Coleção pessoal de PensadorRS
Este terno
Vê se você muda
Eu tô falando sério
Ler Pablo Neruda
É cheio de mistério
Vento de regresso
Vidas a conflitar
Outra gambiarra
Não irá me chocar
Uh... tira logo este terno
Você nunca avisa
É frio e impontual
Vejo no seu punho
Uma atração fatal
Estufa bem o peito
Antes da mancada
Ao menos você ri
Na hora marcada
Uh... eu já tirei este terno.
Instinto revolucionário
É tempo de encarar a realidade
E fazer tudo o que der vontade
Optando por agir com virtude
Frequentemente você se ilude
Supondo que sejamos errantes
É sábio não repetir os de antes
As trevas podem virar uma luz
Entendendo o que nos conduz
Outrora caça, agora caçador
Demonstrando que tem valor
Sem alimentar expectativas
Enxergando as alternativas
O aprendiz brinca de mestre
Pisando firme o solo terrestre
Cansou da só contemplação
Absorveu para si a revolução
É hora de alteração: vamos lá!
Estava muito tedioso para cá
Tocou-se o sino com rebeldia
Encerrando a fria monotonia
Reconheça os seus instintos
Venha aqui, sejamos amigos
Temos uma lei: a desordem
Moralistas que se acordem!
A dor acaba
Quando faz calor, modifica o seu jeito
Sempre diz “não” disfarçando o “sim”
O que irão dizer destes fatos isolados
Se agora uso bermuda e não uso jeans?
(Oh, não... não mais)
Será que haverá o paraíso algum dia?
Está tão ruim ajuntar trocados na rua
(Estou caído, caído no chão)
Já perdi o sono umas quantas vezes
Por pensar demais sem pensar direito
Sei que você sabe que estou sofrendo
Ficar muito bem não seria perfeito?
Uma tarde de sol, porém sem praia
Queremos lembrar do que não temos
Poderia ser apenas falta de sabedoria
Mas o que nos restou foi muito menos
A dor mata, a dor castiga
Quem já se sentiu assim
A dor corrói por dentro
E lhe destroça por fim
A dor se vai, a dor volta
Até o adeus derradeiro
A dor conhecemos bem
Nada é tão verdadeiro.
Aquelas palavras foram digitadas e não enviadas; escritas e não entregues; pensadas e não faladas. Com isso, a chance de mudança terminou.
O homem, quando ama, sofre alterações em três níveis: no psicológico, em relação ao que pensa; no emocional, sobre o que sente; e, no corporal, naquilo que ele faz.
Campo de batalha
Nova votação na Câmara dos Deputados
O povo assiste a tudo em regime fechado
Reviravolta entre reprovação e aprovação
Da noite pro dia, o que era sim vira não
Nenhuma bandeira nos representa de fato
De todas essas siglas nós estamos fartos
Valemos bem mais do que alguns reais
Há propaganda política em todos canais
Não se renda a toda essa hipocrisia
Pense por si mesmo, não desista
Não se venda por qualquer fantasia
Seja você mesmo, seja realista
Que país sobrará às próximas gerações?
À medida que são tantas as corrupções
Parece que virou normal ser desonesto
Na hora de decidir, escolha o lado certo.
Frequentemente a mulher está esperando apenas um abraço apertado, um ouvido atento e um companheirismo verdadeiro. Poucos homens são capazes de oferecer isso.
Um relacionamento originado do medo de ambos ficarem sozinhos só tem um destino possível: o fracasso.
De domingo à noite
Por vezes, nós ficamos desesperançosos
Se o clima está pesado e nos contamina
Quando a maldade sobrepõe fatos bons
Estarmos intranquilos se torna a rotina
Os planos para o futuro amenizam a dor
De uma realidade que veio para devastar
Somos, agora, participantes de um jogo
Sem vencedores ou hora para terminar
Olhar para trás é uma escolha arriscada
Quando se percebem os mesmos erros
Outras decepções, quedas imprevisíveis
Tristeza constante, felicidade de menos
Derramar umas lágrimas parece certo
Para quem ainda consegue sentir algo
Habituado com indiferença e desilusão
Consciente de que sofreu o seu estrago
Não queria estar arruinado no domingo
Mas constatei que acabou mais um dia
Tudo se passou e o ano quase terminou
Como se fosse uma música sem melodia.
O amor é, em linhas erradas, pensar naquela pessoa o tempo todo quando você está sóbrio e, quando não está, por incrível que pareça, pensar ainda mais.
Os indivíduos com histórias estranhas, gestos extravagantes e mentes férteis sempre me atraíram. São mais interessantes que os seres comuns.
Estou longe de ser um especialista em culinária, mas desconfio de quem não gosta do feijão com arroz.
Desfilando na chuva
Certa vez, um aventureiro saiu a caminhar
Estava chovendo e ele permitiu se molhar
Sem apressar o passo, optou pela sensação
Enquanto todos corriam, ele era a exceção
Sabiamente, refletiu acerca da fuga alheia
Era como se cada um quisesse a sua aldeia
Muito calor no verão, muito frio no inverno
Sempre há o que reclamar, um ciclo eterno
Imaginou o que eles imaginaram ao vê-lo
Sozinho, encharcado, em total desmazelo
Sequer possuía um guarda-chuva: coitado!
Já que é tão comum se prevenir um bocado
A sua intenção era lógica: sentir a chuva
Ao mesmo tempo que tinha gente de luva
Que pecado! Que blasfêmia! Que heresia!
Não ser mais um desesperado em demasia
Ele poderia ter ficado gripado e não ficou
Ter optado por chegar antes, mas desfilou
Parecia insana a curtição naquele cenário
Mas a felicidade não tem prévio horário.
Quando ocorrem terremotos, tsunamis, erupções... o ser humano percebe que o mundo não gira em torno dele e lembra que a natureza tem força.
