Coleção pessoal de testeteste123
A Maldição de Sariel
por Sariel Oliveira
Carrego nos ombros uma herança invisível,
não deixada por sangue ou nome,
mas costurada nas costelas pelo próprio destino.
Minha maldição não é feita de má sorte,
mas de olhos que veem fundo demais,
de um coração que sangra por feridas que não são minhas.
Sou condenado a sentir o que os outros escondem,
a ouvir o silêncio que grita no peito alheio.
E, mesmo sabendo que isso me arrasta,
continuo — como se minha alma
fosse feita para ser farol em noites que não acabam.
Porque minha maldição é também minha sentença:
viver intensamente
num mundo que teme quem não sabe se calar.
Hoje de manhã acordei e me olhei no espelho e me chamei de feio, abri a janela e disse para o sol que brilhava, tomara que chova, sai de casa tinha uma pedra no meu caminho, chutei ela e disse nem doeu, pelos fatos te aconselho a se esconder de mim hoje.
A Bagagem Invisível
A Mente que Tudo Absorve
A mente não é apenas onde pensamos —
é onde tudo chega, entra e se instala.
Ela absorve o que o corpo vive,
mas também o que nunca aconteceu de verdade,
apenas foi sentido… ou imaginado.
Ela não distingue com precisão o que é memória, sonho ou trauma.
Guarda o que foi dito…
e o que apenas achamos que ouvimos.
Armazena não só os fatos,
mas também as suposições, as projeções, os medos, os desejos.
Tudo vira experiência — mesmo que só mental.
Um gesto mal interpretado.
Um silêncio carregado de expectativa.
Um olhar que julgamos de desprezo.
Nada disso talvez tenha existido fora de nós…
mas a mente vive como se fosse real.
E o corpo responde.
A ansiedade aparece.
A raiva se inflama.
O coração acelera por guerras que só aconteceram na imaginação.
Mas a dor é autêntica.
A mente, como solo fértil, não seleciona o que brota.
Ela acolhe tanto as sementes do que foi vivido,
quanto as ervas daninhas do que só foi sentido.
É por isso que muitos sofrem por histórias que nunca existiram,
por rejeições que nunca aconteceram,
por palavras que nunca foram ditas —
mas foram criadas dentro, moldadas pelas emoções.
A mente absorve não só o que lhe fazem,
mas também o que ela acredita que lhe fariam.
Ela é o espelho quebrado de todas as possibilidades:
o que foi, o que poderia ter sido, o que jamais será…
e o que insistimos em reviver.
A Morte: A Porta Que Se Fecha
A morte não é o fim.
É a abertura de uma porta.
Não uma porta comum…
Mas uma daquelas que, ao se fechar atrás de nós,
não se pode mais abrir para voltar.
Quando cruzamos essa soleira,
não levamos o corpo, nem os títulos, nem os pertences.
Levamos apenas o que acumulamos por dentro:
as intenções, os pesos, as culpas, os gestos, os silêncios, os afetos.
Lá, nesse novo espaço que não sabemos nomear,
seremos cercados por tudo o que deixamos de ver em vida:
as palavras que engolimos, os amores que negamos,
as escolhas que feriram, os sonhos que enterramos em nome do medo.
Nada se perde,
tudo nos espera do outro lado.
A morte é espelho.
É a projeção ampliada daquilo que evitamos encarar.
Lá, não há distrações.
Não há tempo.
Só presença nua…
e consciência crua.
Morremos com o que fomos — não com o que fingimos ser.
Talvez lá a dor não venha da morte em si,
mas do confronto com a vida que não vivemos.
Das chances desperdiçadas.
Da coragem adiada.
Do amor que sabíamos dar, mas recusamos por orgulho.
A porta se fecha.
E não se abre mais.
Mas não como punição…
como consequência.
Porque tudo o que era externo perde sentido —
e tudo o que era interno ganha voz.
Quando a Mente se Fecha e a Morte se Abre
A mente é um receptáculo.
Ela absorve tudo —
o que vivemos, o que inventamos,
o que sentimos, mesmo sem ter acontecido.
Carrega dores que ninguém nos causou,
traumas que nasceram apenas de ideias,
feridas abertas por suposições,
e amores que existiram só na imaginação.
Ela não julga o que é real,
ela apenas registra.
E enquanto estamos vivos,
continuamos alimentando esse cofre invisível —
feito de lembranças reais e fantasmas emocionais. Mas então… a morte chega.
E com ela, uma porta se abre.
E ao atravessá-la, não levamos o corpo,
nem as certezas que fingíamos ter.
Levamos apenas a bagagem mental:
nossos atos, nossos afetos,
nossas intenções escondidas e sentimentos silenciados.
A morte fecha a porta atrás de nós,
mas nos eterniza no conteúdo que deixamos.
Porque a mente — esse cofre que absorveu tudo —
se transforma agora em memória viva no mundo.
Nossos gestos passam a viver nos pensamentos de quem tocamos.
Nossas palavras ecoam no inconsciente de quem ouviu.
Nossas ausências se transformam em presença psicológica.
Somos arquivados no subconsciente alheio.
Nos tornamos lembrança.
Presença mental.
Símbolo.
A morte eterna não apaga.
Ela espalha.
Não somos mais vistos, mas continuamos sendo acessados.
Não respiramos, mas seguimos influenciando.
A mente que um dia absorveu o mundo,
agora é o mundo que absorve a mente que partiu.
Somos lembrança viva nos que ficaram.
E isso… é uma outra forma de eternidade.
Você sabia que eu te amo, né?
Mas não é só amor… é admiração, carinho e gratidão por ter você na minha vida.
Você é minha paz, meu sorriso e meu lugar favorito no mundo.
Última Luz
A tarde morreu nos teus olhos.
Nem o céu teve coragem de dizer adeus.
O silêncio gritou entre os copos vazios,
enquanto tu partias sem olhar pra trás.
Fiquei com o som dos passos,
a memória da tua respiração
e um gosto de inverno na boca.
Tudo que era quente virou sombra.
A casa ainda fala teu nome
(mas agora sussurrando, com medo).
O espelho me nega a imagem de antes.
Como se o tempo tivesse me amputado.
E todas as minhas cartas
que jamais enviei
queimam sozinhas
no centro da minha alma.
Não voltas.
E mesmo assim, te espero
como quem espera
a última luz de um farol
sabendo que o mar
já levou tudo.
Não há saudades mais dolorosas do que aquelas causadas pelas lembranças das coisas que nunca aconteceram!
Hoje eu me encontrei pensando e até demais. Foi quando eu resolvi pensar sobre a "dor".
Isso mesmo a dor.
Ela sempre vai estar com a gente independente do estado financeiro, emocional, físico, espiritual.
Ela faz parte de tudo sabe. Se você pensar em desistir ela vai estar lá . Se você tentar até conseguir ela também vai estar lá.
Todo mundo tem suas dores e lidam com elas da sua própria forma e você tem que aprender a lidar com as suas. Mas calma que dor não é uma coisa tão ruim.
A dor ela faz parte do processo. Uma borboleta antes de voar e mostrar toda sua beleza passa por um sofrido processo que todo mundo sabe. Dentro daquele casulo ela está sentindo dor por que é necessário. De uma lagarta verde e gosmenta e que todo mundo tem nojo pra uma linda borboleta que todos admiram.
Um herói pra virar herói precisou passar pela dor e foi a dor que fez ele se tornar um herói.
Não olhe pra dor como uma coisa ruim. É ela que vai te colocar lá em cima . É ela que vai te fazer conquistar. É ela que nos torna mais fortes pra suportar o peso da gloria que há de vir. É ela que nos torna capaz e que nos dá um tapa todos os dias e nos diz: Você consegue!
Mesmo que a grana seja pouca e a conta bancária esteja vazia, há em mim a alegria em ter o pão de cada dia todos os dias.
Minhas mãos tocam o vento...
Mas eu queria que fosse o seu cabelo.
Meus olhos vêem o escuro...
Mas eu queria que fosse a claridade dos teus olhos.
Meu ouvidos ouvem o vento soprar e os bichos cantarem...
Mas eu queria que fosse a sua voz.
Meus narizes sentem o ar abafado da noite...
Mas eu queria que fosse o seu cheiro.
Eu queria...
Quero...
E vou querer eternamente...
♡
♡
Do chão quente de Juazeirinho,
brotou um menino sonhador,
Com mãos miúdas, já plantava
os gestos simples do amor.
A vida é um mosaico de fragmentos: algumas peças se encaixam com perfeição, outras se perdem no tempo. Mas sempre existe a chance de preencher os espaços em branco e dar novo sentido à versão final.
meu próprio sabor
é sobre meu e meus,
de seio pessoal,
de carne!
póem na carneação —
eu sou mordida viva!
vi ela beijando um velho.
me fez Vomitar,
vomitei em silêncio.
entendi,
meu amor
não é pra vagabundas.
me observei demais,
me rasguei demais,
talvez.
eu me sirvo.
me provo.
sou amargo.
sou só meu!
