Cores
Tem tempo que os dias deixaram de ser azuis e perderam todas as cores. É que por um tempo eu tinha esquecido o que era sentir falta de mim. Hoje a falta veio, e como sempre silenciosa, disfarçada, como quem não quer nada e me deixa mesmo, sem nada. Sem sonhos, sem desejos, sem amor, sem vida.
Naturalmente me inibo os sentidos.
Produzo sertralina.
Eu quero saber onde é que vamos chegar
Com tanto barulho neste lugar
As cores das ruas a desbotar
Ninguém tem mais tempo para olhar
Promessas de festa e euforia
Que morrem com a luz do dia
Eu fecho os meus olhos e tento entender
O que eles procuram sem nunca se ver.
Hoje o dia amanheceu assim, cheio de cores, umidade, flores e saudades. O sol se erguia lentamente no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados e rosados, como se quisesse aquecer não apenas a terra, mas também os corações que, como o meu, permaneciam frios e nostálgicos. Acordei lembrando meus amores, minhas paixões presas num passado distante, como espectros que produzem lágrimas. As lembranças dançavam em minha mente, figuras etéreas que se moviam entre os raios de luz que entravam pela janela. Senti o perfume das flores que enfeitavam o jardim e, por um instante, a brisa suave trouxe de volta os sorrisos de quem já se foi.
As lembranças são doces, a saudade é uma dor boa, um aperto, uma lágrima que insiste em não rolar. O tempo já passou, mas minha alma ficou encalhada algures, perdida em um mar de recordações. Lembro-me de tardes ensolaradas, risadas compartilhadas e promessas sussurradas ao vento. Cada momento vivido se tornava um tesouro, mas também uma âncora que me prendia ao passado. Num tempo em que o sol da manhã trazia sorrisos e alegria de viver, a vida parecia mais simples, mais leve. Os problemas eram pequenos diante da imensidão do amor que sentia, um amor que pulsava forte e iluminava cada canto da minha existência. Mas, como todas as coisas boas, esse tempo também passou, deixando apenas o eco de sua presença.
Vou te amar para sempre... como prometi um dia, só não sabia que essa promessa era por demais pesada e eu agora sou escravo desta dor de te amar e não te ver. Cada dia é um lembrete da ausência, um lembrete de que o amor, embora eterno, pode ser cruel. A falta que você faz é um vazio que não consigo preencher, um espaço que ecoa sua risada, seu olhar. Não te encontrar e, às vezes, nem lembrar de você é um paradoxo angustiante. Às vezes, a memória se apaga, e a dor se torna insuportável. Outras vezes, cada detalhe volta com força, como se o tempo não tivesse passado, e eu me vejo novamente preso àqueles momentos, como se ainda estivéssemos juntos, como se a distância não existisse.
E assim, neste dia colorido, continuo a viver entre sombras e luzes, entre a saudade e a esperança, sabendo que, embora você não esteja aqui, meu amor por você é a única certeza que me resta.
Será só um ponto nesse emaranhado de cores?
Absorto, invisível, indecifrável?
Percebe-se um ponto de destaque, não é cor que se mistura, sim cor que transpõe.
Na Lei, os mais fortes sobrevivem, no coração os mais humildes perseveram.
_KM_
16/04/2022
Karina dos Santos Megiato
Seus olhos tinham o brilho das cores de uma regueira, seus cabelos como trança de uma beleza exuberante, sua cor negra.
Discriminadas por sua cor azulada, como um diamante azulado poderia nascer uma beleza negra como o reggae em forma de canção .
Seu cabelo ao vento era a paisagem mais bela
Tinha a complexidade de uma Vênus moderna!
Eu estava voando, girando com você por todas as cores do céu. Sem pudor algum, sem nem mesmo ter certeza de se tratar da realidade. Como éramos graciosos! Os pássaros nos invejavam, e o Sol se punha mais cedo só para nos ver. Como eram belas nossas asas, quando éramos ainda leves o bastante para voar.
O mundo tem muitas cores
Abra os olhos para ver
O azul é cor do mar
O vermelho, entardecer
Já o verde é a beleza
É planta da natureza
Que nasceu e vai crescer
Os cores de um olhar
Azul não é a cor mais triste,
A cor mais triste
É a do meu olhar
Quando se fecha
Por não querer enxergar.
Os pássaros não cantam à noite,
As estrelas não brilham de dia,
Porém o coração brande sem cessar,
Assim como o mar,
Que às vezes calmo,
Às vezes feroz.
Em uma ressaca eterna,
Meus olhos admiram
E também julgam,
Sonham e também lembram.
Azul não é a cor mais triste,
A cor mais triste
É a do meu olhar,
Pois tem tons de esperança,
Esperança de um dia estar com quem tanto sonha.
Não se pode brincar com o coração,
Pois é muito fácil se afogar
Nadando em sentimentos,
Em busca de um refúgio
Onde possa me alimentar.
Ouvindo o balanço do mar,
Balançando nas cores do seu olhar.
Entre Sombras e Luzes
Retirei as cores
para que o silêncio falasse.
Deixei a luz tocar a pele da paisagem
e a sombra contar o que o tempo esconde.
Montanhas respiram em tons de cinza,
o mar sussurra sem azul,
as cidades guardam memórias
em cada contraste.
Aqui, o olhar não corre.
Ele para.
Ele sente.
Porque entre sombras e luzes
existe um lugar
onde a alma reconhece
o que os olhos ainda aprendem a ver.
Tchesco Marcondes
O mundo é um brinquedo, cheio de cores, cheio de amor!
Vamos brincar, vamos sorrir
Que hoje é dia de alegria e não de dor.
Eu quero apenas
o direito de pintar meu céu
com as cores
que refletem dos meus olhos;
dançar ao ritmo da música da vida
com minha própria coreografia
e olhar para dentro de mim
encontrando o que há de melhor
e desembrulhar,
distribuindo como um presente
a quem me vê,
me percebe, me sente!
10/12/2015
No palco efervescente do Carnaval, onde risos se misturam com lágrimas e cores dançam ao ritmo da vida, emerge uma reflexão profunda sobre a dualidade da experiência humana. Neste reino de máscaras e fantasias, onde a alegria transborda e os corações se enchem de esperança, também ecoa o sussurro suave das dores ocultas e das tristezas silenciadas. Por trás dos sorrisos radiantes, há histórias não contadas, cicatrizes invisíveis e sonhos adormecidos. O Carnaval, tão festivo e efêmero, personifica a jornada tumultuosa da existência. É um espelho que reflete nossa capacidade de encontrar beleza na imperfeição, de dançar na chuva das incertezas e de abraçar a dualidade que nos define. Entre confetes e serpentinas, entre batuques e melodias, encontramos um refúgio momentâneo, um instante de suspensão da realidade. É nesse interlúdio fugaz que nos permitimos ser quem quisermos, onde nos perdemos nas danças frenéticas e nos reencontramos nas pausas serenas. O Carnaval é mais do que uma celebração; é uma metáfora da vida. Como as marés que sobem e descem, como as estações que mudam, ele nos lembra que somos feitos de dualidades, de contrastes, de luz e sombra. Nesse turbilhão de emoções e cores, encontramos a essência da humanidade, com suas alegrias efêmeras e suas tristezas persistentes. No final das contas, o Carnaval nos ensina a abraçar todas as facetas da vida, a dançar mesmo quando o chão parece ceder, a sorrir mesmo quando o coração chora. Assim, no palco do Carnaval, entre o caos e a harmonia, descobrimos a verdadeira magia da existência: a capacidade de encontrar beleza na dualidade, de celebrar a vida em toda sua complexidade e de transformar até mesmo as sombras em luz.
Ser negro, ser branco, ser todas as cores, é ser a síntese viva da humanidade.
Em cada cor habita um reflexo do divino, e na pluralidade se revela a essência da existência.
O homem é um espelho do universo: múltiplo, mutável, eterno na luz do Senhor do Tempo e da Vida.
Reconhecer-se em todas as cores é libertar-se das fronteiras da matéria e compreender que o ser é, antes de tudo, unidade.
🕊
Talvez a vida não lhe ofereça uma caixa com lápis de várias cores para pintar sua história,pode ser que ela lhe dê apenas um lápis preto ,mas não se esqueça,não são as cores que dão forma a arte mas sim o talento do artista.
Portanto use o seu talento pra pintar sua jornada não se limite se os recursos oferecidos não forem os mesmos ,pois no fim essa pintura chamada vida vida será única e o artista não será lembrado pelas cores que usou ,mas sim pelo impacto que conseguiu causar com sua pintura.
Sempre me assusta o excessivo carregar das cores no quadro exibido, independente da imagem que o artista se propõe a retratar.
O dia se vai, mas a vida prossegue.
O sol se despede no horizonte, tingindo o céu de cores que anunciam o fim de mais uma jornada.
Tudo é passageiro… as dores, as alegrias, os encontros e despedidas.
E, ainda assim, a vida teima em seguir adiante, como um rio que nunca cessa seu curso.
Cada instante carrega em si a promessa de renovação.
O que hoje parece eterno, amanhã se dissolve na memória, dando espaço ao novo que chega.
A vida é feita de ciclos: de partidas e chegadas, de silêncios e de vozes, de quedas e recomeços.
E é justamente nessa impermanência que reside sua beleza.
Porque, mesmo quando tudo parece se perder, a vida insiste em florescer.
Ela nos lembra que cada fim é também um começo,
e que, no ritmo constante do tempo, sempre haverá espaço para esperança, para sonhos, para renascer...
O céu não é azul. As cores que pensara enxergar, não existem. O mar não é calmo. E as ondas com todo seu poder danificam. Tentei escrever algo gracioso, mas o inverso me veio assim sem coerência. ah inverso!... Existes realmente? Ou és apenas circunstância inventada por mim?
Toda primavera se veste de poesia, cores douradas se trocam em contínua negociação, o perfume é singular e o encanto aferventa a alma dos amantes.
Mistura de tons e cores, de músicas e odores compunham recordações mágicas em alguém.
Á memória refinada de um perito, descarta testemunhas ao lembrar que, é outra a fragrância que o condena á lembranças sem leis.
“A insegurança interna projeta-se no mundo, pintando o meio exterior com as cores da dúvida.”
Dollber Silva
