para suportar.
- Tiago Scheimann
Depois do querer confesso
Ainda mais de você aqui
Povoando pensamentos,
Invadindo brechas
Sussurrando provocações
Implorando pela mistura
Querendo ainda mais
O que já queria muito
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