Dedicatória para a Mãe
O sonho...a dor
O sonho saiu
Numa noite de frio
A dor o seguiu, por amor
Companheira de jornada
Na chegada e na partida
Partiu por sonhar
Toda dor também sonha
E todo sonho tem lugar guardado
Para a dor parceira...e ela chega
Em cada coração que um sonho abriga.
Todo bom sonhador
Tem no peito o sonho...a dor
Cada qual do seu lado
O sonho é perfeito
A dor é dor
Não faz mal
Sonho bom foi feito para ser sonhado
E quando não der certo
O sonho sonhador e a dor, eterna amiga
Estarão sempre por perto
Sonhador que é sonhador...nem liga.
Edson Ricardo Paiva.
Há sonhos
Que não tem vida e nem vontade própria
Nem jamais terão
Os sonhos hão de ser a própria vida
E tudo se ajeita, quando bem sonhados
Quando as frases são refeitas
A vida chega a ser a imagem
Quase que perfeita dos melhores sonhos
E que seja feita a nossa vontade
Sinta-se à vontade pra querer
A nossa natureza humana é toda feita de desejos
Ou seja deixada de lado
Pois vida sem sonhos
é vida sem vida...é só verdade
E, de verdade em verdade
São sonhos em melodia que nos trazem à vida
De vez em quando
Uma brisa leve chega e diz:
Seja feliz, mas seja breve
Porque a vida é algo urgente
E a gente precisa, logo após a prece
Voltar bem depressa à realidade
O sonho sem vida
Pra sempre há de ser um sonho só
E a vida, quando carece de um sonho
é quase nada
Nem sempre é preciso
dormir para sonhar
Mas o ato de acordar
É imprescindível
Pra poder viver a cada sonho
E que seja feita a vontade
De todo aquele que bem sonhar
Embora uma montanha possa desviar
Um mar do seu caminho
Não existe cordilheira
Que separe um sonho da sua hora.
Edson Ricardo Paiva.
Quando a vida não dói mais.
"Às vezes vem sonhos ruins
A gente se assusta e se acorda
Mas, se não se recorda de sonhos assim
Não tem nada que nos faça
Ver a graça da chuva que te surpreende
Recordar-se da pedra, onde um dia tropeçou
Numa queda que te feriu.
Até mesmo na doença lá da infância
E de todas as distâncias que venceu
Nessa fase, onde tudo se ajusta
E você só vai vivendo a própria vida
Se não existe mais risada ou quase riso
Você deixa de ver graça em sonho bom também
Quando a gente se esquece e nem pensa
Em todo aquele medo que sentiu do escuro
Todo dia acorda
Porém, só se sente apressado...atrasado
E nem agradece à bênção da claridade
O pássaro voando é só uma ave que passa
Não enxerga mais a paz do voo, tanto faz.
Não existe mais mistério em nada
Não existe mais vontade de sorvete lá na praça
Nem mentira e nem verdade
Não há flecha que te atinja e nem te fira
Nesse duro coração vazio, fortalecido pela vida
Tanto faz ir ou ficar
Calor ou frio
Esqueceu-se da alegria
Quando, um dia era tão bom poder sair para brincar
À exceção daquilo que se enxerga
Não existe mais magia em nada...ela existia.
Mas o mundo tornou-te igual a mim."
Edson Ricardo Paiva.
Sonhei com a simplicidade
Não sei quanto tempo levou
Mas o instante durou
O tempo que a vida leva
Qual fosse um novelo de lã
Num castelo de cordas que se transforma
Um menino amarelo que amanhecia
Pra depois anoitecer mil vezes
Era o cravo, era a treva
Vento leve, uma brisa
Que sopra a verdade em seus ouvidos
Tempestade chega de repente
Semente de tempo que a vida leva
Sonhei que a vida era coisa singela
Era um doce com calda de caramelo
Que se vê na infância e não se prova
Não se esquece, que renasce como nova, todo dia
Porque o viu numa fotografia amarelada
Sonhei com a simplicidade
Que de simples que era
Passa a vida inteira e não se alcança
Desiste de esperar e de querer
Como quem não quer nada
Mas a alma
De seu jeito teimosa ela era
E ainda a espera calmamente
Porque
Sonho e vida são coisas que não se junta
E tudo se torna muito
Muito diferente, quando a gente acorda
Pode ser que eu só tenha sonhado
Que essas coisas todas não tivessem
Esse lado esquisito
Essa forma torta como a coisa é dividida
Onde há o feio e o bonito
O lado de cima, o outro lado
O disforme e o quadrado
O errado e o quase certo
Porque sempre que uma vez desperto
Tudo fica complicado
A verdade e a realidade
Contrastando outra vez com a pureza
Da simplicidade que eu sonhava
Onde tudo era caro ou barato
Era claro ou escuro
Mas não tinha passado
E nem futuro.
Edson Ricardo Paiva.
E fez-se a primeira noite
E desde a primeira noite, o frio
E fez-se o arrepio e nascem os sonhos
Em algum momento perdido, o calor
Inventando um novo invento
E veio o rio das horas
E veio a demora
Com o tempo que passa depressa a flutuar
E a folha que cai e que vai-se à toa
Ao arrepio da hora boa
E nasceu assim a lembrança
E o medo do fim
Como receio da noite vindoura
E da dor a lição
Assim fez-se a pressa, a que cessa num momento
Que é coisa a aprender-se depressa
A vida que escoa entre os vãos
Mãos vazias que acenam
O sempre olhar pra trás antes da curva
Até o dia de não nunca mais se ver esse olhar
Assim fez-se a madrugada, a alvorada
O outono que chega
A bruxa do tempo que ri só pra si
E assim fez-se a noite e a escuridão
Tão negra quanto o coração que era
Esperar no portão pelos passos que não mais escuto
E assim se fez a última noite
O longo tempo, que afinal
No final se fez tão curto.
Edson Ricardo Paiva.
Outro dia eu sonhei
Sonhei que não sonhava
E que a vida era verdade
E que eu podia dar bom dia
A tudo que a vida esconde
Mas que ali não se escondia
E dei bom dia à escuridão
A toda escuridão
Que, não à toa, se oculta
A toda ilusão que morria
Era o lado bom da vida boa
Na paz da desilusão
Dei bom dia, não ao tempo passado
Nem ao dia que caminha ao nosso lado
Minha voz dava bom dia ao tempo
Outro tempo
Aquele que voa e se despede
Se despe de nós todo dia
Numa voz calada nos diz
Que ele não se prende a nada
Só flutua
Sonhei com a verdade nua
Que desejava um bom dia
E toda promessa esquecida
E toda palavra que não foi cumprida
Que sempre foi só palavra
Mais nada
Sonhei que a verdade mentia
Dei bom dia à toda solidão advinda
Dei bom dia ao ódio escondido
Dei bom dia ao lado sórdido da vida
E todo silêncio aguardando
Pra deixar de ser silêncio
Penso que só sonhei
Amanheceu
E ainda está tudo do mesmo jeito
Sonhei que hoje era o dia.
Edson Ricardo Paiva.
Pétalas.
Pétalas
Todas elas
Lado escuro
entristecido
Sonho que se sonha
e não se quer sonhar
Uma voz, melancolia
Qual de nós será que não queria
Voar, às vezes
Pétalas que tocavam
Me tocavam em meio a ventania
Um dia veio a tempestade
Só pra carregá-las
Pétalas que amanheciam
Belas, todas elas
Doces pelo orvalho, a noite
O dia trouxe abelhas
Noite trouxe sonhos que não eram
Eram sonhos que se sonha
e não se quer sonhá-los
Como velas apagadas
Vê-las mais de perto
Lágrimas choradas
Todas elas
Pétalas, aquelas
Que tanto nos tocavam
Hoje elas se foram
Uma voz, melancolia ecoa ao longe
Um longe, ontem tão perto
Hoje, coração desperto
Sonhos que sonhamos
Longe de onde estamos hoje
Tanto faz
Pétalas que nos tocavam tanto
Por mais que as procuremos
Não as temos
Não me tocam mais.
Edson Ricardo Paiva.
"Eu decidi encantar o mundo alheio. Recriar histórias que possibilitem uma nova vida, um sonho impossível de acontecer. Eu escrevo para alterar sensações, gerar emoções e recriar um mundo menos chato"
Eu perdi metade de mim, no dia em que soube da doença da minha mãe, eu perdi metade dos meus sonhos e por esse momento nem sei se ainda os tenho, estou sem chão... dor do cão, que não me deixa ver vida na felicidade que não me encontro.
Teve um momento na minha vida em que eu sonhei tanto com você que eu esqueci de acordar. Eu só queria ser a sua família, queria te dar tudo o que sempre sonhei, de tanto ouvir seus pedidos de casamento, no dia em que aceitei, imediatamente ouvi: - Não posso no momento! Vamos casar só nós dois. - Como assim? - Casamento é casamento! Bem, eu apenas sonhei em ser a unica na sua vida. Mesmo sabendo que jamais seria a unica na sua.
Não quero ser pobre! - Meu espírito é rico demais para eu viver o resto da minha vida apenas sonhando.
Respeite as críticas, mas, não a temas, pois o temor irá sufocar os sonhos, já o respeito, te impulsionará por caminhos melhores.
Não se desiste de um sonho, por mais difícil que pareça ser realizá-lo. Cada coisa acontece ao tempo que deve acontecer desde que permaneçamos lutando por isso.
O SONHO QUE NÃO SE ENCERRA.
“Sonho realizado é somente aquele que se continua sonhando”.
Há sonhos que se quebram ao tocar o chão da conquista.
Outros morrem no instante em que recebem nome e forma.
Mas há um terceiro tipo mais antigo mais raro mais verdadeiro.
Aquele que não se satisfaz com o cumprimento.
Aquele que continua.
O sonho autêntico não busca conclusão.
Ele aceita o cumprimento apenas como passagem.
Realizar não é fechar.
É aprofundar.
Não é possuir.
É permanecer fiel.
Quando o sonho continua sonhando ele se torna caminho.
Já não depende de aplauso nem de resultado.
Ele respira no espírito como vocação silenciosa.
E transforma o viver em obra em vez de troféu.
Psicologicamente esse sonho amadurecido recusa o vazio da chegada.
Ele compreende que o sentido não está no fim mas na constância.
E que só permanece vivo aquilo que se renova no desejo consciente.
Sonhar assim exige coragem antiga.
A coragem de não declarar vitória.
De não encerrar o mistério.
De seguir adiante mesmo depois da realização.
Porque somente quem continua sonhando honra o sonho.
E faz da própria existência um gesto contínuo de fidelidade ao que chama por dentro.
E jamais se cala.
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