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Contexto da Poesia Tecendo a Manha

Cerca de 30107 frases e pensamentos: Contexto da Poesia Tecendo a Manha

UMA FRESTA

Dia de sexta...
Lá vai o menino com a cesta
carregada de prazeres
e dizeres...

Muito bom dia!
Boa tarde?!
Não faço estripulia
não sou covarde
não levo a vida de balde.

Moro em uma palhoça
venho da roça
fui moldado com a verdade
eu sei...

O mundo esta uma choça
mas de onde venho...
Ainda existe dignidade.

No meu rancho
tem terreiro
tem pássaros e um canteiro
tem um sol que me aquece
iluminando...
O mundo inteiro.
Não tenho aresta
testa descoberta
eu vou sem pressa.

O mundo me deve
é uma fresta
e eu passarei
com que me resta.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

AZOS

Com o passar dos anos
os anos passam elevando a idade
e eu emperro meus passos
correndo atrás da vaidade...
Aonde sonhos tornam-se pesadelos
e fim de sonho,
... São dores de esqueleto.

Com o passar dos anos...
O alvorecer dos dias trazem duvidas
e as águas límpidas das lagrimas
escorridas da vida...
São sucumbidas pelo ralo da pia.

Não tenho laço...
Ninguém tem laços,
que pudesse laçar o tempo...
Para que tanta idade...
sem que possa arfar saudável
se não pode pular e correr.

Se eu pudesse, laçaria os ventos
amarraria os tempos
só para ver os sentimentos realizados,
mas como pode essa idade
esse tempo sem pernas
correr assim ... Sim, sim!
Correr, viver correndo
fazer que me leva,
mas que na verdade... Esquece de mim.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

VOLITAR

Essa águia, ah essa águia...
Essa águia tão alada que translada o oceano
nos anos que deságua no olhar de todo plano.

Essa águia e seu olhar...
já me olhou com seu vapor e sabor saborear
sua garras, meu terror suas penas a me açoitar.

Ha, queria a qualquer dia esse olhar o seu olhar
para mirar o poder ver o enxergar como você.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

VELHA MUSICA

Velha musica...
Ritmo do meu tempo
traz até a mim, lembranças
outrora jogada aos ventos.

Recordo-me do seu acorde
que hoje me faz recordar
da minha infância vivida
cifras que atiça, meu sonhar.

No aconchego de jovem vida
seu compasso, foram passos
determinando minha partida
em momentos de abraços.

Quando te ouço me acho
no ritmo desse sentimento
seu fruto a mim foram cacho
que flutua meus momentos.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

VENDEDOR DE CHUVA

Comprem! Comprem! Comprem...
Comprem enquanto ainda a tempo!

Comprem gotas d’águas
eu vendo chuvas molhadas
com partículas de vida para viver.
eu? Eu vendo vida pra você.

Comprem! comprem!
Comprem gotas d’águas
junte-as forme enxurradas
nascentes de rios, ribeirão
e encha de vida
esse seu meigo coração.

Comprem... Comprem chuvas!
Molhem as sementes pra nascer
e o verde para assim crescer
o amor para brotar e florescer
e a flor, para amar você.

Comprem! Comprem!
Compre chuva com esplendor
para assim expor aos olhos
o amor que Deus criou.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

VENDEDOR DE COPOS

Comprem, comprem,
Comprem copos...
Descartáveis, sem asas
Já estão com café, quente
muito quente!
Uma brasa.

Uma brasa derretida
despejada no afago
assolando a vida
causando rococó.

Choque térmico na mão
um gosto pelos ouvidos
o copo caiu no chão...
O olhar ficou estendido.

Olhe o copo,
olhe o copo
cem copos por dez reais
barato assim ninguém faz.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

ANÁLOGO

Com as canoas oceânicas do ontem
flutuando nas águas do agora
estou navegando nas ondas do passado.

Finjo um gosto e no contra gosto
e as vezes mesmo cheio de desgosto
remo no tempo inconformado.

Já estou p'ra lá do meio
creio que o futuro irá mudar
mas a muda não desgruda do arreio.

Então me faço de conformado
mas pelos passos pesados do passado
eu sei, eu sei... O futuro esta condenado.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

TRAÇADO

Para todos os cantos
parecendo encanto,
... Eu tenho um plano.

Mas em todos os anos
solavancos e trancos
todavia, desenganos.

Aglomeram as lagrimas
evapora as pragas
na exposição dos planos.

E ao bater assas
quando voa da casa
lá se vai os tutanos.

Eu tenho um plano...
Um cisco para o ninho
sem lagrimas e jeitinho.

Que sabe se de perto
e na medida da goela
eu decole da terra, tão fera.

É... Eu tenho um plano
tão perto, um reto decreto
desse tempo incerto.

Roedores de tudo
nesse mundo sem fundo
somos todos analfabeto.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

EMBARGO

Tiraram a tampo do meu gargalo
sem força não jorrei ao contrario...

Do desvio partido por inteiro
do bilhete comprado para janeiro
... Para que passagens para o exterior
se tudo por lá, esta, pela hora do horror!

Vamos no voou, voaremos a...
Milhas e milhas de passarinho.

Estamos em nossa casa doutor
.... Para que pagar imposto
se eu não tenho nem um gosto
de ser aqui o seu vizinho...

Tiraram a tampa do meu gargalo
fiquei pasmo, nada de ralo
engasguei com meu entalo
nada d muito reto,
mas no engasgo com seu decreto
... Contratei um advogado.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

VIZINHO AO LADO

O meu vizinho que mora ao lado
Não é tão meu assim
Não conheço o teu viver
e o teu olhar, não pertence a mim.

Teu chorar
comer e sofrer
pesadelos dos seus sonhos,
eu nada sei dizer.

Ouço o disparo do despertador
e como o senhor...
Ele se ausenta na hora matinal
até aos raios do entardecer.

Seu salario, seu trabalho...
Eu nada sei dizer
suas dividas e divisas
seu ganho, mal da para sobreviver.

O vizinho que mora ao lado
Não é menos que eu
nem mais que você.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

VONTADE DE LUA

... Lua, lua cheia
se eu fosse um rato
você fosse um queijo
assim alto e tão alvo
insistente em minha vida.

Com todo esse ensejo
e essa vontade larga
ah, se eu tivesse asas!

Com esse doce beijo
e essa paixão que se propaga
lua, lua...
Eu voava pela noite
ia até o céu e te abraçava
expulsava de ti o dragão
e nunca mais te largava.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

PENÚLTIMA ESTROFE (soneto)

O tempo no tempo passa e apavora
Afobado por mim, vai e, vai acelerado
Acotovela os sonhos, despreza a hora
Caduca a poesia, por aqui no cerrado

Corre tirânico a disputar lugar na aurora
Adormece e acorda sem ser incomodado
No meu contendo, nem por nada demora
Sacode o vento, incauto, segue denodado

Agora, ao redigir está penúltima estância
Percebo o quão eu me faço na arrogância
De achar que a pressa do tempo é desleal

Afinal, o caminho tem estória e fragrância
O tempo vivido, não se mede pela distância
E sim, no amor ortografado, na estrofe final...

Luciano Spagnol
Novembro de 2016
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

ALHEADA

Distraída, distraída....
Lá vai ela pelas calçadas
fingida sem saber de nada,
nas passadas largas da vida
pelas idas, pelas vindas
expandindo toda rima
em sua lagrima caída.

No olhar para o futuro...
Chorar por marcas passada
a cada sonho uma partida,
dardo aos ventos inseguro
aos quatro cantos do mundo
pesadelos difusos sem fundo
nas cismas de outras vidas.

Distraída, distraída...
Flechas alteradas, erradas
papas do ontem... Congeladas
freezer do hoje, uma fada
estão liquidificando a digital
o futuro entrou pelos planos
e os anos todos aos cambal.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

A FILA

Pegue a fila, pegue a senha
pegue a fila pra resenha...

Espere um pouco, no seu tempo
tenha calma sentimento.

Circulação, esta disparada
a hora passa o dia acaba.

Fila esta, com ressentimento
nesse tempo e o momento.

Os dias em fila, meses do ano.
o ano ao tempo e seus engano.

Olhe... A fila é uma onda
que não desanda o firmamento.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

A FREQUÊNCIA

Vou de Fá
E de LÁ, volto de RÉ
O SOL...
Sempre a MI esquentar
Terei DÓ...
SI Deus quiser.

É molécula é frequência
é o movimento do ar,
na velocidade das cifras...
Elementos da agitação,
uma nota um vibrar.

Esta tudo lá, na partitura
um toque, tópico especifico
compasso, timbre um dançar
a letra esta boa... Eu fico.

Antonio montes

Inserida por Amontesfnunes

OLVIDADO

Trepido em suas mãos,
transbordo-me na anciã dos seus desejos...
E atiçado pelas labaredas das suas chamas
me queimo.

Estou ardendo com seu enfoque
não sei mais se vou para o sul ou para o norte
desconcentrei com o pulsar do coração
e me perdi, com a leveza do seu toque.

Tenho que te falar...
Estou tonto, todo no ponto
pronto, para o que você querer fazer
não seja mais um desencanto
saiba que perdido me perco...
E me acho com você.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

DESENCONTROS (soneto)

Saudades nas vontades que se esfumam
No tempo visto com os olhos lacrimejados
Vou-me, assim, nos sonhos debruçados
Dos devaneios findos, antes que sumam

Dores e fantasmas na alma sepultados
São sombras que na frustração abulam
Com vozes que na emoção deambulam
Numa espera tensa de prazeres alados

Nas solidões frias... As carências bulam
Arreliam e se desfazem em enevoados
De refrigério que as futilidades simulam

Então, tento resgatar dos inesperados
Fados, versos que sobram e, engulam
Os desencontros no coração atarracados

Luciano Spagnol
27 de novembro, 2016
03'10", Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

BONECA DE LOUÇA

Boneca, bonequinha moça de louça
Com olhos vidrados de vidro
E seus loiros cabelos de ouro
Te peço se me escuta me ouça
Mas se te olho mudo, calo não falo.

Oh minha boneca linda de louça?!
Não me deixe assim tão infeliz!
Molhe os lábios dessa boca louca
Sossegue essa minha voz rouca
Não me faça a viver como giz.

Sempre com seu semblante branco
Na face, quer dizer, mais não diz
Rosto no jeito feito de encanto
Boneca eu sei, você não tem pranto
No entanto não é assim tão feliz.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes

NÁUFRAGO (soneto)

Devastado pelos medos, a tudo, temo!
E nesta imensidão de negrura sem fim
Os assombros me aterram no extremo.
Donde cheguei e, pra onde irei assim?

Os sonhos se tornaram nau sem remo
O olhar se prostrou no horizonte carmim
Joelhos e mãos postas, de um blasfemo
No caos, o favorável estoirou em festim

Na sorte, o suspiro se fez de supremo
Choro, lágrimas e desespero em mim
É embarcação medonha, e eu tremo!

Oh! Náufrago, de alma sem lanternim
Miserando por um único ato sopremo.
Rogo aos anjos, ter-me ao som de clarim...

Luciano Spagnol
Novembro de 2016
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

MALEDICÊNCIA

Vagando sob sentimentos
me deparo com as mãos
fazendo rascunho do meu eu
... Desenhando letras,
formando palavras
vês e outra...
pintando frases claras
com anáguas de amor,
no breve momento do adeus.

Sigo embrenhando nesse emaranhado,
frisando aqui, frisando ali...
Entrego-me as lagrimas da saudades
que hoje encontra-se...
Calvagando sob trote das lembranças.

Me arrisco aos ventos
e as poeiras dos avarentos e ariscos...
Arrancam-me suspiro, movidos
por sonhos, e esses...
Se expressa nos soluços
das recordações, e flecham-me
com os dardos das solidões.

Antonio Montes

Inserida por Amontesfnunes