Cronicas de Jorge Amado
Sou não sendo
Sou solitária...
Mas não tenho exatamente solidão.
Todos me conhecem...
Mas não conhecem meu coração.
Posso ser forte...
Mas só possuo fraqueza.
E a única coisa que me circunda...
É a irremediável tristeza.
Sou carente...
Mesmo tendo carinho.
Não sei por que, mas me sinto como...
Filhote de pássaro esquecido no ninho.
Sei o que é certo...
Mais persisto no errado.
A verdade e que já estou acostumada...
Com o mundo amargo.
Sou triste...
Mas sei fazer os que me cercam sorrir.
Só que eles não sabem transmitir alegria para mim.
Sou corajosa...
Apesar de ter medo que descubram...
Que a coragem é o meu grande segredo.
Sou muitas vezes a decepção, que sempre...
Surpreende.
Sou também professora...
Que só ensina, nunca aprende.
Sou para muitos a felicidade...
Enquanto vivo de sofrimento.
Já invadi a intimidade de muitos...
E não conseguiram invadir meus sentimentos.
Por ser o que não sou...
Sou não sendo.
Porque vivo...
"Uma vida que não deveria estar vivendo."
Hoje me rendo a este mundo de ilusão e tortura!
Hoje o deixe me dominar por medo de não acreditar em meus próprios sonhos, anseios...
Hoje estou aqui me vendo do jeito que cultivei a ser...
Não por falta de oportunidades! Mas sim por na acreditar nem em mim mesmo ou acreditar que nem tudo tem que girar ao meu redor!
As pessoas sabem viver sozinhas, mas eu insisto em pensar que tenho que estar ao lado pra não deixar sofrer os que amo...
Mas hoje vi que quem mais sofreu e sofre por medo de confiar... Sou eu!
Hoje só penso o quanto sou tolo e ingênuo, em pensar que significo alguma coisa pra alguém... Hoje posso ser alguém pra o meu filho, pra minha amada, pra meus pais, sei lá!
Amanhã se eu não estou mais ao seu lado... Certamente terá outra pessoa pra me substituir e poder ajudar em tudo que ajudei...
Hoje sou presente por pensar que estou ao lado... Mas se não estivesse certamente apareceria outra pessoa...
Sei lá o que estou escrevendo, acho que devia ser expulso daqui por escrever tantas coisas sem nexos...
Quer saber, to triste, fraco e desolado... Queria apenas um cantinho com paz em minha mente e acreditar novamente em sonhos...
Sonho que se sonha só é só um sonho, sonho que se sonha junto...É realidade...
Mas e eu que nem sonho mais? Farei de quem estiver ao meu redor apenas sonhe? Ou quem sabe nem queira mais sonhar por saber que não chegará a uma realidade?
Não sei... Acho que por mim no fundo no fundo ficaria sozinho com medo de fazer sofrer quem chega-se perto de mim...E quem já está... O bom seria evitar tá trabalho...
Morrendo de inveja
Eu e você sabemos que mais que um pecado, a inveja é um dos sete sentimentos básicos que o ser humano pode nutrir pelo outro, simultaneamente ou não: amor, paixão, ódio, amizade, indiferença, compaixão e inveja. Os demais estados de espiritos são derivados.
A inveja é um tema e tanto! Uma vez que começamos a refletir sobre ele, vemos que está bem próximo e que podemos despertar a iradesse monstro que habita nosso interior simplesmente por sermos exatamente como somos. Mostro, porque pode se transformar e transformar a nós mesmos.
Ah, se você nunca sentiu inveja, ainda não nasceu. Ela existe em to-dos, sem exceção. A diferença é quando a admiração motivadora se transforma em rancor pelo que não se consegue ser, possuir, parecer. É a inveja auto-destrutiva.
Até o monge que só come gafonhoto tem inveja da divindade da qual tenta aproximar-se através da pureza e do sacrifício.
A gente copia o corte de cabelo de uma celebridade ou se sente estimulado a fazer algo pelo exemplo de outro. Isso é motivação, admiração.
Mas, de repente você começa a sentir alfinetadas de um certo colega, até pouco tempo amistoso. Sendo homem, você não consegue identificar a inveja como a razão do comportamento permeado de raiva.
Acontece que você pode representar algo que o incomoda muito: pode ter a casa que ele ainda não possui ou tem certeza que jamais possuirá. Pode ter a beleza que a mulher dele não aparenta e estando fora de seu alcance...e daí por diante.
Você vai causar inveja por existir. Ele não progride, não ganha nada com isso, mas, torce para que você se afogue em plena romaria fluvial.
Culpa sua, baby? Não. O outro é que deve estar num momento de extrema baixa-estima, frágil ou desapontado - consigo mesmo, com as chances que a vida não ofereceu. Na impossibilidade de sentir raiva de si, ele a vê, feliz - você personifica tudo o que ele queria e não conseguiu. Cuidado!
A inveja do dia-a-dia é a do anel, da bolsa nova, do amor novo (ou antigo, porque está durando...). Essa é fácil de administrar. Pessoas saudáveis sabem que não é perigosa.
Não adianta querer possuir tudo o que suas amiguinhas têm - você irá a falência ou se tornará uma compradora compulsiva.
O "clone", copia nosso estilo. Tudo o que a gente tem, ele(a) também tem. Freqüenta o mesmo curso, o mesmo salão e coisas do gênero. Só tem um remédio: distância.
A inveja daquilo que somos (cultura, carisma, competência, beleza) é muito pior. Quando a inveja é motivada por uma razão que pode não ser suprida (ser competente ou carismático não se pode comprar), torna-se destrutiva: atinge o algo e o invejoso. Geralmente, ambos saem traumatizados dessa experiência (quando saem!).
O objeto da inveja, sendo uma pessoa "normal", não consegue entender a perseguição, não percebe que suas conquistas e eu "modo de ser" causam sofrimento no outro. Por sua vez, este tenta prejudicar o invejado, mas, não reconhece a razão. Isso seria demais. Seria a cura sem terapia. Impos-sível, meu amor.
A inveja destrutiva só ocorre entre pessoas próximas - familiares incluídos. Ninguém tem esse sentimento em relação à Giselle Bundchen, por exemplo, só um parente ou outra top...Para nós, ela é um mito, admirado ou não. E só.
E aquelas pessoas que gostam de causar inveja?
São os inseguros que, não agradando a si próprios, alardeiam qualidades: dinheiro, poder, conquistas. Sentindo-se invejados, pensam ter conseguido sucesso. São os "só papo". Inofensivos para outros e auto-destrutivos, jamais serão considerados realmente bons, a não ser de propaganda enganosa.
"Pois é , eu escolhi você.
Escolhi você mesmo sabendo dos teus defeitos ,
Escolhi você sabendo que não era o cara mais perfeito ,
te fiz a minha opção ,
te fiz a minha melhor opção ,
e não importa quantas outras opções a vida venha me dá ,
eu vou escolher você ,
sempre sempre vai ser você."
(Adaptado)
"Boa Noite, Londres. Permitam que eu primeiramente desculpe-me por esta interrupção. Eu, como muitos de vocês, gosto de parar para apreciar os confortos da rotina diária, a segurança, a família, a tranqüilidade. Eu aprecio-os tanto quanto todo mundo. Mas no espírito de comemoração, daqueles eventos importantes do passado associados geralmente com a morte de alguém ou ao fim de algum esforço sangrento terrível, uma celebração de um feriado agradável, eu pensei que nós poderíamos marcar este 5 novembro, um dia que não é recordado, fazendo uso de algum tempo fora de nossas vidas diárias para sentar e ter um bom bate-papo. Há naturalmente aqueles que não querem que eu fale. Eu suspeito que agora mesmo, estão dando ordens aos telefones, e os homens com armas estarão aqui logo. Por que? Porque mesmo que a violência possa ser usada no lugar da conversação, as palavras reterão sempre seu poder. As palavras oferecem os meios ao povo, e para aqueles que escutarão, o anúncio da verdade. E a verdade é que há algo terrivelmente errado com este país, não há? Crueldade e injustiça, intolerância e depressão. E onde uma vez você teve a liberdade a objetar, pensar, e falar, você tem agora os censores e os sistemas de escutas que exigem seu conformidade e que solicitam sua submissão. Como isto aconteceu? Quem é responsável? Certamente há aqueles mais responsáveis do que outros, e serão repreendidos, mas a verdade seja dita outra vez, se você estiver procurando o culpado, você necessita olhar somente em um espelho. Eu sei porque você o fez. Eu sei que você estava receoso. Quem não estaria? Guerra, terror, doença. O medo começou melhor de você, e em seu pânico você girou para o agora alto-chanceler, Adam Sutler. Prometeu-lhe a ordem, prometeu-lhe a paz, e tudo que exijiu no retorno era seu consentimento silencioso, obediente.
Na última noite eu procurei terminar esse silêncio. Na última noite eu destruí o Old Bailey, para lembrar este país do que ele se esqueceu. Há mais de quatrocentos anos um grande cidadão desejou encaixar para sempre o 5 de novembro em nossa memória. Sua esperança era lembrar o mundo que a justiça e a liberdade são mais do que palavras, são perspectivas. Assim se você não visse nada, se os crimes deste governo permanecessem desconhecidos a você então eu sugeriria a você que passe o 5 de novembro em branco. Mas se você ver o que eu vi, se você sentir como eu me sinto, e se você procurar como eu procuro, então eu peço-lhe para estar ao meu lado em um ano, fora das portas do Parlamento, e juntos, nós daremos a todos um 5 de novembro inesquecível!!!"
APELO AO MEU AMADO
Vou inventando palavras e elaborando canções
Que envolvam o meu amado e arrebatem suas emoções.
Não quero seu amor sofrido nem sua dor sentida.
Quero seu desejo mais vivo e sua vontade de vida.
Vem amado que amo! Vem logo pra mim, me amando!
Não posso viver sem ti, pois preciso continuar pulsando.
Aceita o meu amor ardente que do peito está exalando
O desejo de para sempre te amar e viver para sempre sonhando.
EM TEUS BEIJOS
Quanto tempo desperdiçado!
Quanto amor não amado!
Você, com esse seu jeito,
De ver em mim só defeitos,
Esquece de que no amor
Não cabem mentiras nem dor.
Quanto tempo perdido!
Quantos sonhos incontidos!
Na solidão de nós dois
Deixamos para depois
O nosso amor tão ardente
Que sofre na falta presente.
Quanta tristeza sem fim!
Eu sem você. Você sem mim!
Cada um pro seu lado
Com o coração esmagado
Por esse orgulho tão besta
Que ao nosso amor só rejeita!
Quanta ampla bobagem!
Quanta imbecil inverdade!
Você diz que sou eu.
Eu digo que você não me deu
A chance de em teus beijos provar
Que eu saberia tão bem te amar!
Nara Minervino
Bem Amado...
Quero falar-lhe e não sei o que dizer.Que me sinto acorrentada como prisioneira infeliz, contando as horas, minuto a minuto à espera do meu momento de solidão.Longe das pessoas e das coisas para aproximar-me de você...Que a vida para mim para mim é sem sentido e vazia como um fantasma errante...Que essa distância tirando você de mim é um martírio tremendo, ao qual não sei por quanto tempo mais resistirei...
Como lastime: A tristeza que me invade;
Como felicidade: O tempo que estivemos jntos;
Ah! Como desejo estar perto de você!Vou dizer-lhe principalmente isto: Amo-te muito mais agora, também, porque o conheço mais. Esta saudade enorme vai tecendo o fio de sua presençaao meu lado e já vejo comigo, seus olhos tristes que me disseram adeus chorando;a boca linda que me beijava tanto;o corpo voloptuoso que me ensinou a pecar;A voz serena em que se apoiavam suas palavras direcionadas a mime os braços fortes que me abraçavam com delicadeza!
Pego o teu retrato e coloco-o à minha frente, para saber que esta tristeza que me aflige tem uma razão de ser, pois apesar de não estarmos juntos...Você de fato existe e também me ama muito!!!
Diamantes não se moldam, lapidam-se, limpam-se suas arestas, dá-se polimento, mantendo-se as suas características mais preciosas.
Os verdadeiros diamantes não são formatados ao bel prazer do mestre joalheiro, pelo contrário; é a maestria deste que faz com que perceba a forma final da pedra com a qual trabalha.
De um diamante, retiram-se os excessos, respeitando o núcleo da gema preciosa que se tem nas mãos. A forma já é pré-existente, é apenas estimulada a surgir em sua plena beleza.
Ao contrário de um vaso de barro, os diamantes não admitem ser moldados ao bel prazer do artista, afinando ou engrossando as suas paredes, acinturando ou dilatando o seu bojo.
O diamante já existe por si, não é fruto da manipulação de uma matéria prima disforme.
A argila, nas mãos de um brilhante oleiro, ganha formas magistrais; nas mãos de um artista, ganha cores e desenhos intrigantes, quando o barro é cozido, vitrificado, envernizado, etc, criam-se verdadeiras obras de arte de imensa beleza ou singeleza funcional.
O valor do vaso é fruto da perícia do artista, de sua habilidade em tornar a matéria prima bruta em um objeto de valor agregado.
Os diamantes, ao contrário, já tem seu valor por si mesmos, independem das mãos do artista para que tal valor exista. O que o artista faz é simplesmente extrair do diamante o melhor de si, tornando-o mais brilhante, polindo suas arestas, lapidando-o e incrustando-o em jóias delicadamente trabalhadas para receber a pedra preciosa.
Se, da argila, faz-se ao mesmo tempo vasos de fina porcelana ou rústicos e funcionais tijolos ou blocos, ou ainda, apenas se abandona num canto a matéria prima, até que se encontre utilidade para ela; dos diamantes não saem senão diamantes. Ninguém deixa um diamante descansando num canto,… antes se valoriza a pedra bruta que se tem nas mãos, trabalha-se sobre ela até extrair o máximo que sua beleza pode oferecer.
Vasos, por maior que seja seu valor e beleza, quebram-se, descascam-se, lascam-se, perdem a cor e o brilho…diamantes jamais se partem. Diamantes são eternos!
Podem ter seu brilho embotado pela poeira do tempo, as jóias onde estão incrustados podem partir-se, mas o diamante sobrevive, sua essência persiste.
Os seres humanos, em sua magnífica diversidade, são blocos de argila ou diamantes brutos. Reconhecer o que se tem nas mãos é tarefa que só pode ser plenamente desempenhada por quem tenha em si a capacidade de ver com olhos atentos.
Quando nos falta a sensibilidade e a perícia para perceber a diferença entre um e outro, muitas vezes procuramos pegar um diamante e tentar moldá-lo às nossas exigências. Ora, como um diamante não se molda dessa maneira, com essa facilidade, acabamos por confundí-lo com um pedaço de argila impuro, e o descartamos como algo de pouco valor.
Pessoas manipuladoras, via de regra, preferem trabalhar com argila, `a qual, com algum
esforço, tornam úteis aos seus objetivos mais imediatos, moldando-a à seu bel prazer.
Já o mestre joalheiros, acostumados a compreender que a beleza vem de dentro para fora, precisando apenas ser desvendada, não tem pressa em seu labor, e não se importam se o diamante trabalhado, ficará ou não em suas mãos, o seu propósito, do mestre, é fazer brilhar a jóia, sua satisfação é a de realizar um trabalho bem feito, sabe que o fruto de sua dedicação não repousa nas vantagens imediatas que seu trabalho possa oferecer, e sim no brilho próprio da gema que passou por suas mãos.
Diamantes ou argila, oleiros ou mestres joalheiros, opções de papéis que podemos exercer em nossas vidas.
Quando assumimos o nosso papel, e deixamos de lado as opiniões, nem sempre isentas de interesse, de outras pessoas, passamos a caminhar pelo nosso próprio caminho, com o coração leve e sereno, livre dos falsos sorrisos e do peso de abrir mão de nossa felicidade para agregar os aplausos do mundo ou parte dele.
Nem sempre é fácil a caminhada, mormente diante de opções que nos façam escolher entre fazer parte dos vasos expostos em uma galeria, reproduzindo o que todos fazem, ser mais um entre outros tantos, recebendo o aplauso comedido dos iguais, ou preservar conosco os diamantes que a vida nos oferece, vez por outra, em sua forma bruta e que desistimos de lapidar, às primeiras dificuldades, ou por que não nos sentimos capazes de tal tarefa, ou por que não percebemos seu valor, ou ainda por que nos importamos demais com as aparências e com que os outros possam achar de nossa insistência.
Oleiros há muitos, não é preciso muito para se fazer tijolos, um pouco mais para se esculpir o barro. Mestres joalheiros são mais raros, mais especializados, assim como os diamantes são mais raros do que a argila.
Deus não põe diamantes nas mãos de oleiros para que sejam lapidados, se um diamante te cair nas mãos, saibas que tens a capacidade de lapidá-lo.
Não trate diamantes como argila! Saiba ver o seu brilho escondido; aprenda com ele, e por certo, ao mesmo tempo que lapidas a pedra, tua própria alma sofrerá as transformações necessárias para o teu próprio crescimento.
Mas, se desprezas o diamante, e a riqueza da experiência, preferindo ser barro ou oleiro, pode ser que , nunca mais, tenhas um diamante em tuas mãos.
Já, a argila…
BR MORTE 153
Na imensa e negra passarela
Desfila a senhora da escuridão
Escolhendo a cada cratera
Aqueles que ficam, aqueles que vão...
Aqueles que em seu corpo trafegam
Levam na alma o medo
Pois suas crateras revelam
Ceifas de vidas tão cedo...
Caminho frio da incerteza
Margens do descaso cruel
Onde paira a fúnebre tristeza
Derramando lágrimas de fel...
Imensa lâmina opaca
Unindo o sul e o norte
Espalhando corpos e sucatas
BR caminho da morte...
Gigantesca vergonha Nacional
BR da insensatez
Caminho torvo e mortal
BR morte 153.
O QUE NÃO MORRE
Eis o que não morre
Pois tem suas garras cravadas na garganta do tempo
Ela está entre a humanidade desde o início dos tempos...
Fera que ronda a terra
Louca besta devoradora
O mundo teme suas garras afiadas
Rasgando ventres vazios,
Infernal sempre é sua presença
Arrastando quem há tanto tempo não come,
No prato vazio revela seu nome
O maldito nome é: Fome... Maldita fome
Fome.
AINDA HÁ FORÇAS
Há tantos caminhos
Tortos ou floridos,
Mas há tantos espinhos
Em sentimentos fingidos...
Promessas ao vento
Soprando vidas...
No vale do sofrimento
Esperanças contorcidas.
Vidas cansadas
De ouvir sofistas,
Vidas cansadas
De ver parasitas...
Ainda há forças para lutar
Por decência nesta terra,
Ainda há forças para buscar
A paz no fim da guerra.
Ninguém aparece na sua vida por acidente. Aquela troca de olhares não foi atoa. Aquela química inexplicável tinha que acontecer. "Poderia não ter me apaixonado, poderia ter sido diferente, poderia ter conhecido alguém melhor". A verdade é que não, não poderia. Aquela história precisava acontecer. A lição só poderia ser aprendida exatamente nessa relação. Dentre bilhões de pessoas no mundo, justo essa te faz sorrir de forma especial. Te trouxe incríveis sensações, experiências e arrepios. Quando a nossa vida é tocada intensamente por outra vida, o curso dela de alguma forma é alterada. A rota muda. O destino, os planos, e as ideias se refazem. Nos renovamos a cada encontro. Não tem como apagar cada vez que fomos empactados. Conhecemos exatamente quem deveríamos conhecer. Nós apaixonamos exatamente por quem deveríamos nós apaixonar. Devíamos o caminho sim, mas foi pra chegar onde chegamos. Somos uma coleção de nossos amores, desilusões, alegrias e aprendizados. Independente das cicatrizes e das marcas tudo aconteceu exatamente como deveria acontecer. Nada diferente disso.
Jorge Ramalho.
OLHANDO AS ÁGUAS
Olhando as águas que passam,
Levando segredos na bruma,
Perguntei ao Tejo e à escuna,
Se esses olhos que meus olhos enlaçam,
Olhando as águas que passam,
São sós desejos do meu coração,
Ou se porventura tudo isto é solidão,
Enquanto as águas se calam... E passam.
Não me diz a escuna porque assim sofro,
Nem me diz a gaivota por quem morro,
Eu sou como às ondas no entardecer,
Cavalos de espuma e de cambraia,
Buscando a certeza do fim da praia
E assim está certo, e assim tem de ser.
A vida tem um senso de humor incrível. A gente é que costuma demorar um certo tempo até pegar o jeito. E o que eu imagino que costuma atrasar o lado de muita gente nesta hora, é aquela falsa ideia de que a qualquer custo precisamos decorar a coreografia já pronta, quando, na verdade, só precisamos levantar e deixar os pés criarem seus próprios passos. No seu ritmo, mas sem perder a oportunidade. Do seu jeito, mas sem atropelar as fases imprescindíveis para o aproveitamento dessas experiências.
Eu tenho aprendido que não há como ser alguém paciente sem exercitar a paciência. E foi assim, me enfurecendo com pessoas e situações, que eu entendi que perder o equilíbrio e ficar reclamando por não ter acontecido o que eu queria, da forma como eu havia planejado, nada mais era do que escolher por perder mais tempo, quando eu deveria simplesmente mudar a postura e tentar de novo. O novo.
Aprendi também que não posso me tornar uma pessoa (mais) tolerante com o próximo e comigo, sem que as circunstâncias nas quais me encontro, me exijam tal postura. Porque, por mais que eu considere certa e justa a visão que eu tenha no momento, ela não é a única. E as outras também merecem tanto respeito quanto a minha.
Eu aprendi que por mais que alguém que eu ame, me machuque, eu não teria como me certificar do quanto amo, sem que este amor fosse testado. E isso inclui também recomeços.
Aprendi que muitas vezes a gente precisa sim de ajuda. Que não tem porque nos fazermos de super-humanos o tempo inteiro. E que não há motivo pra sentir vergonha em assumir que precisamos do apoio de alguém que entenda isso. Alguém que sinta o nosso pedido de socorro quando demonstramos estar cansados, porque realmente viemos suportando muita coisa por longos períodos. E só nós sabemos o quanto.
A vida é um tanto imprevisível. E ainda que não tenhamos a companhia de alguém que acredite na nossa capacidade de superação, que jamais sejamos capazes de abrir mão de nós mesmos. Por nada. Nem ninguém.
"Estou vivendo. Depois eu vejo se deu certo."
Ainda sobre o senso de humor da vida, me peguei pensando naquela frase que diz: “Um amigo me chamou pra cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui.”
A citação é da Clarice Lispector, mas o sentimento que move tanta energia, é de pessoas comuns, que em algum momento da vida se agigantaram quando tomaram a simples decisão de salvarem o mundo.
No início elas mal sabiam qual caminho deveriam tomar. Por algumas oportunidades até pensaram em desistir, mas num momento de distração, viram diante de si a oportunidade de iniciarem as atividades, justamente salvando o dia do próximo, mais próximo. Custou pouco. Algumas vezes, apenas uns minutos de ouvidos atentos. Algumas trocas de olhares em silêncio. Ou, talvez, apenas um abraço sem pedido e nem pretensão maior que a de fazer o bem, sem olhar a quem.
Existem aqueles dias nos quais a gente sente que nem deveria ter saído da cama. São tantos desencontros entre as nossas vontades e os resultados obtidos, que só conseguimos reforçar o desejo de ficarmos em casa e assim evitarmos qualquer tipo de situação que venha a nos aborrecer ainda mais.
Mas a vida é uma caixinha de surpresas. Quem um dia se desiludiu amorosamente e jurou de pés juntos que nunca mais se entregaria aos encantos da paixão, tempos mais tarde veio a descobrir que, assim como (bem) disse a Fernanda Mello: ”(...) quando a gente para de acreditar em “amor da vida”, um amor pra vida da gente, aparece”.
Quem um dia perdeu a fé em si mesmo, afirmando para os quatro cantos do mundo que não passava de um peso morto, um dia se viu como a única pessoa capaz de estender a mão para ajudar justamente quem mais agarrou a chance de lhe humilhar. E assim semeou nobreza em forma de humildade.
Tenho aprendido que a gente floresce de dentro para fora. Que aos poucos a gente vai se aproximando de quem verdadeiramente somos. E que um dia – cada um no seu ritmo – chegaremos no ponto mais alto de nós mesmo e então respiraremos macio por termos nos tornado, finalmente, gente grande.
07-02-2015
Disseram por aí que os opostos se atraem. Então me peguei pensando nas diversas situações que me fazem acreditar que, na realidade – ou apenas no meu ponto de vista – a gente se atrai mesmo é pelo semelhante.
Desde pequeno eu noto que existe algo que me faz reconhecer o bem ou o mal estar, quando perto de algumas pessoas. Basta me aproximar delas que eu logo trato de analisar a sensação que aquele contato me causou.
Quando há um mal estar, tem quem diga que o santo não bateu com o dele(a). E se não aconteceu uma identificação, não adianta forçar a amizade.
Por outro lado, quando você entra em contato com pessoas que se aproximam da frequência na qual você vibra, a correspondência tende a ser leve e automática.
Reza a lenda que a beleza está nos olhos de quem a vê. Então me veio em mente a imagem de um casal que está junto há décadas. E mesmo que um não consiga entender as preferências do outro, por serem, em sua maioria, tão contrárias ás suas, eles nem sequer cogitam a possibilidade de separação. Não porque eles já se conheceram assim e o outro que se vire. Mas porque, dentro dessas tais - e ás vezes tão gritantes - diferenças, existe o ponto em comum, que os une: A escolha por ficar.
No inicio da relação, pode ser que um tenha como característica mais forte, a capacidade de zelar. E o outro, a necessidade de ser cuidado(a). Mas com o convívio baseado no respeito, eles naturalmente acabariam trocando os papéis sem ao menos se dar conta disso. Então, um dia, quem nasceu pra cuidar, aprendeu a receber amor em forma de cuidados. E quem viveu a vida esperando zelo, descobriu como também pode ser (e é!) gostoso ter a quem dedicar o melhor de si.
Então, pra mim, não é a divergência que atrai, mas sim a semelhança. A diferença apenas tempera. A afinidade, consolida.
Reflexão noturna
O que faz um lugar importante, não é a imponência de suas instalações, mas as pessoas que lá estão. Os lugares passam, e junto às pessoas, aproveite os bons momentos e suporte os maus, pois a vida é um sopro que logo deixa saudade, e logo após é esquecido. Viva cada dia o seu mal, buscando sempre o bem, da mesma forma não guarde rancor e mágoas, pois costumam fazer mal apenas aos que as retém.
Eu acho tão gostoso você ter a quem chamar de meu amor. E poder escolher um dos olhos dele(a) como o seu preferido e a este sempre dedicar um dos melhores beijos, desde o principio da manhã, como quem decreta de forma irretocável: eu te amo tanto que hoje o nosso dia será, no mínimo, perfeito!
É uma delícia essa coisa de não precisar dizer absolutamente nada, e ainda assim, compreender que tudo ficou tão claro que a gente apenas sorri enquanto se devora com os olhos. É incrivelmente prazeroso cultivarmos a capacidade de enxergá-lo(a) melhor do que ele(a) mesmo. E com isso fazê-lo(a) notar como são gigantes cada uma das suas tantas miudezas.
É tão bom ter a quem recorrer quando nossas pernas, por alguma razão, nos deixam em dúvida quanto á possibilidade de darmos mais um passo na direção do nosso sonho, dado o nosso tão notório cansaço, e então, tendo aquela mão erguida e pronta para segurar a nossa, percebermos que, independente do que aconteça, tudo ficará bem. Porque podemos contar um com o outro. Porque juntos somos mais fortes.
É indescritível ter uma pessoa como seu primeiro pensamento do dia. E reconhecer sua voz, mesmo em meio a tantas outras vozes. E ser capaz de decifrar cada parte do seu corpo, apenas sentindo seu cheiro tão gostoso e peculiar.
É sinônimo de paz poder repousar ao seu lado com a certeza de que teremos, desde antes de dormir, os melhores sonhos possíveis. E caso o sono se vá, ainda assim termos a melhor insônia das nossas vidas, porque estamos aqui, você e eu. E porque isso já é suficiente.
->> "Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras, é receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento. Não é sentir contra, nem sentir para. Nem sentir por, nem sentir pelo. Afinidade é sentir com. Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber. É mais calar do que falar, ou, quando falar, jamais explicar: apenas afirmar. Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas. Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram, foram apenas oportunidades dadas pela vida." <<-- (Arthur da Távola)
Senhor,
Dê-nos qualidades morais,
Para que jamais durante esta vida possamos:
01 - Tirar proveito de fraquezas alheias,
02 - Apropriarmos daquilo que não é nosso,
03 - Dizer aquilo que não devemos sobre pessoas,
04 - Fazer algo que não gostaríamos que a nós fizessem,
05 - Jamais desanimarmos quando estivermos a serviço do bem,
06 - Construirmos nossas vidas amparadas em mentiras,
07 - Virarmos as costas aos que mais necessitam,
08 - Pensar que os bens materiais nos garantem,
09 - Vivermos de aparência assim, enganando a nós mesmos,
10 - Esquecermos que apenas a verdade, possui raízes eternas!
