Coleção pessoal de RosangelaCalza
Perambulando... por aí,
por caminhos conhecidos,
já trilhados, já sorridos, já sofridos.
Perambulando... pela vida
completamente desafeiçoada, desapegada,
seguindo dos outros as pegadas.
Caminhos já percorridos,
de outros distiguidos,
caminhos vividos,
caminhos morridos.
No fundo da sua alma,
bem lá no fundo,
nos porões habitados por fantasmas do ontem,
rebelião, revolução, sublevação, sedição...
ou
paz, harmonia e calma?
No fundo de sua alma,
lembranças mais agudas aninhadas, acomodadas, ajustadas..
No recôndito do seu coração,
é guerra... é paz...
é devaneios... é imaginação...
Ou você ainda vive em mais pura indefinição?
Medo tem explicação
é puro instinto de proteção.
Pode traduzir pavor ou insegurança...
na falta de segurança.
Quão seguro está você do seu amanhã?
Quão tranquilo está você em relação ao seu futuro?
E o medo vem
como consequência
das suas inconsequências...
Pulverize o medo
enfrente o medo sem medo.
Ter medo é bom
significa que ainda há alguma coisa em seu coração.
O silêncio, às vezes, soa assustador pra mim...
Como escutá-lo?
Como interpretá-lo?
É um não ou é um sim?
Sim, sim... eu sei o valor do silêncio.
Pra que errar se se pode evitar?
Pra que falar se se pode calar?
Pra que magoar se se pode resguardar?
O silêncio... estratégia inteligente
de muita.... muita gente.
Medo do que está por vir,
do desconhecido,
do a ser vivido,
do a ser esquecido...
Medo do que me espera,
atrás das portas,
nas próximas curvas,
destas vias tortas...
Medo do já vivido,
doído,
do não esquecido,
do desaparecido...
Medo do que passou...
mas medo... mesmo...
de pra onde eu vou.
O medo de assumir
acordou nele a necessidade de evitar confrontos.
A cada nova situação,
ele se amoldava,
se reinventava,
se modelava...
A cada nova situação
mais parecido com nada ficava...
Só
Solidão...
Vazio... sem sentido,
não ser querido,
só e só meio coração.
Solidão...
só desesperança...
Janela aberta
quem espera sempre alcança?
Solidão...
só sem companhia
perdido na multidão.
Solidão...
calma.... respira e se acalma
na multidão
há um
que preencherá o vazio da sua alma.
Quem busca... encontra
identificação
e a sensação de estar completo o coração...
Só quem busca
deixa de ser só...
A cada manhã quando o relógio crava o início de um novo dia...
rostos desconhecidos
endurecidos...
caminhos não percorridos
não conhecidos.
As curvas que a vida faz
e o tempo desfaz.
a cada passo um novo compasso.
E o relógio tic-tac... tic-tac...
a cada novo dia,
todo o dia,
dia a dia.
sem tempo pra nostalgia...
só incerteza nas tramas que enredam
um dia depois de outro dia... de outro dia.
... todo dia.
Despeço-me aqui...
é hora de partir.
Sem bagabem,
sem lembranças...
só o que me acompanha é um fio de esperança.
Espero encontrar o que quero.
Espero amar o que encontrar.
Espero que qualquer lugar
seja o meu lugar.
Seguro o fio fortemente
vou deixando escorrer lentamente...
um pingo aqui, outro ali.
Se um dia eu quiser voltar
quero encontrar o lugar de onde parti.
... de pingo em pingo
eu vou me guiar...
e
saber voltar :)
Parada... feito morta.
Cansada... das vias tortas.
Triste... com a solidão.
Parada...sem coração.
Parei de querer amar,
parei de querer ajudar,
parei de querer meu ombro dar,
parei de caminhar.
Parada... feito morta.
Morta feito morta...
... e alguém se importa!?
Tudo o que sei
é que nada sei.
Tudo o que planejei
sonhei, busquei
foi como fumaça no ar.
Agora vou parar,
sem planos,
sem enganos...
sem sonhos,
sem pesadelos,
sem buscas,
sem desencontros....
quem sabe assim (des)encontro...
ou sou (des)encontrada?
Sei, sei... comigo é tudo ou nada!
"Estou feliz...
Sim... feliz...
você me trouxe o amor que eu tanto quis.
Tal qual andarilho
andava eu pelo mundo...
quase como um vagabundo...
Mil lembranças a me sufocar
só queria de tudo me livrar...
caminhar, caminhar e caminhar...
encontrar guarida em algum lugar...
Na minha vida só conhecia partidas
os bilhetes eram sempre só de ida,
eu só vivia despedidas...
Até você comigo cruzar
em uma rua deste mundo
você me mostrou a saída.
Agora voltei pra ficar... encontrei em você o meu lugar."
Foi isso que ontem eu ouvi....
e agora o que faço?
Abraço!? Ou faço de conta que não entendi!?
E o sol continuou a brilhar e a se apagar...
o vento continuou sua lide de soprar...
as estrelas a bruxulear...
as ondas do mar a vir e a voltar... pro mar.
O mar a nos separar...
o tempo as lembranças a apagar
a distância...
não foi o suficiente tudo na rotina continuar...
Você se foi pra nunca mais voltar...
era o combinado, lembra?
do outro lado sua vida levar...
e você voltou porque era pra voltar...
Por que era pra voltar?
Tic-tac... tic-tac... tic-tac
o tempo passa...
nas minhas mãos a decisão...
razão ou emoção?
Você pediu pra voltar,
jurou que aqui é o seu lugar,
o invisível nas dobras da certeza,
sobreponho imagens do presente e do passado,
recomponho as paisagens...
e lamento, nelas de você só há miragens...
falsa realidade, ilusão, sonho, quimera...
I'm sorry for you... not sorry for me...
Sorry.
Será que tudo tem de passar pelo crivo da razão?
Será que emoção não pode ser apenas emoção?
Quem entende das coisas do coração:
a razão ou a emoção?
Encruzilhada
agora é tudo ou nada
emoção embota a razão
a razão chama a si a emoção.
Que faço?
Passo?
Desfaço?
Sigo o compasso?
Sumo.... e não deixo traço?
Onde há amor ele vai segui-lo por onde você for...
onde não há, é um favor, quando você se afastar.
Um favor pra você
que vai evitar de sofrer,
de fazer sofrer
e de ter muito pra se arrepender...
Onde há amor é bom ficar,
colorido fica o lugar
ameno o ar pra respirar
e dá vontade de nunca mudar.
Onde não há amor
há dor
há medo
há segredo...
E segredo é tão difícil de guardar...
Então, se onde você está amor não há,
que tal sair pra procurar!?
Não há pior solidão do que estar só na multidão...
e ela não se dá conta de que o Universo é tão imenso e a vida tão curta.
Então, digo eu, curta... e ela me olha com olhos de solidão
e eu... com um gosto amargo no fundo da garganta,
querendo que ela encontre algo que paz lhe garanta,
grito: é preciso acreditar que depois do fim há algo a lhe esperar...
curta sua vida tão curta,
olhe devagar para cada coisa,
acredite, tudo um dia vai acabar...
então curta sua vida tão curta.
É preciso acreditar que depois do fim há algo pra viver...
pra não enlouquecer.
Um diamante...
Isso mesmo, no meio dos cascalhos
um diamante.
E você não viu,
ou fingiu que não viu,
ou não teve tempo... pra ver
porque um diamante não salta aos olhos
você precisa parar e olhar...
Às vezes tem até que procurar pra encontrar...
tão escondido está... num canto
solitário vendo a vida passar.
Mas nesse seu mundo corrido, não há lugar pro colorido, pro brilhante...
só há cascalhos... preto e branco... todos os tons de cinza...
Cuidado, quando você se der conta
talvez não dê mais tempo... parti e você nunca mais me encontrar.
O maior desafio do mundo:
encontrar a alma gêmea numa multidão de almas...
Esbarrando aqui,
tropeçando ali,
se enganando acolá...
Onde é que tu estás?
Alma gêmea...
Pensei que estavas perto
mas já atravessei desertos.
Pensei que me encontrarias
mas já percebi que de mim nada sabias.
Pensei... só pensei... que eras tu - parecia tão certo
mas tu disseste que não me querias...
Fazer-te me encontra é desafio maior
alma gêmea... precisas de um guia?
E você se foi...
e a paz encheu meu coração,
e os meus olhos estão tão descansados agora que você foi embora.
E alguém me disse que você está pensando em voltar...
só pode ser brincadeira... depois de tudo o que fez, bem longe deveria ficar.
Se você voltar não vou mais perdoar,
cansei de ser um brinquedo feito só pra você brincar,
magoar,
desrespeitar,
caçoar,
enganar.
Vamos combinar?
Se você voltar.
faz de conta que não vê
toda vez que o seu brinquedo cruzar por você...
pode ser?
