Contar Histórias
Mantenho a história de luz de glória
Mas só deixa eu te contar o que eu passei por lá
Mas eu ainda fico impressionado com as coisas da cidade
Aqueles mano se foram chegaram antes se foram
Prá onde foram ninguem sabe ninguem faz
Anos e anos da correria faz leva e traz
Anos e anos da correria faz leva e traz,
Toda história tem dois lados...
Há grandes diferenças nas versões...
Tem quem prefira contar a sua...
Tem quem prefira guardar para si...
Delas podem surgir heróis...
Às vezes o herói não é o mais forte dos lados...
Às vezes o mais forte é quem não contou a sua versão...
Todo mundo precisa de um herói...
A vida é uma história de encontros, desencontros e reencontros, onde nada é uma linha contínua e direta, onde sempre vai existir uma pausa ou interrupção. Não dá pra passar um dia sem uma pausa pra dormir, ou viajar sem uma pausa pra abastecer. Não existe amor que não tenha saudade, nem amizade que não tenha um tempo de afastamento. A vida é um texto, onde sempre deve existir uma vírgula, seja ela colocada pelo tempo ou por uma situação qualquer. Mas o que seria de um bom texto, sem uma boa pontuação? (...)
Foi Charles G. Finney que contou esta história. Ele estava realizando um avivamento em Detroit. Uma noite quando ele ia a entrar na igreja, um homem veio ter com ele e lhe perguntou: ‘É o Doutor Finney?’
‘Sim’
‘Não sei se me poderá fazer um favor. Esta noite quando terminar, quer vir comigo a minha casa e falar-me da minha alma?’
‘Com todo o gosto. Aguarde-me’.
Finney foi para dentro, e alguns dos homens o detiveram: ‘Irmão Finney, o que queria aquele homem?’
‘Ele queria que eu fosse a casa com ele’
‘Não vá’
‘Tenho muita pena, mas eu lho prometi, e tenho de ir com ele’.
Quando a reunião acabou, Finney saiu pela porta. O homem estava aguardando, pegou no seu braço e disse: ‘Venha comigo’. Andaram três ou quatro quarteirões, viraram numa rua lateral, desceram uma viela, e na segunda casa o homem se deteve: ‘Fique aqui um minuto, Irmão Finney’. Ele pôs a mão no seu bolso, tirou uma chave, e abriu a porta, virou-se para o pregador e disse: ‘Entre’.
Finney entrou no aposento. Havia um tapete no chão, uma lareira, uma escrevaninha, uma cadeira giratória, dois sofás e nada mais.
Havia uma espécie de subtil parede divisória ao redor de todo o aposento excepto onde havia a lareira.
Finney voltou-se para trás. O homem estava fechando a porta, tinha posto a mão no seu bolso posterior e tinha tirado um revólver que segurava na sua mão. ‘Eu não pretendo fazer-lhe algum mal’, ele disse: ‘Eu só quero fazer-lhe algumas perguntas. Quis realmente dizer o que disse no seu sermão ontem à noite, isto é, que o sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado?’
‘Sim, Deus diz isso’.
‘Irmão Finney, vê este revólver? Matou quatro pessoas. É meu. Duas delas foram mortas por mim, duas pelo barman numa rixa no meu saloon. Há esperança para um homem como eu?’
Finney respondeu: ‘O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado’.
‘Irmão Finney, uma outra pergunta. Por detrás desta parede há um saloon. É de minha propriedade tanto o saloon como tudo o que está lá dentro. Nós vendemos todo o tipo de licor a quem quer que entre. Muitas vezes tirei o último centavo do bolso de um homem, fazendo padecer de fome a sua mulher e os seus filhos. Muitas vezes mulheres trouxeram aqui os seus bebés e suplicaram que não vendesse mais nenhuma bebida alcoólica aos seus maridos, mas eu as expulsei e continuei com a venda do Whisky. Há esperança para um homem como eu?’
Finney disse: ‘Deus diz: ‘O sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado’.
‘Uma outra pergunta, Irmão Finney. Por detrás desta outra parede há uma casa de jogo de azar, e é desonesta como Satanás. Não há uma roda decente em todo o estabelecimento. É tudo viciado e desonesto. Um homem deixa o saloon com um resto de dinheiro no bolso, e nós aí lho tiramos. Houve homens que saíram desse lugar de jogo de azar para cometer suicídio quando o seu dinheiro, e talvez dinheiro lhes dado por empréstimo, tinha acabado todo. Há alguma esperança para um homem como eu?’
‘Deus diz : ‘O sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado’.
‘Mais uma outra pergunta e depois o deixarei ir. Quando sair desta viela, vire à direita na direção da rua, olhe para o outro lado da rua, e ali verá uma casa de pedras castanhas de dois andares – é a minha casa. É de minha propriedade. Lá estão a minha mulher e a minha filha de onze anos de nome Margaret. Há treze anos fui a New York para tratar de negócios. Encontrei uma bela rapariga. Menti-lhe. Disse-lhe que era um agente de bolsa, e ela casou comigo. A trouxe para aqui, e quando ela descobriu os meus negócios isto lhe partiu o coração. Eu tornei a sua vida um inferno sobre a terra. Eu voltei para casa bêbedo, bati-lhe, abusei dela, fechei-a fora de casa, tornei a sua vida mais miserável do que a de qualquer animal selvagem. Há cerca de um mês, eu fui numa noite para casa bêbedo. Minha mulher de alguma maneira me estorvou e eu comecei a bater-lhe. Minha filha se lançou entre nós. Esbofeteei aquela rapariga, a empurrei contra um aquecedor em brasa. O seu braço ficou queimado desde o ombro até ao pulso. Irmão Finney, há esperança para um homem como eu?’
Finney segurou os ombros daquele homem, o abanou e disse: ‘Ó filho, que triste história que tens para contar! Mas Deus diz : ‘O sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado’.
O homem disse: ‘Obrigado. Muito obrigado. Ore por mim. Eu amanhã à noite irei à igreja’.
Finney foi para casa e tratar dos seus assuntos. Na manhã seguinte, cerca das sete, o homem do saloon saiu do seu escritório e começou a atravessar a rua. A sua gravata estava torta, a sua face estava coberta de pó, coberta de suor e manchada pelas lágrimas. Ele estava cambaleando como se estivesse bêbedo.
Mas voltemos àquele aposento. Ele tinha pegado na cadeira giratória e tinha partido o espelho, a lareira, a escrivaninha e as outras cadeiras. Ele tinha desfeito a parede divisória por todo o lado. Cada garrafa, cada barril, cada banco e cada espelho naquele saloon foi despedaçado e quebrado. No chão o serrim boiava até ao tornozelo numa terrível mistura de cerveja, gim, whisky e vinho. No estabelecimento de jogo de azar as mesas foram despedaçadas, os dados e as cartas de jogo estavam na lareira a arder.
Ele foi até ao outro lado da rua titubeando, subiu as escadas de sua casa, e sentou-se pesadamente na cadeira do seu quarto. Sua mulher chamou a pequena rapariga: ‘Maggie, corre ao andar de cima para dizer ao papá que o pequeno-almoço está pronto’. A rapariga subiu lentamente as escadas. Meia atemorizada, ela ficou em pé à porta e disse: ‘Papá, a mamã disse que o pequeno-almoço está pronto; disse para desceres’.
‘Maggie, tesouro, papá não quer nenhum pequeno-almoço’.
Aquela pequena rapariga não andou, ela voou pelas escadas abaixo: ‘Mamã, papá disse: ‘Maggie, tesouro’ e ele não …’
‘Maggie, tu não percebeste. Vai sobe de novo para dizer ao papá para vir para baixo’. Maggie subiu de novo ao andar de cima seguida por sua mãe. O homem levantou os olhos mal ouviu os passos da menina, abriu os seus joelhos e disse: ‘Maggie, vem cá’.
Timidamente aterrorizada, e tremendo, ela foi a ele. Ele a levantou, a pôs sobre os seus joelhos, encostou o seu rosto ao peito da pequena e chorou.
A mulher que estava em pé à porta, não sabia o que tinha sucedido. Após um pouco de tempo, ele a notou e disse: ‘Mulher, vem cá’. Ele a fez sentar sobre o outro seu joelho, lançou os seus grossos braços em torno daquelas duas almas que ele amava mas de quem tinha tão horrivelmente abusado, abaixou a sua cabeça entre elas e chorou soluçando até que o quarto quase tremeu pelo impacto da sua emoção.
Após alguns minutos, ele se controlou a si mesmo, olhou para a face da sua mulher e para a sua menina e disse: ‘Mulher, filha, vós não precisais mais ter medo de mim. Deus, hoje, vos trouxe para casa um homem novo, um novo papá’.
Na mesma noite aquele homem, sua mulher e a menina caminharam ao longo do corredor da igreja, deram o seu coração a Cristo e se uniram à igreja.
Dentro de cada um de nós existe uma história que precisa ser contada. Intimidade, pois, significa compartilhar nossa história. Isso nos ajuda a lembrar quem realmente somos, de onde viemos e o que é mais importante em nossa vida. Compartilhar nossa história nos mantém sãos.
do livro "Os Sete Níveis da Intimidade"
Os finais são o conteúdo fundamental da minha história. Junto com um final, vem sempre pelo menos uma lição, vem sempre pelo menos uma saudade, e vem sempre aquela sensação obrigatória de que apesar dos pesares, a vida sempre continua. E com os começos? Chegam sonhos, expectativas, e novidades. Com esses começos, só chegam coisas perecíveis. Mas com os finais? Eu ganho muito mais.
Não interrompa uma pessoa que lhe conta algo que você já sabe.
Uma história nunca é contada duas vezes da mesma maneira
e é sempre bom ter mais uma versão.
Se amar fosse fácil eu estaria abraçada com ele, e a letra da música contaria uma história que é a nossa história.
Você se dá conta do quanto é cachaceiro quando cada uma de suas histórias tem um : "Caraca eu tava muio bêbedo(a) nesse dia" ou "Pqp tava chapado(a) nesse dia " tipo " nesse dia eu tinha bebido muitooooo" "Pow esse dia eu tinha enchido a cara "...nada fácil essa vida!
Se hoje eu escrevesse minha história, começaria contando sobre o que é “imperfeição”, e fim. Mas decidi colocar as páginas do livro nas mãos de Deus, Ele escreveu “graça”, sem fim.
…“Naquela mesma noite escrevi minha primeira história…era um pequeno conto meio soturno sobre um homem que encontra um cálice mágico e fica sabendo que, se chorar dentro dele, suas lágrimas vão se transformar em pérolas. Mas, embora tenha sido sempre muito pobre, ele era feliz e raramente chorava. Tratou então de encontrar meios de ficar triste para que as sua lágrimas pudessem fazer dele um homem rico. Quanto mais acumulava pérolas, mais ambicioso ficava. A história terminava com o homem sentado em uma montanha de pérolas, segurando uma faca na mão, chorando incosolável dentro do cálice e tendo nos braços o cadáver da esposa que tanto amava…
… sacudi Hassan, para acordá-lo, e perguntei se queria ouvir uma história…Li a história para ele na sala de visistas, perto da lareira de mármore…Hassan era o público perfeito, em todos os sentidos: inteiramente absorto na narrativa, a expressão de seu rosto ia se modificando de acordo com os tons que a história ia assumindo. Quando li a ultima frase, ele fez com as mãos o gesto do aplauso sem som.
- Mashallah, Amir jan, bravo!- disse ele radiante.
- Gostou? – indaguei eu, esperando sentir pela segunda vez o sabor, e como era doce, de uma apreciação positiva.
Hesitou um pouco , então, como se estivesse prestes a acrescentar algo. Pensou bem as palavras e pigarreou.
- Mas posso perguntar uma coisa sobre a história? – indagou envergonhado.
- Claro.
- Bem…- principiou ele, mas logo parou.
- Pode falar, Hassan – disse eu. E sorri, embora, de repente, o escritor inseguro que havia em mim não subesse muito bem se queria ou não ouvir o que ele tinha a dizer.
- Bem… - recomeçou ele – o que eu queria perguntar é por que o homem matou a esposa. Na verdade, por que ele precisava estar triste para derramar lágrimas? Será que não podia simplesmente cheirar cebola?
Fquei pasmo. Um detalhe como esse, tão óbvio que chegava a ser absolutamente estúpido, não tinha me ocorrido. Movi os lábios sem emitir som algum. Parecia que na mesma noite em que eu tinha aprendido qual era um dos objetivos da escrita, a ironia, ia ser apresentado também a uma de suas armadilhas: os furos da trama. E, entre todas as criaturas do mundo, Hassan é que foi me ensinar isso. Hassan que não sabia ler e nunca tinha escrito uma única palavra em toda sua vida.
As pessoas estão pelo mundo todo contando sua história dramática e como sua vida se transformou por superar esse evento. Agora suas vidas são mais sobre o passado do que sobre o futuro.
- Vovó, conte uma história! - Disse o netinho animado!
Vovó então contou sobre o tubarão que adorava passear nas estrelas!
- Ora! - Disse a mãe da criança. - Isso é surreal, a senhora não se cansa?
- O bom de ser criança é poder voar nas asas da imaginação!
Não somos tão racionais assim
Ah! Olá leitor, chega mais, vou te contar a minha história...
Na minha história não tem príncipe encantado
Na minha história não tem um popular que se apaixona por mim, uma nerd
Na minha história não tem um momento em que eu me transformo e fico linda, e aí as pessoas passam a me notar por causa disso, aí surge um homem lindo na minha vida
Não...
Na minha história não tem um objeto magico que resolve todos os meus problemas
Na minha história não tem aquela ação que vemos em filmes
Na minha história eu não sou vista com respeito, ou valorizada
Não...
Sabe porque?
Porque eu sou negra
Porque eu não tenho dinheiro suficiente para sair esbanjando
Porque meu cabelo não é liso
Porque eu sou mulher
Porque eu não sigo a moda
Porque eu estou fora do padrão
E a sociedade oprime tudo que foge do padrão
Essa sociedade preconceituosa
Discriminativa
Que nos trata apenas como objetos
Números
Estatísticas
E para nossa história, nós, sujeitos desviantes, tem-se um roteiro totalmente escrito e preparado
E o que esperam de nós é que atuemos e sigamos nosso papel, pré-determinado
Devemos seguir o fluxo...Não devemos?!
Ter a vida que esperam que o negro, o pobre, e qualquer um que fuja do padrão deveria ter
Nada de casas chiques
Nada de sucesso profissional
Devemos ficar lá embaixo na hierarquia discriminante da sociedade
Nosso lugar é na base dessa pirâmide
Não é mesmo?!
NÃO!!!
Pois,
Não vão nos calar
Não vão nos parar
Não vão nos oprimir
Somos mais do que aparências
Mais do que números
Mais do que a superficialidade que nos é imposta diariamente
Temos profundidade
Nosso valor vai além do visível
Do palpável
Somos seres racionais
E possuímos alma, sentimos tudo intensamente
E não podemos reduzir nossa complexidade apenas ao exterior
Ao que as pessoas veem
Pois as melhores coisas, só podem ser sentidas...
Então vamos lutar
Lutar contra o sistema
Contra a sociedade
Contra o preconceito
Contra os estereótipos
Contra tudo que nos diminui
E o mais terrível, é que muitas das vezes os vilões somos nós mesmos
Nós humanos
Nós seres tão complexos
Nós que nos dizemos os únicos seres racionais...
Penso que, no fim das contas,
Não somos tão racionais assim!
Todos têm algum sofrimento e, a seu modo, todos podem contar a história de sua própria vida por esse viés; você não é especial por se vitimizar. Ninguém está neste mundo para ser vítima, mas para servir aos outros sem reclamação.
Contar uma história significa levar as mentes no voo da imaginação e trazê-las de volta ao mundo da reflexão
