Coleção pessoal de RosangelaCalza

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E ele chegou todo sentido
havia lido a teoria do sentido
e percebera que a vida é fluida,
qualquer leve vento
e ela muda de sentido.

Nada mais fazia sentido.

Em tudo há uma gama ampla de sentidos,
mesmo no que ele nunca havia sentido.
Em cada palavra que pronunciara
um novo sentido se anunciara...
a cada dia tudo novo ficara.

Um novo dia se anuncia
e anuncia um novo dia, um novo dia, um novo dia...
até chegar o fim e acabar com sua alegria.

E ele foi embora ressentido,
magoado, desiludido...
Viver cada dia com um novo sentido,
esquecer, na morte, tudo o que havia sentido,
não... nada mais fazia sentido
morrer depois de tanto haver vivido.

Quando você chegar
já vai me encontrar dormindo.

Quando você chegar
já não vai mais me ver sorrindo.

Quando você chegar
já vai me ver partindo...

Quando você chegar
vai desejar não ter vindo.

O que quer dizer diz.
Não se esconde atrás do silêncio
aquele que quer algo dizer...
diz e é feliz.

O que quer ser feliz diz.
Diz o que o faz feliz
não se esconde atrás
do que não diz...
não perde a felicidade por um triz.

Então... diz!

Tenho uma alma peregrina,
alma de menina...
qualquer vento suave
acorda-a e a anima.

Tenho uma alma rara,
alma estranha, excepcional...
nada a detém, nada a cansa,
nada a desanima.

Tenho uma alma que a ama a vida,
alma nômade, errante...
continua... sempre viva,
sempre em busca do próximo instante.

Queria ser diferente
irradiar paz, alegria a toda gente...
Queria ser a força sempre presente,
queria ser como aquele que não esconde o que sente.

Queria ser humilde,
aceitar a mão...
Queria...
aceitar facilmente todos os nãos.

Queria
dar a mão
pra quem precisa de ajuda e direção.

Queria, num estalar de dedos,
mandar embora todos os medos.

Ir por aí...
você sempre tem essa opção...

ou não.

Subir a montanha mais íngreme,
descer ao vale mais profundo,
chegar ao topo do mundo,
cair no buraco mais fundo,
sair... ou não.

Você sempre tem mais de uma opção:
não ser igual a todo o mundo...

ou não...

Ir por aí
sem plano, projeto,
sonho... ilusão...

viver sua vida
... ou não.

Ninguém sustenta o personagem
do começo ao fim da viagem...

um momento de distração
e lá se vai a máscara ao chão...

um instante de tensão
e somem as falas do personagem...

um átimo... um esquecimento
e lá se vai o que não se é ao vento.

E o quase....
e o talvez,
pode ser?
se Deus quiser
o talvez vai acontecer
e o quase vai aparecer

A convicção do não
faz você sofrer?
O não só mostra
o que você tem de deixar de querer.

A convicção do não
é bênção, não maldição.
A sua simples menção
faz doer seu coração?

E o sim...

Sempre tudo bem pro sim?
Nem sempre pra mim...
há sins que incomodam
se não no começo, no fim.

Talvez.... tudo isso
seja só o que você merece.

E se eu chorar...

No choro ou na alegria
vou só agradecer
em cada um deles
tenho muito a aprender.

E se eu chorar...

Não importa
se tudo deu certo
ou se deu errado...
foi o melhor
do seu melhor...
sempre poderia ter sido pior.

Não insista,
não siga pelo caminho
em que nada encontrou...
construa outro
nem que nele você esteja sozinho.

A felicidade existe sim
vai por mim...
se você ainda não a encontrou
é porque o caminho errado tomou.

Mude a direção
vá contra o vento,
contra a maré...
ande pra frente,
ande de ré...

Não insista...
mude outra vez
e se a felicidade
você não encontrar...
não custa nada recomeçar...

again... and again... and again :)

Solidão...da humanidade natural condição.
Solitária toda pessoa... do mundo afastada
dentro de si fechada...

Uma redoma,
uma cabana,
um deserto...
só, sem ninguém por perto.

Um viajante solitário
refugiado, isolado,
na natureza morta
encontra um teto,
sente-se abrigado.

Abandonado de todos
segue o solitário...
atarefado
pra não se sentir tão abandonado.

A incerteza é fatal...
remédio mortal...
veneno total.

Talvez,
quem sabe,
pode ser,
não dá pra dizer.

A neblina me fascina
só se muito fina.... muito fina.
O nevoeiro denso me alucina,
me faz perder a direção,
o senso, o uso da razão.

Incerteza é a única certeza da vida...
o resto... bem, o resto é tudo ilusão.

Incertezas...

de onde vim?
pra aonde vou?
por que estou onde estou?

Incerteza... falta de conhecimento a priori da minha situação...
Que confusão!

Qual será meu próximo passo?
Alguma coisa será resolvida?
As coisas apenas continuarão?
Enfim, como é feita a vida?

A certeza me fascina,
me alucina, me deslumbra,
me encante e me seduz
nada na penumbra...
tudo na luz.

E ele se foi
assim como veio...

partiu...
partiu-me ao meio

uma parte ficou
a outra com ele levou

sem se importar
com o que deixou...

Partiu...

Sepultei? Não! Pra sempre enterrei
bem enterrado
no buraco mais fundo
um amor maior que o mundo.

Cobri-me com um preto véu,
desci a ladeira
num passo lento,
joguei suas lembranças ao vento...

Um corpo na cova,
como se fosse desova
de quem não serve pra nada mais...
com o corpo foram-se as provas
de um amor que não se fez jamais.

Enterrei... enterrado,
coberto de terra
um cadáver...
um mau cheiro exalado.

Despreze-me!

Sim, se for homem que se preze,
despreze-me...

Jogue-me ao rio,
jogue-me flores,
sou um brinquedo,
um espaço vago,
no espaço vago...

Não, não se desespere,
nem espere compaixão...
sou um surto de loucura
à procura
de um louco um pouco mais louco
que me execute
e diminua minha dor.... ao menos um pouco...

e
seja um louco com coração.

Vago

por entre espinhos e flores.

Divago

e vago nas sombras...
borboletas azuis
voam em minha direção...
Espanto-me que algo
ainda de mim se aproxime.

Sou puramente chagas,
feridas doídas
e as borboletas jogam sal

é... elas também me querem mal...

Despeço-me agora...
vou embora.

Em boa hora dirão alguns
não vá embora dirão outros.

Degradada, desamparada
aniquilada... não sou mais nada.

Entristecida com o que me presenteou a vida
magoada com quem me tirou a vida.

Despedida...

é de lágrimas e dores
que são feitas as partidas.

Meus passos...

Sigo de passo em passo
às vezes, não passo.

Passos longos
nas tempestades
apagados pela chuva,
pelas ondas,
pelo vento
lá longe ficou meu tormento.

Passos curtos
nos dias ensolarados
riso escancarado
felicidade
curto
cada passo dado.

Passos solitários
um depois do outro
só um
sem o outro.

Passos vagarosos
cansados
caminhos dispersos
só prosa...
sem cantos... sem versos.

Passos aqui... outros ali
por aqui e por aí
ao acaso
descaso
pegadas da vida
não encontro nenhuma saída.

Se não consigo da vida correr,
o único jeito é viver.