Contraste
Amoras e Armaduras
Do traste ao contraste,
A presilha prevalece,
No banjo que preenche,
Nossa praxe fortalece.
Seduzimo-nos, afrontamos,
Enroscamo-nos, governamos.
O que nos distancia,
É o mesmo que nos une,
Brindamos blindados,
Na companhia do ciúme.
Adivinhando a sobremesa,
De discussão e amargor,
Entre as beiras da mesa,
Somente a linha do equador.
Um panorama,
Tantas possibilidades
Um soneto que declama
Inquietação, serenidade.
Aceito e recebo
A reunião das loucuras,
Estreito a extensão,
Acolho Amoras e Armaduras.
Azedas e puras,
Quase maduras,
Estão nuas e cruas,
Amoras e Armaduras.
Amizade não é contraste é igualdade, não é subtração é soma, não é inverno é verão e acima de tudo não é cobrança, é um longo caminho de perseverança e inexorável lembrança.
E sorridente ela corre pelo campo verdejante com seu balão branco em contraste com o céu azul anil e com as borboletas coloridas que dançam a sinfonia dos anjos, mas a menina tropeça e cai e eis que um deles entrega-lhe um lencinho para enxugar suas lágrimas e que só ele viu em seus olhinhos brilhantes e nesse instante sua alma retorna e acopla num corpo de mulher. E o balão? - Continua flutuante em seus sonhos infantes.
Minha vida virou preto e branco, tudo é cinza, opaco, sem contraste. Enquanto falam de arco-íris, eu me perco num horizonte desbotado
que nunca vou tocar. O mundo segue colorido, mas eu sou estrangeiro nessa paleta que não me pertence.
O escuro só existe para que a luz alcance seu milagre, é o contraste secreto da alma, a sombra que, como um véu antigo, realça o ouro escondido na essência da verdade.
Na minha cidade de Rodeio
cercada por montanhas verdes,
Deslumbro-me com o contraste
celestial das flores do tempo
com o Pau-Brasil em florescimento,
Agradeço ao Universo pela beleza
do Médio Vale do Itajaí dotado
de abundante encantamento
que reforça todo o pertencimento.
"Foste morto, e com Teu sangue compraste…”
gritam os salvos, com glória e contraste.
De todo povo, tribo e nação,
Deus fez um povo, fez sacerdotes em adoração.
Na maioria das vezes nos preocupamos com o que está longe e esquecemos-nos de nos preocupar com o que está perto, com nós mesmos.
Não somos todos feitos de pedra
ou de aço que o sol endurece.
Há os que nascem de água,
de uma flor que desponta no silêncio,
e não sabem o peso do ferro,
nem medem a força no punho cerrado.
Mas dizem-me que são fracos,
os que não carregam montanhas,
os que não rompem o vento com o corpo.
E eu pergunto:
o que vale a muralha se a raiz cresce em silêncio,
se o vento a toca e ela cai?
Há uma força que não se vê,
uma coragem que não precisa de gritos.
No invisível dos dias,
nas pequenas lutas que ninguém repara,
ali também se ergue o mundo
e o seu peso é suportado
por mãos que não seguram espadas.
O desprezo não lhes cabe,
nem o desdém dos que se crêem gigantes.
Pois no fim,
não são os músculos que seguram o tempo,
mas o coração que, em silêncio,
faz nascer o dia.
Toda escolha implica numa renúncia, como na bifurcação em que o caminho escolhido nos cobra abandonar o outro. Escolher a paz, por exemplo, pode exigir abrir-se mão de coisas importantes, mas que se fizeram menores ao se mostrarem incompatíveis com ela.
Hiperbólicos ou eufemísticos, a vida é fruto de contrastes da união de tudo isso, que nos faz crescer e amadurecer, pois temos que viver e conviver com tudo isso!
Profunda Tirania
Tens o corpo de um deus grego,
Traz a mesma tirania.
Me embriago a teu lado,
Meu ego permanece inflado,
Uso-te como guia,
Entre a loucura e a razão, de minha pura ironia.
Fúnebre e débil recai a noite sobre mim,
O crepúsculo se vai.
Serei eu então honrada.
Contraste existente da lua que me estatela a alma,
Branca como tua pele,
Tensa como quem se entrega a mim que sou tão descuidada.
O pecado está na estrutura e na fundamentação do homem. Para sermos homens precisamos pecar, se alguém nunca pecar, não é homem, mesmo o sábio é um pecador. Existe um constante contraste entre aquilo que o homem é e aquilo que o homem deveria ser. Essa hesitação entre ser uma coisa ou ser outra, em escolher entre o bem e o mal é algo exclusivo dos seres humanos.
(da filosofia de Sêneca)
Assim como aquele que dorme dentro de um barco, durante uma tempestade, percebe a tranquilidade e a paz no seu interior, as ondas agitadas, que batem e lavam apenas o convés de nossa alma, nos tornam mais pacientes e agradecidos por este contraste.
Olhe aonde a polícia bate e mata mais se é em um bairro nobre ou em uma favela...
Olhe aonde está a pobreza e a riqueza...
Olhe aonde predomina a raça Branca e a raça Negra...
Olhe aonde as pessoas estudam mais...
Olhe aonde vivem melhor...
Olhem pra tudo que esta na nossa volta...
Pense e tire as suas conclusões porque as minhas eu já tirei...
