Conversa com as MÃes
Te sentir distante é pior que tudo. Achar que você não quer papo, não se importa ou está ocupado. Ocupado com outra pessoa, alguém mais interessante, menos problemática e estranha, mas que talvez não goste tanto de você como eu.
Que terno! - disse ele do poema que leu, e logo complementou: é um verdadeiro presente que se dá a quem se gosta...
E o diálogo seguiu em forma de prosa em meus pensamentos, afinal, sempre gostara de escrever:
- Seu moço, posso saber porque "tai" rindo tanto feito "tabacudo"?
- "É mode quê" eu voltei pra ca!
- "Mai comé" que tu fica feliz em voltar pra essa terra infeliz? Aqui "num" tem nada de bom.
- Eu sentia falta do gosto da água e do cheiro de barro. "Oia" pra isso: o pasto cresceu. Tem até flor, aí eu catei uma e dei pra Tôinha.
- E é por causa disso que tu tá tá sorrindo? Tu é doido! Lá na "capitá" tu tem tudo...
- Menino, meu tudo é Tôinha. "Num" adiantava muito não. "Mai" sorte que percebi isso logo e ela ainda me queria. "Num" pude trazer nada de lá... Mas essa flor, sim, essa flor ela gostou. Disse até que vai colocar num vaso. Foi lá na feira comprar.
- Tu é doido! Tu é doido João.
- Eu sou doido de amor! Só se for...
Tôinha colocou a flor no vaso e no cabelo também. Se arrumou, passou perfume que João gosta e o chamou para comer.
- Eu trouxe esse CD de "capiba" da "fêra" pra tu. Ainda gosta?
- Não precisava minha, flor!
Não restou nada do cuscuz com galinha e pão que Tôinha fez. Foi tudo tão inesperado. Mal sabia ela que depois de dois anos e sete meses iria rever João. Nunca, nenhuma vez, se falaram depois que brigaram.
Amor verdadeiro não morre, se materializa numa rosa do sertão, num pedaço de pão, num perfume lembrado, num CD que foi comprado. O amor está num sorriso estampado de quem volta feliz para casa, na certeza de encontrar sua amada.
Basta alguém vir com
esse papo de que algo é imperdível...
Para eu mostrar, sem esforço, que abro mão
de todos os imperdíveis deles!
Aprendi que não são só os beijos que trazem o manto da felicidade, e que os corações não precisam estar colados para se ter uma conversa entre almas.
Homem não dá ouvido as queixas que mulher de amigo faz.
Se der esta sujeito a perder o amigo ou morrer.
É maravilhoso quando estamos conhecendo alguém, e por mais bonita que seja essa pessoa, ela se mostre mais do que a aparência já na primeira conversa. É o raro momento quando os olhos param de ser o sentido mais aguçado, e entendemos que há mais complexidade, e apenas ver já não é o suficiente.
Nossa, como as coisas são engraçadas... É óbvio que agora você está muito ocupada mexendo no cabelo, mas sem querer vi uma foto sua aqui e reparei numa coisa um pouco estranha, hahaha. Quando terminar de se auto embelezar me avisa, porque eu tenho uma pergunta pra você...
Deixar eu te falar muitas das vezes Deus encerra o círculo de amizades de uma pessoa, por que ele ouviu onversa que você não ouviu saiba.
Chato é aquele conhecido
quete encontra quando vc
estaatrasado, não para de
falar e quando vc fala:
desculpa agora preciso ir e
ele responde: Eu vou com você
Chato é aquele conhecido que te encontra quando vc esta atrasado e fica conversando demais,
Aí vc fala, desculpa agora preciso ir e ele responde: Eu vou com você.
À TI
Ventura deliciosa é quando,
juntos estamos.
O espaço que nos separa de
algumas horas, parece longo
demais.
Quando enfim estamos juntos,
tudo muda, o carinho que
repartimos um com o outro,o
amor dado, beijos que nos
unem e nos ligam mais ainda.
A conversa que mantemos no
leito, com o passar do tempo,
vai virando um mundo de
carícias e beijos, a busca
pelos corpos um do outro.
Quando a madrugada chega, te
tornas mais meiga, e a tudo
revives até cansar.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista de Letras. R/J
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
Acadêmico da Acilbras - Cadeira - 681
Patrono Comendador Maestro - Armando Caarüara - Presidente
CAUSOS PÓS CORONAVÍRUS 2020
Uma vizinha do meu condomínio interfonou: “-Alô, é o Dr. Jota? Me desculpe, aqui é a Leda do apartamento 122, a gente nunca se falou antes, mas me disseram que o senhor é uma pessoa muito legal. Preciso falar com alguém. Ouvir vozes, pelo menos, já que não podemos nos abraçar.” Pasmo, quedei mudo, por instantes. “Doutor, o senhor está me ouvindo?” Mesmo sabendo do risco, decidi Compartilhar: “-Sim estou ouvindo sim Dona Leda. Fique à vontade para conversar. No que eu posso ser útil?” Mal falei e me arrependi. Soou igual aos atendentes das lojas. Dona Leda prosseguiu: “Posso te chamar de Jota? É mais íntimo...” Vixe. Agora que ela ouviu minha voz (grave, envolvente), vai ser difícil administrar. Mas vamos lá, a causa é humanitária. A solidão é atroz para muitos idosos. Mesmo tendo familiares não muito distantes, a maioria é ignorada pelos parentes. Não é por maldade, apenas cada um tem suas próprias preocupações e prioridades. Poucas pessoas (Anjos de Luz) dedicam algum tempo àqueles mais frágeis, mais vulneráveis. Interessante notar que muita gente faz doações (em espécie ou em dinheiro) para instituições e causas diversas, mas nunca pensaram em saber como vivem alguns familiares menos afortunados. Duvido que vocês não tenham pessoas próximas que se comportam assim. É rápido e confortável fazer doações pelas redes sociais e ou transferências bancárias, sem necessidade de “encarar a realidade”. Tudo bem, sem críticas, somos imperfeitos e cada um faz o que pode. “-Como o senhor está enfrentando esse confinamento? Eu sempre fui “rueira”, desde que me aposentei na Rede de Ensino Pública passei a sair com as amigas, ir aos shoppings quase diariamente, aos cinemas e teatros pelo menos uma vez por semana...” Pensei bem antes de responder, esse tipo de papo é o ideal para profissionais que cobram “por hora”, com pacientes confortavelmente deitados no divã, o que não é o meu caso. Decidi encurtar a conversa: “Dona Leda, foi prazer conversar com a senhora, mas estou com duas panelas no fogão que exigem minha atenção. Podemos falar em outro horário? Legal. Muito obrigado por ter me ligado. Saúde e boa sorte.” Ela foi compreensiva e se despediu, agradecida. E lá fui eu cuidar dos afazeres domésticos, afinal, há muitos anos moro sozinho e é preciso “se virar”.
(Juares de Marcos Jardim - Santo André / São Paulo - SP)
(© J. M. Jardim - Direitos reservados - Lei Federal 9610/98)
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