Coleção pessoal de PensadorRS

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Nietzsche está morto; Deus, não.

Na era atual, rebeldia de adolescente é não consumir drogas.

Se o homem passa a acreditar enxergar formas dela em outras mulheres, pode estar certo de que ele a ama.

(Des)conhecido

Há pessoas que só conhecemos realmente
Quando paramos de conviver com elas
E deixamos de ser importantes a elas
De modo que sejamos substituíveis

O amigo de outrora agora já não é mais
Tornou-se vagamente outro conhecido
Na falta de classificação adequada
Para preencher um espaço vazio

Quando os sentimentos não vêm à mente
Notamos que não adiantam chorumelas
E é natural que a vida feche janelas
Ainda que existam seres incríveis

Se tratando de tempo, pouco vira demais
Basta pensarmos em um mal-entendido
Que sem possuir uma decisão acertada
Tem a sua conclusão de um jeito frio.

A paixão arrebatadora não encontra distinção: ela pode atingir tanto o cético como o clérigo.

Insubstituível

Nunca alguém poderá substituí-la
Visto que cada um de nós é único
Quem não conhece a história faz
Sempre os insuportáveis discursos

Enquanto padeço pensando nela
Chega um rapaz e diz-me de tudo
Fala, fala e não chega à conclusão
Só me resta que permaneça mudo

Pois ele diz que eu posso superar
Seguir vivendo, como todos falam
E eu ainda sonho com o rosto dela
Sonho do tipo em que todos calam

Vai ver atravesso uma fase ruim
A donzela da mente se apoderou
Ouço sua voz suave me chamando
Esqueço por ora se sou ou estou

Será que sou um devoto da utopia?
Será que a dama me cumprimentará?
Deito na cama e penso até dormir
A minha única certeza: ela estará.

Só existe gente popular nas redes sociais porque os nerds as criaram.

Conflito entre épocas

Procurei na internet e não encontrei
Dáblio, dáblio, dáblio me cansou
Tô louco dessa vida de internetês
Estudei gramática e agora esqueci

Distrações do passado já superei
Percebi quando todo mundo parou
Tentei compartilhar o meu português
Com elementos que partiram daqui

Mágoas e lágrimas se entrelaçam
Com um torpor oriundo do revés
Nuvens de chuva aparecendo no ar
Garotas e garotos sem ter reação

Veículos correndo que ameaçam
No plural, veremos filmes de Pelés?
Quem mora na praia, vive no mar
Outros, com a mídia, na manipulação

Quase proponho uma solução à crise
Lembro que falta água, luz, otimismo
Recolho-me ao meu devido espaço
Volto a fazer frases sem um sentido

Ouço de bebês atirando-se da marquise
Estudei História e o tal do feudalismo
Disperso-me em completo embaraço
Percebo que estou no presente partido.

Os insanos sempre triunfarão sobre as pessoas previsíveis.

Nada representa melhor a adolescência que uma banda de rock and roll.

As mulheres acham que são mais maduras que os homens, que ditam as regras de uma casa, que têm o poder da situação e que representam a evolução da espécie humana. Eu tenho certeza.

Filho do mundo

Sou filho do mundo e afirmo isto
Pois moro em uma cidade média
De pensamentos pequenos e não
Pertenço ao vão espaço de terra

Sou filho da Terra, mente aberta
Faço da pesquisa minha devoção
Tenho conterrâneos que se acham
E o que só busco é a informação.

Amor de infância, primeiro amor, amor de verão, amor de Carnaval, amor de irmão... todas as formas de amor são válidas, o importante é que se saiba amar!

Não desprezo os bêbados, afinal eles falam a verdade melhor que os sóbrios.

Estou tirando licença: licença poética.

Platonismo

Se fosse ela que estivesse lá
Ele não seria mais ele mesmo
Talvez fosse um cara melhor
Entretanto com outra cara

De revolucionário a conservador
...vejam o que causa o amor...
Ora tagarela, outrora quieto
Moço apaixonado e desequilibrado

O que se procura não se acha
Não quando se está procurando!
É de repente e é também irônico
Que ninguém molde o seu enfim

Com um passo fora da marcha
Tem quem continue esperando!
À beira de um colapso platônico
Sem colher a sua flor no jardim.

Há um curto espaço de tempo inominável entre o final de um dia e o começo de outro.

Mariana

Ela se sentou no banco com mais alguém
Era cedo, era dia, tudo bonito e colorido
As palavras que dizia soavam tão simples
Nem parecia a menina que havia partido

Voltou espiritualmente ao meu convívio
Sua presença sempre fez-se tão marcante
Fui enviado a um portal com algum amigo
Para reaproximar o que hoje está distante

A menina de antes agora já é uma mulher
Aparentando saber com clareza o que quer
Os olhos que lhe veem também são outros
Entre tantas partidas, permanecem poucos

Vagamente dorme-se em uma vida insana
Outrora pintura, viraste miragem Mariana
Em um absurdo de informações chegando
Sendo nenhuma sua, continuo imaginando.

Cair noturno

Enquanto digito no meu teclado
Imaginando quaisquer pecados
Que um padre, por aí, perdoou
Estou certo de que ele já amou

Afinal a humanidade é uma só
Bem como cada ser é individual
Todos erramos e até repetimos
Fugindo de um lado intelectual

Aparências caem no cair noturno
Cada um demonstra o que ele é
A essência convive com o existir
Conheçamos ou não um Maomé

Ignorando os credos, seguimos
Com a força da bênção interior
A realidade nem sempre é dura
Basta uma reflexão a todo vapor

Olho a mim mesmo, me conheço
Todavia perco-me em pleno ar
Conspirando sobre o outro lado
Como um marinheiro sem mar

Não queremos dedos apontados
Precisamos de abraços de perdão
Somos sempre jovens insensatos
Apenas romancistas sem religião.

O mundo é tão grande e, mesmo assim, pessoas matam e morrem por pequenas porções de terra.