Coleção pessoal de testeteste123

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Até o final


Um destino certo e sombrio
Medo do desconhecido
Corroído pelo ciclo esquecido
A alma e o coração vazio




Os olhos que pouco acompanha
Menos impulsivo estou
Se a idade me preocupa
Feliz pelo que passou


Se devagar ainda Caminho
Mais ou menos
Merecido
Quem ira dizer o que farei


Viajo pelo abstraido
Tento fugir do transpasso
Ainda o que me resta não sei..

Cheguei ao fundo do poço,
pensando ser o fim,
onde tudo parecia condenado,
sem cor, sem rumo, sem fim.


Foi então que desenharam palavras,
mas palavras enganam
quem não tem exemplo,
quem segue qualquer vento, qualquer chama.


O fundo do poço não destrói,
não paralisa, nem cala.
Quem o conhece de verdade,
renasce com nova alma.


Porque o fundo do poço,
não é morte nem prisão,
é chão firme de recomeço,
onde se ergue o coração.

Manhãs não acordadas


Hoje eu acordei.
Acordei em mais uma manhã de céu nublado,
com as luzes embaçadas
pelas nuvens que cobrem todo o céu.


Hoje eu acordei.
Diferente de outras manhãs,
em que durmo acordado de olhos abertos,
vendados pelo vazio,
cobertos pelo nada
e preenchidos pelos vasos quebrados,
sem flor.


Hoje eu acordei.
Acordei sonhando com a vida
que mato todos os dias
ao não levantar da cama.


Parado,
cansado,
paralisado por mim,
em mim,
dentro de mim.


Esse sou eu?
Ou o eu já foi embora
nessa manhã
em que levantei?

MONÓLOGO

“Eu Sou Tereza, Eu Sou Quilombo

Por Eli Odara Theodoro
(Para o Julho das Pretas)

:
Axé…
Axé, minhas irmãs!
Eu cheguei.


Julho chegou.
E com ele, eu me levanto.
Não sozinha — nunca sozinha.
Me levanto com Tereza.
Sim, Tereza de Benguela…
Mulher preta, mulher quilombola, mulher rainha.
Liderança. Inteligência. Força política e amor pelo povo.

No século XVIII, quando mataram seu companheiro,
ela não fugiu.
Ela ficou.
Assumiu o Quilombo do Quariterê.
Criou um governo, um parlamento, uma resistência com nome de liberdade.

Ela sabia…
Que resistir era também amar.
Que ser preta, mulher e viva
já era um ato revolucionário.

E eu…
Sou continuidade de Tereza.
Sou Eli Odara Theodoro .
Mulher preta. Quilombola.
Mãe. Viúva. Educadora.
Filha da terra e dos tambores.
Minha pele carrega o barro da luta,
minha voz carrega as palavras que tentaram calar.


Como diz Beatriz Nascimento:
“O quilombo é um lugar de liberdade possível.”

E eu sou esse lugar.
Meus passos são quilombo.
Minha fala é quilombo.
Minha sala de aula, meu terreiro, meus textos, minha lida — tudo é território de reexistência.

Sueli Carneiro grita comigo contra o apagamento.
Lélia Gonzalez me lembra que o mundo é racista e tenta nos empurrar pra margem.
Mas nós somos centro!
Centro da cura, do cuidado, da criação.



Conceição Evaristo sussurra aqui dentro:
“Escrevivência…”
E é isso que faço.
Eu escrevo com o corpo.
Escrevo com as dores e alegrias que a vida preta me deu.


IBGE diz: somos 28 milhões de mulheres negras no Brasil.
Mas isso é só número.
Nós somos mais!
Somos as que levantam antes do sol.
As que dançam pra Oxum e marcham contra o racismo.
Somos as que cuidam dos filhos dos outros enquanto sonham com futuro pros seus.


Djamila Ribeiro me lembra:
“Nosso lugar de fala não é favor.”
É luta.
É direito.

Nilma Lino Gomes grita comigo:
Educação quilombola é território de sabedoria viva!
Não tem sala de aula mais forte que o chão de nossas comunidades quilombolas.

E como diz bell hooks:
Amar também é ato político.
Eu escolho amar quem sou.
Escolho amar os meus.
Escolho amar as mulheres que vieram antes,
e aquelas que ainda virão.


Hoje…
Eu não só homenageio Tereza.
Eu a convoco.
Tereza está em mim.
Tereza está em nós.

Porque, como diz Conceição Evaristo:
“Nossos passos vêm de longe.”

E eu completo:
Vêm de longe…
E seguem firmes.
De cabeça erguida.
Pés fincados na terra.
E o coração batendo no ritmo da ancestralidade.


Axé, Tereza!
Axé, Mulheres Negras!
Axé, Julho das Pretas!

Se alguém sente inveja de você, é por causa das suas virtudes.
Jamais se aflija.

Há um vinho perdido, soterrado num fiapo de névoa fora da criação.
Não é uva, não é sangue é memória de um tempo anterior ao tempo.
Os astrólogos disseram que quem o encontrar sentirá o gosto de tudo que já foi sentido.
E também o que jamais deveria ser.

Os reinos em guerra não o buscam por sede, mas por fome de trono.
Querem o cálice, não o conteúdo.
Querem ser os que ditam o silêncio.
Não beberão, mas farão com que outros se curvem ao aroma.

Quando um pai vem ao mundo...

Quando o filho nasce, o Dia dos Pais começa.

É ali, naquele momento que a vida do homem se transforma.

Vendo a representação de si ocupar o mundo

Ao abraçar o filho pela primeira vez

Um novo significado de amor faz-se presente.

Pai é proteção, amor e inspiração.

É mostrar o mundo ao filho e ensiná-lo a viver.

E quando um filho abraça o pai

Ele toma a sua força e vai em frente com mais leveza e confiança.

Não é fácil a rotina de um pai, mas é um presente de Deus.

Você se lembra quando se tornou pai? Lembra-se da primeira noite acordado?

Das primeiras palavras, do primeiro tombo, do primeiro dia da escola de seu filho?

Aos poucos o filho vai crescendo e a função do pai também.

Vem a escola, o namoro, a faculdade do filho, vem a maturidade e suas escolhas,

E sem querer o pai se percebe em um outro lugar,

Um lugar de diálogo entre iguais.

Os filhos viram companheiros,

Até que os pais se amparam nos filhos.

O ciclo da vida é esse, acolher e ser acolhido.

E nessa construção feita com tantas mudanças,

O que continuará ali entre um pai e um filho

Será sempre o amor, com sua função insubstituível,

Unindo dois seres que não se fazem sozinhos.

Porque, no fim das contas, só existe um amor para a vida inteira.
E, por mais que outros amores venham, ele sempre será aquele que o seu coração reconhece como lar.

Eu não sou vítima, eu sou criadora. Cada experiência da minha vida foi um professor disfarçado.

Quando você se ama, não aceita menos que merece.

Cada ser carrega sua verdade. Julgar é apenas uma forma de negar a própria sombra.

Fugir de casa era próprio da Idade Média; os jovens atuais, conscientes, buscam a liberdade por meio da independência financeira, através dos estudos e do trabalho.

Tem gente que nos trata com graça, mesmo quando só oferecemos dureza.

⁠Quem te abraça nos seus piores dias merece ser celebrado nos seus melhores.

O orgulho grita, mas é a gratidão silenciosa que sustenta os bons relacionamentos.

Gente rara não se encontra todo dia.
Quando Deus envia, cuide.

Custa caro perder quem nos tratava com carinho nos dias em que nem nós mesmos nos suportávamos.

Também morrem os lugares onde fomos felizes.

Juramento da Maldição

por Sariel Oliveira





Juro diante do silêncio eterno que não serei cego.

Que verei o que a noite esconde

e ouvirei o que o mundo não suporta dizer.





Aceito a solidão como testemunha,

o peso da lucidez como cruz,

e a ferida que nunca fecha como parte do meu ser.





Não fugirei da dor —

antes, a acolherei como velha companheira,

pois ela me lembra que estou vivo

num mundo que vive dormindo.





Se esta é a maldição que me coube,

que assim seja.

Carregarei seus sinais até que o pó me reclame,

e, ainda então,

que minhas cinzas sussurrem ao vento

o que poucos tiveram coragem de ouvir.

A Maldição de Sariel

(à maneira de Kierkegaard)





Minha maldição não é visível aos olhos comuns,

porque não vive fora de mim,

mas no silêncio onde o homem encontra a si mesmo

e descobre que não pode escapar.





Sou condenado a perceber que a vida não me pertence —

ela apenas me atravessa,

como um vento frio que corta e não se deixa segurar.





Sinto o peso do eterno no instante,

o peso de Deus no olhar humano,

o peso da ausência onde deveria haver consolo.





E, enquanto outros caminham distraídos,

eu caminho acordado demais,

ferido demais,

amando demais.





Não sei se isso é dádiva ou castigo,

mas sei que não há cura.

Porque aquele que vê o fundo do poço

já não consegue fingir que só existe a superfície.