Coleção pessoal de testeteste123

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Escolha a confissão, no lugar da confusão.

Todos nós iremos para o mesmo lugar, mas de jeitos diferentes.

Os problemas não condizem com a idade, e sim com sua realidade.

Que o julgamento não sirva de cimento para sua construção mental.

"Seja brisa ou seja temporal, tanto faz, seja mais você e menos os outros."

Silhueta
Quando te conheci, a sua luz já estava no fim, e, quando percebi, as mãos da morte já estavam aqui.
Porém, ainda vive a lembrança
do seu andar explodindo em mim — um semblante sombrio e, ao mesmo tempo, brilhante.
Isso é cativante: gira, contorce, e o ar se ausenta dos meus pulmões.
Mas tudo se distancia, e tudo vira uma imagem borrada ao fundo,
como uma silhueta em névoa brilhante.

Das liberdades que prendem

Demétrio Sena - Magé

O excesso de liberdade sem sabedoria pode nos tornar escravos de um futuro incerto, quando não desastroso. Passados mal resolvidos por falta de acabamentos costumam aviar boletos vivenciais que não temos como pagar. Os códigos de cobranças da vida são implacáveis com quem não sabe viver.

Saber viver é algo muito conceitual e rotativo. Quem acha que pode fazer tudo e tem todas as liberdades, deve ter um projeto sóbrio, maduro e consistente, para não cair nas armadilhas de um engano sombrio. Armadilhas postas pelos próprios atos e por pessoas que sabem se aproveitar das fragilidades dos que acham, equivocadamente, que "estão com tudo".

Todo ser humano precisa desse equilíbrio, para sobreviver a si mesmo. Para jamais perder o rumo e ficar sem teto, chão e paredes, pelo quanto pensa que se livrou de todos... até de si mesmo, crendo não precisar de um limite, uma base, um apoio existencial. Nossa essência carece de um invólucro; o espírito tem que ter corpo. Não há recheio sem casca.

Se queremos voar, é essencial termos de onde para onde. Ou não será um voo; será um salto no escuro; no precipício de nossa inconsequência. Sejamos livres o suficiente para repensarmos, quando for necessário, nossos conceitos intermináveis de liberdade. Cuidado; ela pode nos algemar em pleno salto.
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Respeite autorias. É lei

Não carrego bandeiras partidárias. Acredito que a transformação social exige coragem, posicionamento ético e o uso responsável da voz na defesa e proteção de todos os nossos direitos especialmente dos direitos das mulheres, no enfrentamento à violência e na proteção de crianças e adolescentes. Nenhuma voz é pequena demais quando se compromete a fazer a diferença.

Quando a promessa é fácil demais, o risco costuma ser grande: cuidado com dinheiro fácil e curas milagrosas.

Ficou aquele olhar... algo interpelando as razões da vida; o que nos conduz, o que nos acorda, o que nos levanta, o que nos faz respirar; sonhos e paixões. A eternidade em poucos segundos. As estrelas explodem criando supernovas; fatos, criações e a cultura secular de uma civilização tornam se a história, mas eternidade é algo bem subjetivo: primaveras, outonos, invernos e verões... momentos felizes ou agruras superadas; cicatrizes, cumplicidades e boas lembranças que fazem valer o parasempre. Teremos outras manhãs, só não olhe pelo retrovisor, não procure eclipses não faça promessas; e o meteoro que vem em nossa direção... não ouça tudo o que dizem, não acredite em tudo que falam, não peça que eu bata, que eu enforque, não se entregue tanto a esse vício chamado paixão... dentro de mim tem um vem-vem que pode voar bem longe, mas que faz valer seu nome. As grades não podem conter esse pássaro que há em mim. Ficou aquele olhar inquisitivo... um cheiro de pólvora, o cano do “Smith’’ fumegando... então eu volto como se pudesse refazer tardes tépidas dos sábados inesquecíveis, noites brilhantes quando contemplávamos constelações e eu tentava entender o enigma de capricórnio, ou noites chuvosas e incitantes ao prazer; então há um bloqueio, e eu me encontro aqui: olhares estranhos, palavras inquietantes, pessoas abstratas. O homem com a toga jamais entenderia que nenhuma sentença me condenaria mais que aquele olhar, o corpo sem vida, olhos arregalados incapazes de compreender de como a paixão pode ser letal. Jamais compreenderia que antes do homicídio eu já tinha sido assassinado.
O tempo parece que parou, aqui se perde noção de hora ou dia, mas nada me faz esquecer as nossas sextas-feiras ali na lagoa. Petra, a garota do açaí, já tinha me falado da ruiva que circulava ali numa Caloi; e quando nos conhecemos confesso que aquela intimidade me perturbava; mas as mulheres compartilham seus segredos, coisa que só outra mulher compreende, mas aquela cumplicidade me incomodava; mensagens no whatsapp, chamadas longas, sussurros... na manhã daquele sábado passei no ” pinga fogo” revi velhos conhecidos meus e seus, ouvi comentários indesejáveis, risos sarcásticos e talvez tenha bebido além da conta; quando ia saindo, uma prima sua ainda veio me provocar: ”o que a Iranir viu em você” -o que você não viu nem vai ver nunca, respondi. Mara, Liana, Nilde... tento comparar, repovoar, detalhar; agora era diferente, os momentos difíceis eram compartilhados assim como as alegrias. A forma de como tudo aconteceu não foi por um sentimento de posse, foi o cuidado excessivo de preservar algo precioso.
As manhãs de domingo ali na Lagoa... a garota na Caloi já fazia parte da paisagem; o Cristo Redentor lá de cima parecia uma sentinela para que tudo corresse dentro da normalidade.
Dez anos passados, a Lagoa continua acolhedora, a moça do açaí agora é uma afrodescendente: Dina tem um sorriso encantador, veste a camisa do fluminense e me confessou que leu AMORAMORA; e que não compreendia como alguém com tanta sensibilidade... tudo vai muito além dos bloqueios que nos afligem a alma; e as coisas acontecem exatamente pela sensibilidade, mas o redentor nos acolhe misericordioso como aquele que nos permite caminhar na tênue linha entre a paixão e a razão.

Há amores que não pedem casa, pedem abismo. O nosso foi assim: intenso, especial, mas inabitável. Não por falta de sentimento, mas por excesso de medo. Não por ausência de amor, mas por incapacidade de o sustentar no mundo real. O que existiu entre nós nunca foi pequeno... apenas nunca encontrou chão.

Nós nos amamos no território onde tudo é permitido: na palavra, na promessa, na eternidade abstrata do “para sempre”. Ali, o amor era livre, belo, absoluto. Mas quando se aproximava da vida concreta (do tempo, das escolhas, das consequências) ele recuava, tremia, se escondia. Amar, para nós, não era encontro: era vertigem.

Você me amou sem me escolher. Eu te escolhi sem poder te ter. E nesse descompasso, criamos um laço feito de presença e ausência, de retornos e fugas, de silêncios que gritavam mais do que qualquer declaração. Não foi mentira. Também não foi completamente verdade. Foi sentimento sem morada.

O que nos uniu não foi a possibilidade de ficar, mas a impossibilidade de partir por completo. Eu fui o lugar onde você sentia sem precisar decidir. Você foi o lugar onde eu esperava sem poder avançar. Um amor clandestino não por traição apenas, mas por existir fora do tempo certo, fora da coragem necessária.

E ainda assim, isso não me diminui. Nem te transforma em vilã. Mas nos impede de seguir.

Porque há amores que não adoecem por falta de afeto, e sim por falta de destino. Eles não morrem... suspendem. Ficam pairando como uma música bonita demais para ser interrompida, mas dolorosa demais para ser repetida.

Talvez seja isso que fomos: um amor real demais para ser esquecido, e impossível demais para ser vivido. E amar assim é belo, mas ninguém mora no abismo.

"O Diabo pode usar a obra boa para derrubar o cristão, quando feita sem ordem!"

Saudade daquele abraço apertado, daquele em que a alma exala o seu perfume.

Corações bondosos devem estar com corações bondosos, do contrário, sofrerão consequências sem querer, sem merecer.

A realidade é esférica, mas o ego insiste em ser plano. Escolher um lado é apenas uma forma preguiçosa de pensar; a verdadeira inteligência não constrói trincheiras, ela derruba muros para ter a vista completa.

Antes da Cruz houve rendição. Depois da Cruz houve oração.

A ironia é biológica e inquestionável: quem escolhe usar apenas um lado para caminhar, não avança; apenas manca.

Ter posicionamento político não significa perder o senso crítico nem aderir a toda polêmica criada nas redes. Convicção não é seguir boicote por impulso, nem transformar propaganda ou símbolo cultural em disputa ideológica forçada.

Quem perde tempo discutindo o pé de apoio esquece a regra básica do movimento: para ir longe, a vida exige os dois.

Não entro com o pé que mandam, entro com a consciência que escolhi , símbolo não me governa, pensamento sim.


Rosana Castro