Contexto da Poesia Tecendo a Manha
FANATISMO RELIGIOSO E ATEU
É triste verificar-se que o fanatismo não tem fronteiras! O fanatismo é prisioneiro do contra e cava a própria trincheira no que julga ter de ser o bem do outro; daí criam autoestima gerada pelo sentimento de se poderem autodefinir no declarar-se contra o outro. A necessidade de definir-se, é por vezes tão precária que torna o fanatismo num "bem-comum" de ateus, teimosos e crentes religiosos e seculares!
“Quando Até Deus Se Cala”
Sento no chão...
e o mundo inteiro perde a cor.
Só existe eu,
o silêncio…
e esse vazio que me mastiga por dentro.
O peso nas minhas costas
é de coisas que nem deveriam ser minhas.
Culpa, cobrança, expectativa,
como se eu, só por ser mais novo,
não tivesse direito de cair,
de doer,
de quebrar.
O amor que dei...
foi embora nas mãos de quem nunca soube cuidar.
Me humilhei pra ter migalhas,
e no fim, só ouvi:
“Não é mais pra ser... me desculpa...”
Desculpa?
E depois... silêncio.
Sumiu.
Me deixou refém de memórias que só eu carrego,
sentindo falta de alguém que não sente de mim.
E eu?
Fiquei.
Ajoelhado...
gritando pra um céu que parece surdo,
orando por 37 dias...
e Deus?
Deus não me respondeu.
Não veio um sinal,
não veio uma resposta,
não veio nada.
Só o eco do meu próprio desespero
rebatendo nas paredes do quarto,
nas paredes da alma.
E eu me pergunto:
"O que eu fiz de errado?
Por que sou sempre eu?
Por que até Deus se calou pra mim?"
A cabeça pesa, o corpo treme,
a mente grita:
“Acaba com isso. Some. Desaparece.”
E por um segundo… parece até que seria paz.
Mas, mesmo destruído,
com o peito rasgado e a alma quebrada,
uma voz fraquinha, bem lá no fundo,
ainda teima em sussurrar:
“Se você ainda respira…
é porque não acabou.
A dor não é o fim.
Você não é o fim.”
Talvez… só talvez…
mesmo quando até Deus se cala,
Ele ainda tá aqui,
só esperando eu levantar,
nem que seja rastejando,
nem que seja só pra provar pro mundo…
que eu não vou morrer aqui.
"Refém do Invisível"
Sento no chão, olhos no nada,
o mundo em preto e branco,
e eu… desbotado.
Culpa que não é minha,
peso que não é meu,
mas me jogam, me culpam,
como se ser mais novo
me fizesse de ferro,
me fizesse imortal.
Amei até doer,
me humilhei pra ter migalhas,
e hoje sou refém
de um amor que me acorrenta,
de uma vida que me arrebenta.
Queria sumir, desaparecer,
não pra fugir...
mas pra saber se alguém sentiria minha falta.
Se alguém olharia pro vazio e pensaria:
“Ali existia alguém... alguém que só queria ser amado.”
O que eu fiz de errado?
Por que sempre eu?
Por que meu grito ecoa no nada
e ninguém ouve, ninguém vê, ninguém sente?
Talvez... talvez me atirar no silêncio
seja mais fácil do que continuar implorando
pra existir, pra ser visto, pra ser ouvido.
Mas… entre o abismo e o chão,
talvez exista uma mão.
Talvez exista um recomeço,
talvez, só talvez...
exista vida além do peso,
exista cor além do cinza,
e eu aindanãoenxerguei.
"Refém de Mim"
É madrugada e o silêncio grita,
me aperta, sufoca, me limita.
A cama parece um campo de guerra,
onde o travesseiro é refém da minha tristeza.
Me perco nos olhos que não estão,
no amor que finge que foi ilusão.
Mas eu sei... no fundo eu sei,
que amar não é erro, mesmo se eu calei.
O telefone não toca, ninguém vem,
o peito pesa, ninguém me mantém.
Meu avô luta, minha vó se perdeu,
minha mãe se apoia no que restou... eu.
E o emprego, e a vida, e as contas, e o mundo...
Tudo pesa num segundo.
Queria sumir, ser fumaça, desaparecer,
mas, mesmo querendo, não sei nem como fazer.
Tem dias que penso em ferir minha pele,
como se ela pudesse gritar o que minha alma não consegue.
Mas no fundo, lá no mais fundo,
eu só queria um abraço, um colo, um refúgio seguro desse mundo.
Se poesia é pra curar, que ela me cure,
se é pra salvar, que ela segure.
Que cada palavra seja um sopro de vida,
que me lembre que apesar da dor...
eu ainda respiro. Eu ainda existo.
E talvez... só talvez... isso já seja um sinal de que ainda há caminho,
de que não acabou, e que eu não tô sozinho.
"Ajoelhado no Deserto"
“Não é mais pra ser”...
e essas palavras se fincaram em mim
como faca sem dó,
como prego sem martelo.
“Espero que ache alguém...”
— como se fosse simples,
como se o amor fosse mercadoria,
como se meu coração não estivesse em pedaços
no chão desse quarto sem cor.
E ela sumiu…
e eu fiquei,
ainda aqui,
ajoelhado no meio dos cacos,
orando sem fé,
clamando sem acreditar,
implorando sem esperança.
Dia trinta e sete...
trinta e sete dias de jejum, de lágrima,
de um propósito que virou tortura,
de uma oração que mais parece um grito mudo,
um pedido de socorro que nem sei mais pra quem faço.
E sabe o que dói?
É que eu continuo...
mesmo quebrado, mesmo desacreditado,
eu ainda oro,
porque no fundo, no mais fundo,
tem uma parte de mim que, mesmo desacreditando,
ainda espera...
ainda sonha...
ainda deseja que Deus me escute,
porque ninguém mais parece ouvir.
Eu só queria entender,
se amar foi meu erro,
ou se o erro é ser eu...
"Se Ainda Respiro, É Porque Não Acabou"
Sento no chão...
olho ao redor...
e tudo é cinza, tudo é vazio.
Nem o relógio faz sentido mais.
A madrugada é cúmplice do meu silêncio,
e o peso... ah, o peso…
esse nunca dorme.
Carrego nas costas
culpas que não são minhas,
expectativas que esmagam,
gritos que nunca viram som.
Meu avô luta contra o tempo,
minha vó perdeu a si mesma na tristeza,
minha mãe se apoia em mim…
e eu?
Quem me segura...
quando nem eu me aguento mais?
Amei tanto... tanto...
me humilhei só pra ganhar migalhas de presença,
pra ouvir no final um:
“Não é mais pra ser… me desculpa.”
E sumiu...
como se eu fosse descartável,
como se amar fosse um erro,
como se eu... fosse o erro.
Me tornei refém de mim mesmo,
prisioneiro de sentimentos que só eu sinto,
de memórias que só eu carrego.
E agora oro...
não por fé,
porque ela se perdeu no meio do caminho,
mas por costume,
por desespero,
por medo de que, se eu parar…
eu também desapareça.
Dia trinta e sete...
trinta e sete dias de oração com as mãos vazias,
ajoelhado no deserto,
olhando pro céu e perguntando:
"Por que?"
O que eu fiz de errado?
Por que sempre eu?
Por que a vida insiste em me lembrar
que ser eu nunca é suficiente pra ninguém?
Penso em sumir,
me lançar no nada,
talvez lá embaixo o silêncio me abrace,
talvez… ou talvez nem isso.
Mas... entre um soluço e outro,
entre uma lágrima e outra,
ainda escuto lá no fundo
uma voz pequena, quase apagada,
que sussurra:
“A dor não é o fim. Você ainda respira.”
E talvez... só talvez...
se eu ainda respiro,
é porque Deus não desistiu de mim,
mesmo quando eu já desisti.
“O Peso do Só”
E depois de tudo,
de noites rasgadas no travesseiro,
de silêncios que gritam mais que qualquer palavra,
ainda me dizem:
“É só não permitir.”
“É só ignorar.”
“É só ser forte.”
“É só passar.”
“É só...”
“Só...”
Mas no fim,
quem sobra sou eu.
Só.
Com esse “só” entalado na garganta,
como se fosse simples não sentir,
como se dor fosse botão,
e tristeza tivesse interruptor.
Ninguém vê a bagunça que ficou aqui dentro.
Ninguém sabe que o peito virou campo minado
e cada passo é um esforço pra não explodir.
“É só não pensar.”
Mas como não pensar,
se até o silêncio da parede me lembra
do que eu queria esquecer?
“É só ignorar.”
Mas ignorar o quê?
As vozes na cabeça?
A ausência no olhar?
O buraco onde antes batia um coração inteiro?
“É só...”
Mas esse “só”
é tudo que tenho.
É tudo que me resta.
E a verdade que ninguém quer ouvir:
o “só” deles...
me deixou só demais.
“Era Uma Vez… Eu”
Era uma vez...
o início de uma história
que todo mundo jurava
que ia ter final feliz.
Todo mundo... menos a vida.
Fiz de tudo.
Me entreguei, me dobrei, me quebrei.
Amei do jeito mais puro,
mais intenso,
mais verdadeiro que alguém pode amar.
E sabe o que eu recebi?
Silêncio.
Indiferença.
Vazio.
No fim…
não fui amado como amei.
Não fui escolha,
não fui abrigo,
não fui lar.
A história terminou...
não com ponto final,
mas com três pontos,
de quem fica esperando
uma continuação que não vem.
E eu?
Fico aqui…
tentando entender
como é possível alguém ser tanto...
e, mesmo assim,
não ser o suficiente pra quem mais amou.
Era uma vez...
um amor que só existiu de um lado.
O meu.
“A Resposta Que Veio”
Durante trinta e sete dias...
eu olhei pro céu
esperando uma resposta.
Esperei uma voz,
um sinal,
um milagre.
Mas...
o céu ficou em silêncio.
E sabe o que eu percebi?
Que, às vezes,
Deus não responde falando...
Ele responde enviando.
E me enviou vocês.
Amizades que seguraram meus pedaços,
que foram abraço quando só existia vazio,
que foram colo quando tudo pesava demais.
Se era pra rir,
vocês riram até das minhas piadas mais horríveis.
Se era pra chorar,
vocês sentaram no chão comigo
e deixaram o silêncio falar por nós.
E ali eu entendi...
que, enquanto eu pedia pra Deus me responder,
Ele já tava respondendo.
Não com palavras,
mas com gente.
Gente que ama, que cuida, que não solta.
E talvez…
o milagre não era a resposta que eu queria.
O milagre…
sempre foi vocês.
"Antes do Tempo"
Disseram que era cedo pra sonhar,
que o meu tempo viria — bem mais devagar.
Mas Deus já escrevia, com mãos invisíveis,
um roteiro de fé com marcas incríveis.
Por anos pensei que estava atrasado,
que o relógio da vida tinha me deixado.
Mas o céu não se guia por ponteiros terrenos,
Ele age no tempo que é puro e ameno.
Com dezenove, quase vinte, já sou
prova viva de onde Deus me levou:
um emprego nas mãos, e planos no chão,
um terreno firmado pela fé e visão.
Ergo tijolo com mais que cimento,
ergo promessas, erguidas no vento.
Projetos que gritam futuro e verdade,
sonhos que cruzam a eternidade.
Uma garota ao lado, presente e razão,
ela caminha comigo na mesma direção.
E ao centro de tudo, sem discussão,
está o Senhor, dono do meu coração.
Desejo servir, liderar, caminhar,
ver o Evangelho em cada lugar.
Não sou mais moldado por mundo nenhum,
sou inconformado, com propósito e rumo.
O menino que um dia pensou estar atrás
hoje entende o que o céu é capaz.
Pois quando Deus diz “Agora é o teu tempo”,
tudo que é d`Ele chega no momento certo.
Vermes na pele
O frio do quarto me arrepia.
O som do vento me faz
Se mexer na cama. E cada vez mais
Eu sinto essa claustrofobia
Me levar pra lama...
Não me engana
Essa minha dor, minha agonia.
A pele esquenta, chega a queimar,
E eu sinto o formigamento
Desses tecidos tão nojentos
Entre as carnes se rastejar.
Que cheiro horrível, fedido.
Me faz esquecer que estou vivo
E que vou partir sem nem acreditar.
O meu mundo está virando
De ponta cabeça. E agora
Tenho de agir sem demora
Por que o tempo está parando.
Eu não vou conseguir
Viver assim ou prosseguir
Vejo que estou desmoronando.
Pequenas úlceras cutâneas
Latejam com pus em putrefação.
E nem a minha melhor oração
Irá curar essas dores instantâneas.
Sinto que aumentam os odores,
E esses horríveis fedores
Me sufocam de forma espontânea.
Engulo o pavor que cresce em mim.
Agora os vermes rastejam mais.
Eu continuo gritando alto pela paz,
Desejando que esse não seja o meu fim.
O meu corpo já está se agitando,
E, mesmo assim, com ele lutando
Tudo terminará assim:
Vermes na pele carcomida
Gerando dores que vão mais além.
Enquanto que nada aqui me faz bem.
Vejo meu corpo virando comida.
Com o meu olhar morto
Sinto que já perdi esse corpo
Para essas podres feridas.
No fim o esqueleto jaz no chão largado.
Por fim esqueço que tanto faz ser mais outro sepultado.
Tsharllez Foucallt.
Erupção cutânea
Eu tenho uma ferida
Que me causa repulsão,
E meso quando está limpa,
Ela só exala podridão.
Ela não doi, e nem corrói
Mas eu sei que destrói
A minha bela imagem.
Mesmo eu sendo o herói
Vejo o quanto ela se reconstrói
E quando ela remoi vira sabotagem.
Hoje amanheceu bem pior.
O pus que dela explodia
Me revirava o estômago
Devido ao cheiro que dela surgia.
É pura agonia tratar dessa doença.
Parece abstinência das dores do meu passado.
Revirando as minhas crenças
A torno minha sentença
Devido aos erros do qual já fui culpado.
O médico não quer mais me ver,
E o psicólogo já "arrumou" a sua agenda,
Dizendo: quero que você aprenda
A curar essa moléstia que há em você.
Remédios já foram medicados
Tratados também foram os problemas.
Amarelados como as gemas
Que há nos ovos descorados.
Quando ela escorre bastante
Já sei que a infecção está brava
Mesmo que futuque ou que se lava
A nojeira volta no mesmo instante.
Mas sabes que lá no fundo
O olfato se acostuma com o cheiro!?
No entanto o paladar é o primeiro
A tomar gosto num segundo.
Mesmo vendo o quanto isso é imundo.
Até eu mesmo nem quero mais tocar.
Ainda assim eu quero melhorar
A aparência dessa desgrama,
Essa ferida até que me engana
Está parecendo o pior desse mundo,
Eu só quero que ela suma num segundo
E não deixe nem mesmo uma só grama.
Tsharllez Foucallt
Precipício
Parte 01: bservação do Vazio.
Daqui a vista é bem vista,
E a visão não é mais turva:
Daqui o mundo tem explosão balística.
Só se arrisca quem erra a curva.
O paraíso é como um sonho,
Não exponho os meus medos.
E a dor do abandono,
Já corroeu os meus desejos.
Não quero mais ficar aqui
Mesmo sem ter pra onde ir.
Não quero mais existir,
Mas não quero perder o fim...
Mas não quero me perder no fim...
Não quero que seja o fim!
Enfim... Fique por mim!
Enfim... Siga assim...
Mesmoooo!
Parte 02: Escolha do Ato.
Agora o frio me abraça,
Me enlaça como uma forca.
As minhas forças somem de graça ,
E isso só me ameaça...
Não sei como agir.
Nem pra onde ir...
Mas não quero ficar aqui!!!
Não sei como fugir,
Nem sei como fingir...
Mas não quero ficar aqui!!!
Parte 03: Últimas memórias.
Sinto o vento cortar o meu rosto,
E o meu corpo sem movimentos.
Sinto o meu ar saindo aos sopros,
Absorto nos meus pensamentos.
O meu tempo tá ficando curto,
E não curto essas emoções,
Minhas memórias em curto-circuito
Só aumentam as minhas aflições.
Meu coração lateja,
Na peleja,
E na certeza do meu destino.
Não há incerteza,
Vejo a moleza,
Do meu corpo franzino.
A minha última visão,
Se enevoa por um segundo...
O meu coração,
Bate mais forte,
E a morte,
Será mais que tudo!
Não quero mais ficar aqui,
Mesmo sem ter pra onde ir...
Não quero mais existir,
Mas não quero perder o fim...
Mas não quero me perder no fim...
Não quero que seja o fim!!!
Tsharllez Foucallt
A Sombra Livre vs O Peso das Escolhas
Aquele vazio do lugar
Me mantém aprisionado
As correntes que me grudam lá
Não detém o meu desejo de refugiado.
Sei que estou "acordado",
Mesmo assim o meu corpo falha
Tentando vencer a batalha
Da qual eu já estou derrotado.
A ferrugem corrói as correntes
E meu corpo quase dormente
Grita no fim que devo reagir.
Na minha frente movendo-se em ondas
Aquelas malditas e asquerosas sombras
Querem a todo custo me coagir.
Reluto tentando não desisti
Olhando as pressas muito atordoado.
Todos que ali estão acorrentados
Se esforçam para não me verem insistir.
Eu tento então proceguir.
Vejo o teto como se fosse o véu,
Mas acredito que aquele céu
Não consiga mais me manter aqui.
Ergo o meu corpo decrépito e frágil
Sob os protestos que me acusam de plágio
Tentando sair daquela caverna.
Agora serei totalmente hábil
Cruzando entre eles, serei ágil,
E passarei para a vida "eterna".
Daqui de cima vejo todos moribundos,
E grito que são fantoches projetados.
São como sombras de seres desprezados
Subjugando-se todos a cada segundo.
Criaturas de corpos imundos
Nunca passaram de seres pecadores.
Atacam nas chagas, nas dores,
Rasgando as feridas até aos fundos.
Essa visão me dilacera
Até o coração acelera
E o meu estômago embrulha inteiro.
O mundo não passa de uma grande quimera
Controlado por grandes bestas e feras,
Abusando dos sofrimentos de terceiros.
Há tantas cores que me sufocam,
Gostaria de voltar para lá, dentro.
Até volto, mas assim que entro,
Vejo que as sombras me provocam.
Os olhares que agora elas trocam,
É que gargalham de ironia comigo.
Vendo que agora sou o meu próprio inimigo,
Então mais medo em mim, elas colocam.
Sento, ponho as correntes novamente.
A minha mente quase que inconsciente
Me relembra a minha eterna luta.
Sei o quanto eu fui inconsequente
E agora deitado com o corpo quente
Quero que a morte seja minha última disputa.
Os meus olhos vão se fechando rápido demais.
A sombra que se deita sobre mim me assombra cada vez mais.
Tsharllez Foucallt
Falha natural
Quando ergo os meus olhos é sempre assim.
Tentando melhorar num mundo que está perdido.
Buscando alcançar os meus objetivos, mas no fim
O meu desejo mesmo é de já ter sumido.
A cada passo nesse abismo que me sufoca,
Já me provoca as ideias de partida.
E a visão que tenho logo me coloca
Contra a força que carrego dessa vida.
E nessa despedida eu já fui ligeiro
Sempre o primeiro a sair sem deixar passos.
E no compasso da vida sei que fui certeiro
Por derradeiro eu destrir-me como o aço
Que se aquece na fervura vinda do fogo.
Eu até rogo por uns que sejam mais úteis.
No final essa será a minha logo:
Suportar tanto peso com ideias inúteis.
Medo fútil e pavor crescente,
Que eu consiga romper as correntes
E no final que eu não fique descontente,
Com todo esse ódio que me passa decorrente.
Quando olho pro passado
E vejo o que me persegue.
Ele me alcança logo de leve
Então eu vejo o meu maior legado
Sobresaltado
Posturado
Se tronar algo tão breve.
Mas no fim é assim,
A vida é bela,
E embeleza tudo a minha volta
E por mais que tenha vivido dias ruis
Essa balela
Tem a destreza a qual me revolta.
Por fim volto a deixar os meus olhos fechados,
O que vi -vejo- não valeu de nada.
É melhor me manter aqui, mesmo, parado.
Essa vida não passa de um conto de fadas.
Tsharllez Foucallt
Gota Ácida
Deixei um único copo
Sob a torneira da pia
Que pingava dia após dia,
Até vê-lo cheio pelo topo.
A água que ali transbordaria
Não seria a mesma, é notável,
Pois a cor de aspecto detestável,
Formava um verde viscoso.
E aquele cheiro oleoso
Deixava o copo, já deplorável,
Sem funções e quase descartável,
E, só de vê-lo, dava agonia.
A torneira de metal enferrujado
Fazia um som de assustar,
Pois só em abri-la pra a água pegar
Deixa o cabra agoniado.
O lodo sempre tava lá
Por mais que limpasse todo dia,
A mesma água sairia
Suja e até cada vez pior.
Agora se fosse ter dó
Do cidadão que dela bebia
Eu digo que você até poderia
No lugar dele ali morar.
A nojeira nunca esteve ali
Nos canos, no copo ou na torneira,
Mas sim na água que vinha da biqueira
E que ficava mesmo por aí.
Arrumava todo tipo de tranqueira,
Zé perneta passava o pano
Daqueles que está sujo por anos
Tentando limpar o local.
No fim ficava tudo igual
A maldita ainda continuava sujando,
Parecia até porco quando tá suando
Juntando toda aquela meladeira.
No final dos anos passados
Acabou tudo que tinha.
Tudo que dali vinha.
Não sobrou nem pra contar recado.
Botaram outra torneira novinha,
Trocaram, pia, copo, foi tudo.
Tá parecendo um absurdo
Pensar que o problema era moleza,
E no final com toda certeza
Já parecendo que eu tô maluco,
Ainda continuou escorrendo o suco,
Com aquela cor verde bem clarinha...
Alí trocaram tudo que parecia não funcionar.
Só se esqueceram da biqueira pra mudar.
Tsharllez Foucallt.
Campo de Batalha...
Você acha mesmo que quem viveu no campo de batlha vai falar sobre as flores que avistou por lá?
Ou será mais fácil falar da dores que adiquiriu?
Ou dos rancores que os consumiu??
Os pássaros cantam livremente,
O vento sopra entra as folhas.
O peixes respiram e as bolhas
Sobem para a superfície levemente
O dia começa tão natural
Mas logo muda com um som gutural
Vindo depois do vilarejo.
Todos assombram-se com o Estouro.
Aquele mal presságio vira agouro
E o céu clareia-se num Lampejo.
Faltava mais de meia hora
Para que o dia desbotasse.
O céu sob a mortalha aquece
E o pavor logo devora.
O dia nem raiou direito
Mas o medo pegou de jeito
E foi gritos aos montes.
Serpenteando por todos os lados
Entre as árvores, rochedos e lagos
Saindo até de baixo de pontes.
O iminigo mesmo sendo um só
Veio para cima com tudo.
Parecendo um grande absurto
Tivemos que ataca-lo sem dó.
Um pobre garoto com arma na mão
Gritando e apontando sem direção
Invadiu a nossa base desprevinido.
Hoje sei que foi uma emboscada,
Mas àquela arma mesmo descarregada
Trazia o mesmo mal temido.
O primeiro tiro fui eu quem desparou.
Os outros veio em rojadas.
Voaram miolos e tripas foram jogadas.
Do garoto quase nada sobrou.
Antes de atingir o chão
O seu corpo fez um pequeno clique
E o som desse pique
Reagiu com mais um grande clarão.
Veio então a mega explosão.
Todos jogos no chão
Deixou a nossa defesa aberta.
Passos e balas vinham incontáveis
Com movimentos incalculáveis
Não tivermos tempo de ficarmos alertas.
Corri e me escondi o mais rápido
Enquanto o batalhão se desfazia.
Sabendo que eu de nada podia,
Logo vi que não éramos mais aptos.
Abracei a minha arma com força.
O nó da garganta se fechava lentamente.
E naquele momento a minha mente
Se transformava numa forca.
Quanto eles me alcançaram,
E vendo como me encontraram
Gargalhadas surgiam sufocadas.
A primeira mão que em mim tocou
Aqueceu o meu sangue e o descongelou
Pois a morte seria a minha próxima parada...
Até hoje eu nunca entendi o motivo de termos lutado batalhas que não nos pertencia.
Havia os vitoriosos com suas falhas, mas no fim, àquele canalha de alta patente, vencia.
Tsharllez Foucallt - Pseudônimo de Lucas Cândido.
Vozes internas
O som é de porta abrindo.
Os pensamentos são ratos engaiolados.
Gritos ecoam por todos os lados
E a minha sanidade está sumindo.
Meus medos agora estão sorrindo,
E eu me vejo na obrigação
De sorrir de volta como lição,
Mesmo que isso não seja bem vindo.
Como faço para abaixar a visão
Sem danificar as minhas escolhas.
Como eu devo furar essa bolha
Para que possa buscar outra ilusão.
No fim o mesmo perdão que uso para abençoar os meus inimigos,
Será, para mim, o mesmo padrão que uso para amaldiçoar àqueles que falham comigo.
Tsharllez Foucallt
Considera-se saúde e doença como um único processo que resulta da interação do homem consigo mesmo, com outros homens na sociedade e com elementos bióticos e abióticos do meio. Esta interação se desenvolve nos espaços social, psicológico e ecológico, e como processo tem dimensão histórica... A saúde é entendida como o estado dinâmico de adaptação mais perfeita possível ás condições de vida, em dada comunidade humana, num certo momento da escala histórica... A doença é considerada, então, como manifestação de distúrbios de função e estrutura decorrentes da falência dos mecanismos de adaptação, que se traduz em respostas inadequadas aos estímulos e pressões aos quais os indivíduos e grupos humanos estão continuamente submetidos nos espaços social, psicológico e ecológico.
“Viva e conviva com as pessoas como o jardineiro que não esquece de regar e adubar cada planta. Deixe a luz do sol aquecer seus dias, não viva na escuridão! A melhor maneira para ter iluminação é viver bem com todas as pessoas, aprecie a arte de viver e conviver com o seu semelhante. Somos todos da família de Deus. Pertença à família divina!”
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