Depoimento para uma Garota que eu Amo
se eu não for
eu mesmo
é o mesmo que eu
ter morrido
se o que me salva
me anula
então não é a mim que salva
não sou eu
é o eu-
comprimido
que no instante em que surge
eu sumo
meu sumo se esvai
e eu morro
se me salvaria antes
um segundo
num segundo eu tomo
e me toma
e já não sou eu quem fala
é o outro
eu que não sou
eu mudo
eu que não falo
não sinto
eu que não existo
socorro
se o que me salva
me mata
não é a mim que salva
é de mim
o mundo
Estar dentro do seu abraço faz com que eu esqueça do mundo.
Não importa quanto tempo leve, mas sim o que transmitimos um ao outro...
E é bom...
Carta p'ra alguém.
Amor, me perdoe
Por ir e velejar
É que eu estou velando por aí
Sem saber se vou voltar.
É que eu não aguentei a saudade
E precisava escrever
É que isso tudo dói e arder
Eu querer e não poder.
Eu tentei ficar contigo
Mas, amor, isso me dói.
Eu tentei ser seu amigo
Mas o amor não brota, se constrói.
Então eu fui, fui por aí
Velejar no mar da solidão.
Eu admito, eu caí
E machucou meu coração.
Ainda sinto saudade,
É, amor... Não superei
Isso tudo é crueldade
Mas isso não te importa, eu tentei.
Eu errei em te amar,
Eu errei em tentar escrever.
E sei que cê não vai ligar
E nem sei se vai receber.
Mas eu sigo aqui sozinho
Velando pensando em ti
Amor, sigo meu caminho
Velando a noite sem dormir.
você não acreditaria que eu sigo
mentindo e que agora as mentiras
são quase bonitas
apenas porque morremos:
a beleza.
apenas porque morremos
o sol voltará amanhã
exigindo que ao menos
um
de nós
tente de novo
você não acreditaria nas coisas
que tenho tentado provar –
a libido, o corpo, o frio
(sobretudo o frio)
você não acreditaria que
apenas porque morremos
as coisas ainda brilham
que apenas porque morremos
ainda somos necessários
Querendo você
Me iludi
Pensando em você
Me apaixonei
Mas depois eu desisti
Já que nunca te encontrei.
Eu não tenho a alma de um corrimão.
Eu sou mais do elo, da liga e do laço.
Respeito para mim é coisa fina,
assim como o abraço.
Se eu chego antes,
te pego com respeitos demais;
Se eu chego atrasada,
te pego casado e pai;
Então eu chego agora,
pra ver se é boa hora.
Pensei em mentir, pensei em fingir,
dizer: eu tenho um tipo raro de,
estou à beira,
embora não aparente. Não aparento?
Providências: outra cor na pele,
a mais pálida; outro fundo para a foto:
nada; os braços caídos, um mel
pungente entre os dentes.
Quanto à tristeza
que a distância de você me faz,
está perfeita, fica como está: fria,
espantosa, sete dedos
em cada mão. Tudo para que seus olhos
vissem, para que seu corpo
se apiedasse do meu e, quem sabe,
sua compaixão, por um instante,
transmutasse em boca, a boca em pele,
a pele abrigando-nos da tempestade lá fora.
Daria a isso o nome de felicidade,
e morreria.
Eu tenho um tipo raro.
Tenho tanto(s) "eu(s)" guardado(s) em mim que, às vezes, não sei qual "eu" devo vestir para enfrentar as pessoas e, sobretudo, a vida.
Olhei para céu e contemplei os seus olhos, cujo poeta descreveu que ao sentir esse olhar eu poderia me perder, talvez não tenha medo de me perder, nem tão pouco de me prender sobre eles, talvez seja amor, ou tão pouco uma simples paixão, já nem sei o que poderia ser, só me cabe nesse momento te amar antes mesmo que eu perca você.
Ela tem aquele olhar que me prende, até mesmo né faz esquecer de onde vim, ou até mesmo para onde eu devo ir, eu só sei que esse olhar é como dos querubins que cantam sobre céu, quando os arcanjos vem ao seu encontro, para contemplar os cantos que aquele olhar tanto me diz.
quando eu morrer
esqueça-se de mim
o quanto antes
se possível
agora mesmo
não deixe um só rastro
de minha imaginada existência
nada disto importa
muito menos
este pedido
não compreende?
se pudesse soltar
agora mesmo
tudo, tudo, apenas soltar
entenderia
Eu sigo contra-marê, velejo o meu barco a vela contra o vento, desmento de tudo e concordo com tão pouco da imensidão do que já vi e ouvi. Eu sou Oásis no deserto, eu sou cidade em imensa mata Amazônica, eu sou você negando ser mim mesmo, eu sou o que não sou porque não sei o que realmente sou.
1minuto de pensamento
Eu entendo agora.
Está claro.
Não há nada aqui.
Nada além de resquícios do todo.
E só reivindico agora as coisas dos céus.
Que seja sempre assim
eu e você.
Que seja sempre amor até o fim,
e quanto mais o tempo passar
mais quero te amar.
Vai ver tudo não passou de um sonho
E o louco fui eu
De acreditar que a vida era tão simples
Até chegar você em minha vida
E eu ter que juntar o que sobrou
Do meu corpo estilhaçado pelo amor
Eram tempos e temporais
Nada de mais
E a cada dia triste
Eu saía a pé na chuva
Na verdade eu não queria que me vissem chorando
E usava o tempo como desculpa
Um dia sonhei que o sol brilhava para todos
Foi o dia que quis seguir teus passos
Mesmo me quebrando em mil pedaços
Acordei
Ascendi a luz
Fechei a porta
Voltei a dormir
