Coleção pessoal de RosangelaCalza

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Às vezes... assim passo a jornada:

calada
desinteressada
desestabilizada...

impossibilitada
desesperançada
mascarada...

parada
congelada
inanimada...

deportada
abortada
desesperada...

cansada... muito cansada!

WONDERFUL LIFE

mas...

há certa ordem no caos
há jardins pelos caminhos
há flores entre os espinhos
nem todos os dias são maus.

Só quem já ficou sem direção,
consegue dar valor quando alguém lhe estende a mão.
Só quem já sentiu o gosto do fel,
reconhece o sabor do mel.

Só quem já se perdeu,
sabe apontar o caminho.
Só quem já sofreu,
sabe como tirar um espinho.

Só que já se sentiu sufocar,
sente a brisa mais sutil no ar.
Só quem na escuridão já viveu,
percebe quando o véu se moveu.

wonderful life!

Você acredita que as mesmas dores não se repetem
Tenta se convencer inutilmente,
mas elas voltam
de forma diferente (ou da mesma forma...), em outro momento... com outra gente.

Daí você pensa: por essa já passei
vou tirar de letra,
pois o caminho e como lidar com ela
eu já sei.

Ledo engano!
São outras lágrimas...
São outros medos..
e você percebe (+ uma vez) quão é humano...o que É ser humano.

Você já conhece o começo, o meio e o fim
Está na sua memória...
faz parte de sua história... é a mesma dor, enfim!
Mas, a dor é outra,
é uma dor diferente
a que agora você sente...
Por que? Porque envolve outra gente!

Forget the bad days

encha seu coração
de esperança e emoção,
saia pra caminhar,
pelas ruas perambular...
navegue nas ondas do mar,
ouça uma bela canção,
mergulhe,
deixe-se levar...
tome um banho no mar,
sinta o vento soprar,
das flores o aroma no ar...
permita-se bailar.

Lembre-se de que os
dias maus
estão aí pra lembrar,
contrastar,
só assim os dias bons você vai notar...
esperar,
buscar,
encontrar,
aproveitar.

Felicidade escondida,
só partidas...
vidas desunidas..
você sem saída.

E tem de continuar,
despedaçado,
desesperançado,
enganado,
magoado,
traído...

viver assim... faz sentido?

Há dias em que é noite o dia todo.
O sol teima em não aparecer,
o sorriso a não se fazer,
a dor a doer.

As lágrimas anuviam o olhar.
A dor lá só pra te lembrar.
O medo a te sufocar.
O amor a se esconder...
e a vida tem de continuar

Quero ler sua mente!

Ah! nem tente...
você não tem ideia do que vai encontrar.

São labirintos sem fim,
cantos escuros, obscuros...
curvas sinuosas, perigosas,
arame farpado por todo lado!
Você só vai se arranhar.

Mantenha distância...
nem tente se aventurar.
Asseguro:
não sou nenhum porto seguro.

Minha mente: abismo profundo..., no fundo,
impossível decifrar!

Viver bem é bem simples
basta cada um fazer o bem a um
cada um cuidar de um
cada um querer o bem de um.
Não vai haver ninguém sem cuidado algum,
não vai sobrar ninguém,
não vai faltar ninguém,
se cada um cuidar bem de quem lhe quer bem.

... e é Natal... mesmo sem você aqui.
Há uma alegria... triste,
há uma paz... inventada,
há uma dor... mascarada,
desmascarada,
escancarada.
Feliz Natal, meu presente de natal!

Tens vivido?
Tens sofrido?
Tens lutado?
Tens perdido?
Tens procurado?

Sobrevivido...
doído,
ralado,
quebrado,
não encontrado?

Tens desistido?
Tens percebido
que nada na vida faz sentido?

Tens chorado?

Estás vivo então.
Só os vivos têm o privilégio
das tempestades, das dores, dos medos...
até parar de bater o coração.

Azul... assim é a minha vida.
Azul como o azul do céu anil
sem nuvens - límpida... vida de azul colorida.
Azul como o azul do mar
um barquinho a navegar
sabendo no destino o que vai encontrar.
Azul - uma das cores do arco-íris,
azul dos olhos seus
que agora são mais meus.
Azul de tudo azul,
azul de sangue nobre
só o azul minha vida cobre...
Só azul?
Não...
há um cinza que aparece de quando em quando...
como as cinzas de um vulcão.
Vida minha... vida em eterna erupção.

Toda água que se evapora
despede-se com os olhos marejados d'água
beija a orla do céu
viaja...
vai..
e chora.
Desprendida, desprende-se
e volta...
mata a saudades,
e vai mais uma vez embora.

Cuidado comigo,
não sou de fazer amigos.
Cuidado, não sou normal...
sou um doente mental.

Vivo em crise,
sei... a vida não tem reprise...
não vivo bem, vivo mal
sou do meu corpo refém.

Um morto vivo
pelo desconhecido sigo
riscando os dias e as noites
vivo uma vida infernal...
surreal...
mal bem real!!

Presente - fonte de tranquilidade.

O agora é tudo o que você tem
o aqui é tudo onde você está.
Viva o presente
um presente pra você jamais se incomodar.

O passado lá atrás ficou...
você pode até tentar
até o agora o arrastar
mas tudo o que ele vai fazer é lhe incomodar.

O futuro lá na frente está
você pode pra perto querer trazer,
mas tudo o que você pode fazer
é torcer pra (não) acontecer.

Viva o presente
aqui, agora
contente...
deixe o passado no seu lugar...
e o futuro...
viva quando ele aqui chegar.

Passos lentos...
que desalento.
Caminho desconhecido...
corações desunidos.
Cruzando olhos vazios
os sonhos todos por um fio.

Uma cortina se move sutilmente,
os olhos se cruzam suavemente...
nem um, nem outro nega o que sente...
sussurram docemente...
o coração não mais mente.

A solidão,
o desalento,
o frio,
o medo...
tudo cruza o mar...
tudo transforma o verbo amar.


Seus olhos
de toda dor meus olhos despiu
seu passo o meu seguiu.

"A existência é um grande contrato de risco"... li isso em algum lugar.


"Um contrato é um vínculo jurídico entre dois ou mais sujeitos de direito correspondido pela vontade, da responsabilidade do ato firmado, resguardado pela segurança jurídica em seu equilíbrio social, ou seja, é um negócio jurídico bilateral ou plurilateral. É o acordo de vontades, capaz de criar, modificar ou extinguir direitos", diz a Wikipédia.


E contrato de risco é aquele em que o contratante se preserva de toda e qualquer responsabilidade pelo eventual insucesso da negociação, assumindo o contratado todos os riscos (definição também copiada de algum lugar).


A existência é um contrato.... Beleza, mas entre o existente e quem? Você já se perguntou isso? O 'existente' é você... e quem está sentado do lado de lá da mesa? E de quem é a outra assinatura no papel? E quem é o dono da outra vontade? E quem é ou outro (ir)responsável?


De um lado está você.... sim você é certo que está no seu lugar (ou no lugar em que foi colocado... e que você segue pensando que é seu, somente seu). E do outro? Um contrato presume pelo menos duas partes... quem é a outra parte na sua existência, hem?


Um grande contrato de risco... a existência. Qual a vantagem da existência? Se você encontrar 'petróleo', o outro explora e ganha os ganhos decorrentes da exploração? Ou a divisão será pari passu? Se você não encontrar 'petróleo', você paga ao outro pela exploração 'mal-sucedida'?


É, meu filho, isso é um contrato de risco... e se sua existência é um grande contrato de risco, você já perdeu... ou, no mínimo, empatou.


Não importa o que faça, não importa aonde você chegar, não importa nada, na verdade, você nunca estará na plataforma mais alta, no podium.


Se você pensava que no fim seria um vencedor.... sinto muito :(


Contrato, derivado do latim contractus: com- (junto) + trahĕre (trazer, puxar). Mas, no fundo, no fundo, acho mesmo é que você está sozinho nessa coisa chamada 'existência'.

Tudo passa
eis aí a minha amargura,
saber que na vida nada dura.

Tudo é temporário,
horário ou anti-horário,
viver é tão solitário.

O tempo inexorável
não se comove, não cede aos meus rogos e súplicas.
É inflexível, implacável, inabalável.
Da vida remove o não indurável.
e morrer é inevitável.

E isso de ser somente o que se é...
é pouco, não é? Não, não é.

Pois é... você é o que é,
punto e basta.
E o tempo passa e você não gasta.

Você ontem, hoje e/ou amanhã.
Tudo passa, tudo dura.
Tudo igual, tudo diferente...
Nem vem.... nem se reinvente.

Tudo é o que é
e só é o que realmente é...
Queria ser mais, ser diferente? Nem tente...
Você só é o que é: igual e diferente a toda gente.

Complexo de superioridade
compensação neurótica
como resultado de sentimento de inferioridade.

Sente desigualdade quando é pra sentir igual,
sente inferioridade quando é pra entender desigual.
Igual só igual... ninguém é na vida real.
Sim, somos todos iguais, mas cada um é também desigual.

O planeta não é um ovo,
em cada canto há algo novo.
Nada de superioridade
apenas entender e aceitar a própria exiguidade...
diante de tanta variedade.

Além disso, lembrando Foucault, eu diria...
superioridade sente aquele
que "o sangue seco nos códigos" negligencia.

Cada palavra um novo sentido
o dito explícito
o dito implícito.

Cada palavra uma arma, uma armadilha...
um novo contexto,
um novo sentido, ensina a cartilha.

Ao sentido ontem dado
hoje um novo sentido é agregado.
Ao que ontem foi falado
no hoje tudo pode ser mudado,
e qualquer pré-sentido pode ser negado.

Cada palavra fluida, dinâmica, complexa,
ao contexto um novo sentido empresta.
Um pequeno 'equívoco' na expressão,
e o sentido muda de direção.