De Repente Nao mais que Derepente

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O ser crítico é caminho da evolução, pois sem a crítica não conseguimos ir além da mediocridade.

Conexão Sem Explicação


Existem conexões que a gente não escolhe sentir,
elas chegam de repente, sem pedir para existir.
Derrubam nossas defesas, fazem o medo se calar,
e sem sequer percebermos, encontram um jeito de ficar.


É alguém que quebra os muros que levamos tanto tempo a erguer,
que atravessa nossas barreiras sem sequer precisar entender.
Chega leve, chega calma, sem promessa ou condição,
e quando vemos, já tomou espaço dentro do coração.


Com ela, não há motivo para fingir ou esconder,
não precisamos ser perfeitos, nem mudar para caber.
Podemos ser nossas manias, nossas formas de pensar,
nossos versos incompreendidos, nossas músicas sem parar.


Nossas chatices, nossos ciúmes, nosso jeito de complicar,
as coisas mais estranhas que ninguém consegue decifrar.
E aquilo que antes parecia motivo para se afastar,
quando existe conexão, vira motivo para admirar.


Porque quando é verdadeiro, até o estranho fica bonito,
um olhar vira abrigo, um silêncio vira infinito.
E a gente se sente leve, sem medo de se entregar,
como se, pela primeira vez, pudesse simplesmente respirar.


Mas existe um detalhe que insiste em me assustar:
e se tudo isso for sonho que o destino quis brincar?
E se, além do destino, houver pedras pelo caminho,
impedindo dois corações de seguirem no mesmo destino?


Talvez ela não possa ser minha,
não por falta de vontade ou por falta de conexão,
mas porque a vida às vezes coloca obstáculos
onde o coração só queria encontrar uma direção.


E talvez essas pequenas pedras, espalhadas pelo chão,
sejam grandes demais para os passos de dois corações.
Talvez o destino nos aproxime só para depois ensinar
que nem todo encontro bonito nasceu para ficar.


Mas se amanhã tudo acabar e o sonho se desfizer,
ainda assim terá valido a pena sentir e viver.
Porque existem pessoas que chegam sem explicação
e, mesmo sem poder ser nossas,
deixam morada no coração.

Com a maturidade você descobre que algumas coisas simplesmente não têm conserto.

Quem riscou o fósforo não pode reclamar do incêndio.

"Cada nascer do sol anuncia que a Providência não abandonou o mundo nem os homens às sombras."

Hoje, ao cuidar do jardim
Eu pensei assim:
Será que vale a pena plantar uma flor
Se não tenho nenhum amor
A quem ofertar?
Porém, outra pergunta sempre vem:
De que me valeria amar alguém
Que eu não tivesse junto a mim
E se acaso
Estando ao abrigo do peito
O amor acabasse?
Amores sem qualidade
Fatalmente são de outro jeito
E nunca tem respeito e nem propósito
Precisa botar atenção
No prazo de validade
Pois, se insistir em durar mais
Ele Jamais vai ser como eu quis
Às vezes, de tanto querer
E tanto fazer, mesmo estando distante
Não dura um instante mais
De que me valeria fazer tanta coisa
Quando o mais importante eu não fiz
A gente precisa entender
Que semente de amor
Difere de plantar flor
A flor cresce se a semente presta
Mas amor é diferente
e fere sem crescer direito
Mesmo que a semente seja bem cuidada
de instante em instante
Não tem jeito
A vida passa
E não acontece nada
Que traga a graça da flor
Só nasce dor
E um morrer sem viver
Sem ter uma flor pra chorar por mim
E então eu pensei assim:
Pra nascer uma flor qualquer
É melhor nem plantar um jardim

Edson Ricardo Paiva

Ser ou não ser?
Veja a cor da cereja
Não importa
a tonalidade do vermelho
a rosa também nasce branca
Nem sempre a cereja é vermelha
Nem sempre tudo é somente
aquilo a que se assemelha
Os espelhos também mentem
Melhor confiar na intuição
Entre o Céu e o chão
É sempre aconselhável
conhecer o que se quer
Antes de querer
Eis a questão!

Um dia você descobre
que a vida não foi à toa
e que, apesar de não ser tão boa
não há dor que não se cure
não há dor que pra sempre dure
e que, infelizmente
não existe dor que não doa
o que existe realmente
é dor que se sente à toa
tem a dor que te consome
e a dor que sem pena te rói
mas a dor menos amena
é a dor que apesar de ser dor
você nunca sabe onde dói.

Na vida, não importa há quanto tempo conhecemos alguém, mas sim o quanto certas pessoas se tornam especiais a ponto de querermos levá-las no coração por toda a vida.

Não tenha medo do fim do tempo. Tenha medo de passar por aqui sem tocar o coração de ninguém.

Não perco o meu tempo desejando mal a ninguém, meu tempo é tão curto e tão precioso nessa Terra, que nenhum mal, saíra de minha boca ou dos meus pensamentos.

Pelo amor de Deus, eu sou a pessoa menos paciente para ouvir problemas, eu tenho os meus, e não os divulgo, cada um deve agir da maneira correta para encontrar suas entradas e saídas.

" Quem não aceita as diferenças é obrigado a ser igual, esse é o grande mal que o orgulho cria. "

ALLAN KARDEC. O APÓSTOLO DA VERDADE E DA TERNURA ESPIRITUAL.
Allan Kardec não pertence apenas à memória histórica do Espiritismo. Pertence à intimidade moral da humanidade. Sua presença atravessa os séculos como uma dessas consciências raras que ensinaram sem humilhar, corrigiram sem endurecer e sofreram sem abandonar a serenidade diante de Deus.
Durante muito tempo, muitos imaginaram Kardec como uma figura severa demais para o afeto, quase aprisionada numa racionalidade inflexível. Entretanto, aquilo que chegou até nós acerca de sua vida íntima revela precisamente o contrário. Revela um homem profundamente humano. Sensível. Delicado. Afetuoso. Um espírito que carregava responsabilidades imensas sem perder a capacidade de sentir as dores alheias.
Sua inteligência jamais destruiu sua ternura.
Kardec possuía a firmeza dos grandes educadores e, ao mesmo tempo, a brandura silenciosa daqueles que compreendem a fragilidade humana. Era rigoroso com princípios, porém misericordioso com pessoas. Corrigia ideias sem ferir consciências. Defendia a verdade sem transformar a doutrina numa arma de vaidade intelectual.
Talvez aí resida uma das maiores belezas de sua existência.
Ele não era um homem inacessível.
Era um homem fatigado que continuava trabalhando.
Era um espírito sobrecarregado que prosseguia servindo.
Era alguém que conhecia as angústias da alma e, ainda assim, permanecia fiel ao dever.
Sua célebre prece de aflição continua emocionando consciências porque nela não encontramos um missionário distante das dores humanas, mas um homem atravessando regiões difíceis do próprio espírito. Quando confessa sentir-se confuso, ansioso e interiormente perturbado, Kardec aproxima-se de todos aqueles que já enfrentaram noites silenciosas de exaustão emocional.
E mesmo cansado, não se revolta.
Mesmo abatido, não acusa.
Mesmo aflito, não abandona Deus.
Ele ora.
Pede discernimento.
Pede força moral.
Pede humildade para transformar sofrimento em aprendizado espiritual.
Há uma grandeza quase sublime nisso.
Num século marcado por disputas intelectuais e orgulho filosófico, Kardec escolheu a introspecção moral. Em vez de buscar culpados exteriores, investigava a própria consciência diante da Providência Divina. Sua espiritualidade não era teatralidade religiosa. Era disciplina interior. Era fé amadurecida pela razão e suavizada pela caridade.
E talvez seja impossível não sentir profunda comoção ao perceber que dentro daquele educador monumental ainda existia algo extremamente puro. Uma espécie de menino espiritual buscando repouso em Deus após o peso esmagador das responsabilidades humanas.
Seu coração não endureceu diante das lutas.
Sua alma não secou diante das perseguições.
Seu ideal não tombou diante do cansaço.
Kardec trabalhou incessantemente. Respondeu cartas. Consolou aflitos. Orientou grupos. Auxiliou necessitados. Administrou dificuldades materiais. Organizou obras gigantescas enquanto enfrentava desgaste físico e emocional quase contínuo. Havia noites de exaustão. Havia preocupações silenciosas. Havia saudades íntimas jamais verbalizadas inteiramente. Ainda assim, ele prosseguia.
Não porque fosse um homem sem dores.
Mas porque compreendia que a verdade exige perseverança.
Sua vida inteira parece ter sido um testemunho de renúncia serena. Uma existência consumida pelo dever moral, pela educação espiritual das consciências e pelo desejo sincero de aliviar o sofrimento humano.
Por isso sua lembrança permanece tão viva.
Não apenas como filósofo.
Não apenas como educador.
Mas como presença moral.
Como consciência amiga.
Como um desses raros espíritos que conseguem aproximar razão e compaixão sem destruir nenhuma delas.
Kardec venceu o cansaço sem abandonar a dignidade.
Venceu as dores sem perder a delicadeza.
Venceu as saudades sem permitir que a amargura lhe tomasse o espírito.
E talvez seja exatamente por isso que ainda hoje tantos corações sentem sua presença como um amparo silencioso atravessando gerações.
Sua grandeza não nasceu da ausência de fragilidade.
Nasceu da coragem de permanecer fiel à luz mesmo carregando o peso humano das próprias lágrimas.
Por: Marcelo Caetano Monteiro.
Fontes.
Projeto Allan Kardec da Universidade Federal de Juiz de Fora.
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" O amor de Jesus não se impõe pela força, mas convida pela mansidão, revelando que a verdadeira autoridade nasce do serviço e da renúncia. "

CLADISSA.
CAPÍTULO V
O VALOR QUE NÃO SE PESA EM TERRA.
A Úmbria do século XI permanecia sob as tensões que reverberavam desde Roma. A controvérsia das investiduras não era apenas querela entre trono e altar, mas reorganização profunda das hierarquias sociais. Desde o confronto entre Henrique IV e Gregório VII, a cristandade latina experimentava vigilância moral crescente e redefinição de vínculos entre laicato e clero.
Nesse contexto, o mosteiro onde Cladissa vivia não era simples refúgio espiritual. Era centro de irradiação simbólica. Sua biblioteca, ainda que modesta, preservava códices da Vulgata consolidada por Jerônimo, além de comentários patrísticos que sustentavam a ortodoxia local. O scriptorium tornara se espaço estratégico. Copiar textos era manter a unidade doutrinária em tempos de fragmentação política.
Foi precisamente nesse cenário que as investidas contra Cladissa adquiriram contornos mais nítidos. Não eram meros impulsos sentimentais. Eram movimentos inscritos na lógica feudal.
Primeiro fator. O capital simbólico. A alfabetização em latim, rara entre mulheres e mesmo entre muitos homens, conferia lhe estatuto singular. Ela não possuía terras, mas possuía letramento. Em uma sociedade onde contratos, cartas de concessão e registros eclesiásticos exigiam precisão textual, uma mente disciplinada era ativo valioso. Pequenos senhores locais, pressionados por tributos imperiais e obrigações eclesiásticas, necessitavam de organização. Uma esposa instruída elevava a casa não apenas socialmente, mas funcionalmente.
Segundo fator. A política de alianças. Após 1077, quando Canossa tornara se símbolo da tensão entre Império e Papado, cada vínculo com instituições religiosas ganhava peso estratégico. O mosteiro representava legitimidade espiritual. Aproximar se de Cladissa significava, ainda que indiretamente, aproximar se da autoridade moral do claustro. Em tempos de suspeita sobre simonia e corrupção clerical, a associação com uma figura reconhecida por disciplina e pureza tornava se capital político.
Terceiro fator. A projeção moral e estética. A espiritualidade medieval valorizava compostura, recato e austeridade. Cladissa incorporava esses atributos com naturalidade. Sua postura serena, o domínio do silêncio, a sobriedade no vestir, tudo isso correspondia ao ideal feminino cultivado pela ética monástica. A virtude, naquele século, era reputação tangível.
Quarto fator. A vulnerabilidade jurídica. Órfã e sem dote expressivo, ela carecia de proteção familiar robusta. No sistema feudal, tutela e casamento eram instrumentos de incorporação patrimonial. Mesmo sem bens materiais, a própria pessoa constituía valor. Integrar Cladissa a uma casa significava absorver seu potencial simbólico e sua ligação institucional.
Esses elementos convergiam silenciosamente. Enquanto ela copiava passagens do Evangelho segundo João, refletindo sobre o Verbo que se fez carne, outros avaliavam sua presença como possibilidade concreta de ascensão ou consolidação.
Certa tarde, o prior foi procurado por um representante de pequena linhagem rural que solicitava audiência. O argumento era prudente. Falava se em proteção, em estabilidade, em honra. O discurso revestia se de cortesia, mas a intenção era inequívoca.
O prior, homem atento às reformas em curso, compreendia a delicadeza da situação. O mosteiro não podia converter se em mercado matrimonial, sob pena de comprometer sua integridade. Ao mesmo tempo, não ignorava que a permanência de Cladissa ali exigia justificativa sólida diante de pressões externas.
Cladissa percebeu a mudança de atmosfera. O silêncio tornara se denso. Já não era apenas o silêncio da oração, mas o da expectativa.
Naquela noite, ao recolher se, compreendeu que sua pobreza material era apenas aparência. O século avaliava valores invisíveis. Educação, vínculo sagrado, reputação moral.
E foi então que amadureceu nela uma decisão interior. Se era vista como moeda, precisaria afirmar se como consciência. Se era objeto de cálculo, precisaria tornar se sujeito de escolha.
O século XI mediu quase tudo em terra, tributo e fidelidade. Contudo, no interior daquela jovem formada entre pergaminhos e pedras frias, começava a erguer se algo que não podia ser pesado em balanças feudais. Uma vontade lúcida, consciente de seu tempo, mas não submissa a ele.

“O mundo não enlouqueceu, apenas resolveu pensar diferente de você.”

O Chá da Primavera.
O chá da primavera não se serve apenas em xícaras, mas no ar que desperta. Há algo de delicadamente insensato na estação que floresce sem pedir licença, como se o mundo resolvesse espreguiçar-se depois de um longo cochilo filosófico.
Tudo parece convidar à mesa invisível onde as pétalas são guardanapos e o vento é o anfitrião distraído. As cores conversam entre si em tons que quase discutem, mas acabam rindo do próprio exagero. A primavera possui essa lógica curiosa, meio séria, meio travessa, em que o rigor do inverno se dissolve como açúcar em infusão morna.
Beber o chá da primavera é aceitar o improvável. É permitir que pensamentos antes rígidos se tornem vapor leve, que sobe, gira e desaparece sem explicação convincente. A estação ensina que até as ideias mais quadradas podem florescer se expostas à luz certa.
E assim, entre perfumes invisíveis e silêncios que germinam, compreende-se que a vida, quando decide florescer, não pede coerência absoluta. Ela apenas abre as janelas da alma e serve, com delicada ousadia, mais uma xícara de recomeço.

" O silêncio do nosso adeus não foi ausência de palavras. Foi excesso de consciência. Quando dois espíritos compreendem que o caminho já não é o mesmo, o ruído torna-se indigno. Falar seria profanar aquilo que já estava consumado no íntimo. "

" O tempo não é inimigo da alma, mas seu escultor. "