Coleção pessoal de testeteste123
Não tenha vergonha em admirar uma pessoa
Não tenha vergonha em se inspirar em uma pessoa
Tenha vergonha em sentir inveja de uma pessoa
Estranha a sensação de que, quanto mais eu escrevo, mais quero escrever.
Talvez eu sofra de escrita compulsiva.
A verdade é que eu não enterrei o meu passado; ele se mudou para dentro das minhas costelas. Quando a mulher que desenhou o meu destino decidiu ir embora, recolhendo os pertences e deixando apenas o vazio no apartamento, algo em mim quebrou de maneira definitiva. Não houve gritos ou portas batendo. Apenas o estalo seco de uma engrenagem vital que parava de funcionar.
Durante quase uma década, tornei-me um vigia de túmulos.
Habitei a solidão da cama de casal como quem protege um solo sagrado. Desenvolvi um pânico visceral diante de qualquer aproximação humana. Se alguém demonstrava um interesse sutil, meu estômago contraía. A simples ideia de compartilhar a rotina com outra fisionomia parecia uma heresia, um insulto à memória daquela que ainda governava os meus pensamentos. Eu me convenci de que a capacidade de entrega era um recurso finito, totalmente esgotado naquela despedida. Sentia-me um náufrago confortável na própria ilha de amargura.
Até que a vida, soberana e imprevisível, cansou do meu isolamento voluntário.
Aconteceu numa livraria de bairro, num fim de tarde cinzento. Eu procurava um título qualquer para preencher as horas mortas, quando uma desconhecida esbarrou na estante ao lado, derrubando uma fileira inteira de volumes no assoalho. O estrondo quebrou a solenidade do ambiente. Instintivamente, abaixei-me para recolher as obras espalhadas.
Quando nossos dedos se cruzaram na tentativa mútua de resgatar o mesmo exemplar, ergui as pálpebras.
Aquela senhorita de pele morena possuía traços completamente distintos, uma voz mansa e um aroma fresco de lavanda que nada lembrava o perfume antigo que passei anos tentando esquecer. Contudo, ao fitar a profundeza das suas pupilas castanhas, percebi um brilho familiar de vulnerabilidade e resiliência. Foi um impacto mudo, um solavanco térmico que atravessou minha espinha. A couraça que cultivei com tanto zelo rachou de cima a baixo.
Ela esboçou um sorriso tímido, sem cobranças, que parecia compreender a bagunça que eu carregava na alma.
Pela primeira vez em milhares de dias solitários, o fantasma da rejeição retrocedeu um passo. O peito, antes congelado, ardeu com uma eletricidade esquecida, quase juvenil. Não era a cura imediata da dor crônica, mas a percepção nítida de que o mundo continuava girando lá fora, oferecendo novas estradas para quem ousasse caminhar.
A jovem senhorita agradeceu a ajuda, recolheu seus pertences e caminhou em direção à saída do estabelecimento. Pouco antes de cruzar o portal, deteve o passo. Girou o corpo, sustentou meu olhar fixamente por alguns segundos cruciais e acenou positivamente, num convite implícito que dispensava vocábulos.
Permaneci estático, assimilando o milagre daquele instante. A marca da perda segue cravada na minha pele, indelével. Todavia, compreendi que carregar uma cicatriz não significa permanecer sangrando. O pavor ainda sussurra no meu ouvido, mas o desejo de experimentar o calor do sol novamente tornou-se, finalmente, muito maior.
A grande lição que a dor me ensinou é que o luto não deve ser uma sentença de prisão perpétua, mas um processo de transformação. Fechar as portas para o mundo com medo de sofrer novamente não protege o coração; apenas o sepulta em vida. Amar exige coragem exatamente porque envolve o risco da perda, e a verdadeira superação não consiste em esquecer quem partiu, mas em ter a generosidade de permitir que novas histórias sejam escritas nas páginas que restam.
. ... Mas como não falar de ti? De todas as formas você completa meus delírios, inspira frases em meu diário, deixa-me tão cético e faz meu sangue borbulhar de calor. Eu te desejo nas noites frias, nas tardes quentes, nas manhãs monótonas, no entardecer tingido.
. Eu queria o que idealizava de você ou realmente te quis? O fervor dos meus pensamentos foi tão ardente que eu de fato ponderei-a como uma deusa. Talvez eu tenha exagerado, ou não, pois quando se trata de amor tais pensamentos vem a tona.
O bom de ver você sorrir, acima de tudo, é saber que sou o motivo de sua felicidade de todos os dias.
Isso que eu estou pontuando não é uma opinião mas sim um FATO, um Conhecimento que deve ser entendido e é aderido pela maioria dos seres humanos: "O impacto da sua ação é o que eu sinto, não o que você pensou ao realizá-la."
Entendimento é algo universal que independe da idade, senso ou racionalidade. Tudo pode ser entendido.
A vida opera exatamente como uma rede privada virtual. Ela mascara nossa localização real e altera nossos trajetos geográficos inesperadamente.
Essas mudanças de rota servem para blindar o nosso íntimo. O mundo exterior apresenta conexões digitais e humanas extremamente nocivas. Ruídos cotidianos tentam corromper a integridade da nossa história o tempo todo.
Mudar de endereço ou alterar o rumo não significa fuga. Essa dinâmica representa um mecanismo sagrado de preservação da alma. Navegamos disfarçados pelos caminhos tortuosos para manter a nossa verdade intacta. A criptografia existencial protege quem somos das invasões maliciosas do mundo.
O cheiro de enxofre que exala dessa guerra ideológica disfarçada de virtude está sufocando o que ainda nos resta de humanidade. Esquerda e direita transformaram o Brasil em um tabuleiro de ódio, onde o cidadão comum é tratado como peça descartável. O cenário mais grotesco dessa palhaçada repulsiva acontece quando a fé é arrastada para o meio da lama. Líderes religiosos, que deveriam pregar o acolhimento, a misericórdia e o amor incondicional, hoje sobem ao altar com o estômago cheio de preconceito e a boca transbordando arrogância partidária. Usam o nome do Sagrado para abençoar opressores, demonizar opositores e validar o egoísmo mais tacanho. Transformaram templos em comitês eleitorais e fiéis em soldados cegos de uma milícia digital que destila preconceito e falta de caráter a cada clique. Dá nojo ver a Palavra ser estuprada para justificar a falta de empatia crônica de uma sociedade doente.
Enquanto famílias se dilaceram e amigos de infância se tratam como inimigos mortais por causa de salvadores da pátria de gravata, os donos do poder dão risada. Quem defende esses políticos com unhas e dentes, esquecendo-se do próprio irmão, está sofrendo de uma cegueira espiritual profunda. Onde isso vai terminar? Vai terminar no isolamento, no vazio e em uma terra arrasada onde ninguém confia em ninguém. No final dessa disputa sangrenta de egos, quem perde não é o partido A ou B; quem perde é o povo. O político que você defende não vai financiar o tratamento do seu filho, não vai consertar o teto da sua casa na tempestade e muito menos vai segurar a sua mão em um leito de hospital. Eles se alimentam da sua indignação para garantir banquetes luxuosos nos bastidores, onde a esquerda e a direita brindam juntas, rindo da ingenuidade de quem se mata por eles nas redes sociais.
A grande lição de vida que precisamos aprender antes que seja tarde demais é que a nossa salvação não virá de Brasília, de nenhum palácio governamental e de nenhum púlpito corrompido pelo dinheiro. O verdadeiro teste de moralidade não é o seu voto na urna, mas como você trata o necessitado que bate à sua porta. Precisamos superar urgentemente essa necessidade infantil de idolatrar homens falhos. É preciso arrancar essa venda partidária dos olhos e perceber que o outro, mesmo pensando diferente, sangra a mesma dor que você. Enquanto houver mais orgulho em vencer uma discussão política do que em estender a mão para aliviar a fome de um vizinho, continuaremos sendo apenas cascas vazias, estéreis e frias.
Acorde desse transe coletivo antes que o tempo apague a sua capacidade de sentir. O terno alinhado do governante não cobre a nudez da sua alma se você escolheu odiar o seu semelhante. Mude a rota do seu coração. Deixe de ser escudo para quem usa o poder para se esbaldar e passe a ser o abraço que acolhe quem a vida derrubou. A terra gira rápido demais, a vida é um sopro curto e, no último dia, não restará partido, nem ideologia, nem mito; restará apenas o amor que você espalhou ou o rastro de destruição que o seu orgulho político deixou pelo caminho
Tem pessoas que a vida afasta por um tempo…
mas quando reencontramos, percebemos que o carinho nunca saiu do lugar. ✨
O vento não sabe para onde sopra, e as nuvens, essas viajantes indecisas, vagueiam sobre montanhas que já nasceram velhas. Gigantes caminham por um mundo pequeno demais para seus passos, deixando marcas que se confundem com vales. Os moinhos giram, mas quem move a pedra? A ampulheta de areia farinha mede tempo que não existe, enquanto um girassol, tolo e fiel, dança para um sol que nem sempre comparece. Sobre tudo isso paira um corvo de asas coloridas, único espectador que entende a piada: vivemos presos a rodas que inventamos, a contadores que esvaziamos, a gigantescas ilusões de grandeza dentro de horizontes que cabem na palma da mão.
