Coleção pessoal de RosangelaCalza
Quero a clareza do pensamento
não apenas por um momento
chega de acordar num eterno tormento...
Vento.... leve as nuvens que me confundem
quero desanuviar minha mente,
quero andar livremente...
só quero o que é certo
só o certo por perto.
Vento... leve a confusão
cansei de ser confundida,
de não ser entendida,
do implícito... do não dito...
do mau dito.
Vento... carregue a cerração
que cerra os olhos e o coração.
E você:
entenda os sinais,
leia os escritos,
ouça os ditos.
Veja bem, amore...
a morte é o maior dolore.
Vencido
Também falhei em tudo
quando tinha de falar, meu olhar ficou mudo...
quando tinha de fingir,
meu corpo foi incapaz de sorrir.
Quando o amor encontrei
fiz de conta que nem notei...
quando ele partiu,
só por dentro chorei.
Falhei,
hoje estou vencido,
não sou nada,
nunca fui nada...
estou mais do que convencido
de que Deus me criou pra nada.
Há dias que é noite toda
Há dias em que
o sol teima em não aparecer
as lágrimas, a escorrer....
A dor... está lá só pra lembrar
que a felicidade brinca de se esconder.
Mas... sua vida tem de continuar...
E você, magoado, enganado, desesperançado,
sabe que não há saída
àquele dia que teima em ser noite tem de se acostumar... simplesmente aceitar,
nem adianta não querer acordar.
Sua vida não pode parar!
Se o desepero é uma doença
estou tramendamente doente,
desde que me conheço por gente.
Caminho por caminhos íngremes,
todo dia é um grande esforço,
manhãs árduas, tardes sofridas
noites não dormidas...
Enlouqueço devagar..
ando por aí...
continuo a vagar...
E a vida
dia após dia
a me matar.
Entre seus olhos e os meus
Seus olhos os meus evitam,
os meus, os seus.
Meus olhos os seus procuram,
os seus... os meus.
Dos olhos meus
a palavra não dita grita,
insiste em aparecer,
e entre nós fica.
Nos olhos seus
o não dito está escrito...
meus olhos os seus olham
e fingem não saber ler.
Retrato de uma guerra...
Uma cidade sem ruas,
uma rua sem casas,
uma casa sem família,
uma família sem mãe,
uma mãe sem filhos,
sem filhos e sem mãe.
Um corpo caído,
moído... sofrido.
Um corpo sem braço,
um braço sem mão.
Falta de espaço,
falta de ar,
um tiro no coração.
Uma cidade,
uma rua,
um homem,
sem sol, sem lua...
apático...
sobreviveu porque foi prático.
Do que sinto falta?
Sinto falta de paz,
do calor que o Sol traz.
Sinto falta dos dias
em que qualquer bobagem fazia minha alegria.
Sinto falta de acordar
e não ter problemas pra enfrentar,
lutas pra travar,
obstáculos pra superar.
Sinto falta
de nada me fazer falta,
de um dia leve passar,
de nada em meu coração pesar.
Sinto falta
do dia passar sem sentir falta.
Ah! que falta que você me faz.
E a vida vai seguindo seu rumo
e você procurando manter o prumo.
E a vida vai ensinando
que se aprende acertando,
que se aprende errando.
São linhas quase retas incertas
e linhas curvas em curvas...
surpresas depois de cada curva.
Por linhas coloridas vai seguindo a vida
matizes as mais divertidas.
Não é só preto no branco,
nem só branco no preto.
Uma aquarela pra deixar mais bela
um risco preto,
um erro, um acerto,
um risco branco...
nenhuma vida é uma folha em branco...
nem uma reta...
nenhuma seta.
Todo o mundo perdido,
mundo sofrido
na dor caído.
Todo mundo privado de paz
tem de fazer o que é incapaz.
Todo mundo vencido,
na dor caído...
caminhando na escuridão,
seguindo as batidas do coração.
Agora meus olhos cansados vou fechar
vou dormir, dormir e dormir.
Por favor, só me acorde quando tudo acabar.
Há pessoas sem alma,
sem calma,
sem vida,
sem volta, sem ida...
Há pessoas assim,
perto de você,
bem perto de mim.
Há pessoas que são anjos,
verdadeiros arcanjos.
Com elas por perto,
todo caminho vira certo.
Só de tê-las por perto,
qualquer alma se acalma.
Pessoas assim fazem a vida valer a pena.
São almas iluminadas...
a escuridão das trevas são por elas apagadas.
Com luz própria vão seguindo,
estão sempre sorrindo...
indo e vindo,
pra elas não há distância,
o nosso bem tem total importância.
Ontem chorei mais uma vez...
Cansada de lutar,
parece que é sempre contra a maré.
Cansei de esperar,
parece que o tempo por sua própria conta
resolveu estacionar.
Cansada de pensar
e a nenhum lugar chegar.
Cansada de planejar,
e de plano em plano
ver tudo ir pelo cano...
Escaladas desorientadas
que não acabam mais...
quando parece que acabou...
não importa... brisa ou furacão,
lá vou eu de novo pro chão.
Cansada deste mundo imperfeito
nada feito... tudo a se completar.
Vou me mudar
um lugar sem céu e inferno quero encontrar.
A vida continua...
no alto da mais alta montanha,
no mais profundo vale,
no meio de cada rua.
E a vida continua
no silêncio da dor,
no calor do verão,
num grito de amor.
E a vida continua
segue sua lida,
seu seus planos,
segue por toda a vida.
Vivendo... ainda estou aprendendo.
A vida ensina
ser paciente,
estar contente,
ser independente...
independentemente
da vida,
das pedras no caminho,
das rasteiras,
de se estar completamente sozinho.
Vivendo... a vida inteira...
respira,
você tem uma vida inteira
Madalena!
Atire a primeira pedra,
seja o árbitro,
seja o juiz
marque, marque forte
ou indelével como o risco de um giz.
Dê o veredito,
pronuncie a sentença,
julgue o dito e o não dito.
Convença.
A falha,
o erro,
aponte o dedo,
não tenha medo,
pode me criticar...
Não sou a primeira nem a última Madalena
que por este mundo vai passar...
Mad... bad... sad.
Escravidão...
Que montanha você tem que escalar?
Que deserto tem de atravessar?
Que peso tem a cruz nos seus ombros a arrastar?
Que amigo você tem pra lhe ajudar?
Todo mundo precisa seu próprio hoje viver,
todo mundo precisa de um empurrão,
todo mundo precisa reconhecer
sua incapacidade de encontrar sozinho a solução.
Todo mundo
chega um dia ao fundo...
mãos atadas,
alma deseperançada...
todo mundo...
desde que o mundo é mundo.
Mais que um amigo,
um irmão
só Jesus pode lhe dar a salvação
mas nem todo mundo deixa de ser do mundo...
nem todo mundo recebe libertação.
Crescer é desenvolver-se
aumentar de tamanho, altura, largura,
comprimento, intensidade.
É o que diz o dicionário da ABL
com toda a sua autoridade.
Evoluir é transformar-se gradativamente,
avançar aperfeiçoando capacidades,
desenvolvendo potencialidades...
ficando cada vez mais gente.
Crescer é só ficar maior.
Evoluir é ficar melhor.
O que é que demora, machuca, dói, esfola...
e faz da vida uma escola?
Dor... quem já não a sentiu? Ela vem, é inevitável.
Ela aparece quando você espera, quando menos espera... quando não espera.
Chega devagarinho ou como uma tempestade... simplesmente chega.
Invade sua alma (pior) sem pedir licença, se apossa de todos os seus momentos.
Você suplica que ela vá embora... e ela surda toma conta de todos os cantos.
Transforma-o em caquinhos, às vezes tão minúsculos que você tem a impressão de que jamais poderá juntá-los.
O tempo passa e você nota que tem de continuar... e continua de qualquer jeito... cola aquilo em que você se transformou... porque em pedaços fica muito difícil continuar... você precisa estar inteiro.
Inteiro... de qualquer jeito, mas inteiro.
Por ser de qualquer jeito, alguma coisa não se encaixa, ou fica fora de lugar, ou fica faltando... (na pressa, você esqueceu algo por aí, em algum momento).
Como não quer lembrar de onde deixou... não volta.
E lá vai você... com as cicatrizes fazendo-o lembrar continuamente.
Eu e a dor
Sei que vem... não me importo que venha.
Pode vir... vivo-a, sinto-a, aceito-a.
Ela me derruba, me arrasa, me sufoca, me estraçalha... me transforma em pó.
E eu deixo...
Espero um pouquinho (ou um pouco mais... depende do dia, depende da dor).
Daí começo... lentamente... devagarinho... bem devagarinho... a colocar tudo no lugar.
Vou juntando, vou moldando (virei pó, remember?).
Tudo calmamente, com doçura... tranquilamente.
E o tempo passando... e eu me moldando.
Sem cicatrizes... estou diferente, mas sem cicatrizes... simplesmente eu mesma.
A mesma que era antes da dor, diferente da que era antes da dor.
Sigo adiante... pronta pra outras dores...
Ah! E já percebi que às vezes a felicidade é tão grande que dói também.
Procuram nos rotular...
querem nos enquadrar
Ou vc é isso, ou vc é aquilo
Se é aquilo, não pode ser isso.
Se é isso, não pode ser aquilo.
Será? Somos tão exatos assim?
Já dizia um romano (pra alguns), um português (pra outros): Viver não é preciso
a vida não é exata...é cheia de caminhos...descaminhos
chegadas...partidas...paradas...
entradas...saídas...
E lá vai você...tentando se amoldar
naquilo que é melhor aos olhos da vida, aos seus olhos, aos olhos dos olhos que olham você
Defina este seu momento
Use uma única palavra
Defina-se...
É emoção? É razão?
É mente? É coração?
Conseguiu?
Deixemos às máquinas a precisão...a exatidão
Florianópolis - felicidade de alguém...de muitos que pra aqui vêm
Meu sonho, diz um mineirinho amigo meu, é em uma casinha cheia de arte, cheia de graça
viver cada dia que passa...
E...completa ele: você não sabe o qto é feliz!
E eu aqui dia após dia
Vivendo na ilha da magia
Na tristeza, na dor, no sofrimento, na agonia...
- Hei você!
- Quem? Eu?
- Sim você mesma...sempre se banhando em autocomiseração
saia dessa imersão...vá se banhar nas águas da Armação!
Liberte-se dessa sua aflição
Permita-se viver intensamente...plenamente
em cada dia que passa...seja plena....seja cheia de graça
Viva o que você tem
E que pra muitos de sonho não passa...
Florianópolis...cheia de graça!
Mais um amor se foi...
E você sente, uma vez mais, que
a vida segue por caminhos diferentes
por caminhos q você não sabe quais...
Mas continua seguindo... vc... a vida...
Por
caminhos iguais...
Por
caminhos desiguais...
Qual a diferença?
Que diferença faz?
São iguais? São diferentes? Por quê? Pra quem?
Pra quem vive sem ninguém?
Ou pra quem já tem alguém?
Iguais ou desiguais..... no fim
só o que realmente importa,
é que você mantenha sempre aberta a porta!
