O cheiro de enxofre que exala dessa... Valdir Enéas Mororó Junior

O cheiro de enxofre que exala dessa guerra ideológica disfarçada de virtude está sufocando o que ainda nos resta de humanidade. Esquerda e direita transformaram o Brasil em um tabuleiro de ódio, onde o cidadão comum é tratado como peça descartável. O cenário mais grotesco dessa palhaçada repulsiva acontece quando a fé é arrastada para o meio da lama. Líderes religiosos, que deveriam pregar o acolhimento, a misericórdia e o amor incondicional, hoje sobem ao altar com o estômago cheio de preconceito e a boca transbordando arrogância partidária. Usam o nome do Sagrado para abençoar opressores, demonizar opositores e validar o egoísmo mais tacanho. Transformaram templos em comitês eleitorais e fiéis em soldados cegos de uma milícia digital que destila preconceito e falta de caráter a cada clique. Dá nojo ver a Palavra ser estuprada para justificar a falta de empatia crônica de uma sociedade doente.
Enquanto famílias se dilaceram e amigos de infância se tratam como inimigos mortais por causa de salvadores da pátria de gravata, os donos do poder dão risada. Quem defende esses políticos com unhas e dentes, esquecendo-se do próprio irmão, está sofrendo de uma cegueira espiritual profunda. Onde isso vai terminar? Vai terminar no isolamento, no vazio e em uma terra arrasada onde ninguém confia em ninguém. No final dessa disputa sangrenta de egos, quem perde não é o partido A ou B; quem perde é o povo. O político que você defende não vai financiar o tratamento do seu filho, não vai consertar o teto da sua casa na tempestade e muito menos vai segurar a sua mão em um leito de hospital. Eles se alimentam da sua indignação para garantir banquetes luxuosos nos bastidores, onde a esquerda e a direita brindam juntas, rindo da ingenuidade de quem se mata por eles nas redes sociais.
A grande lição de vida que precisamos aprender antes que seja tarde demais é que a nossa salvação não virá de Brasília, de nenhum palácio governamental e de nenhum púlpito corrompido pelo dinheiro. O verdadeiro teste de moralidade não é o seu voto na urna, mas como você trata o necessitado que bate à sua porta. Precisamos superar urgentemente essa necessidade infantil de idolatrar homens falhos. É preciso arrancar essa venda partidária dos olhos e perceber que o outro, mesmo pensando diferente, sangra a mesma dor que você. Enquanto houver mais orgulho em vencer uma discussão política do que em estender a mão para aliviar a fome de um vizinho, continuaremos sendo apenas cascas vazias, estéreis e frias.
Acorde desse transe coletivo antes que o tempo apague a sua capacidade de sentir. O terno alinhado do governante não cobre a nudez da sua alma se você escolheu odiar o seu semelhante. Mude a rota do seu coração. Deixe de ser escudo para quem usa o poder para se esbaldar e passe a ser o abraço que acolhe quem a vida derrubou. A terra gira rápido demais, a vida é um sopro curto e, no último dia, não restará partido, nem ideologia, nem mito; restará apenas o amor que você espalhou ou o rastro de destruição que o seu orgulho político deixou pelo caminho