Coleção pessoal de testeteste123
SÓ QUEM ENTROU LÁ
Um som indigente
Fez-me o espio.
Resquício afluente.
Na cena, o frio:
Trovoada.
A janela estilhaçada.
O vento na cortina
Debatendo-se no teto.
Respingada.
Cortina enroscada.
No ventilador
De madeira
Inquieto.
Como fechar
A janela
Estraçalhada?
Como findar
Balbúrdia?
Como cessar
O giro
A cerrada?
Com cacos
Nessa estapafúrdia?
O linho prestes
A ser desfeito
Temo que
Nem pausa
Possa dar jeito.
Vou de fininho.
Dedo-Interruptor.
A madeira no chão
Foi-se ventila(dor).
E ao encarar todo
Aquele estrago
O sol invade.
Um caco no pé
E também um afago
Que muito me arde.
Ao menos a obra
De arte solta
Não foi levada
Junto.
Ao menos a chuva
Inda que revolta
Não poderia
Alcançar o
Conjunto.
Ao menos, oras,
A carta do vô
Repousada na escrivaninha
Nada nunca nem triscou
Porque é trancada na outra
Salinha.
A água abafada pode até ferir
O vidro, sacada, o sofá do repouso
Só que a raiz, espalhada em jardim
Não voa com vento nem mesmo teimoso.
E pela janela nem mesmo sol sabe
Coisa que só onde des(pensa) vive
Semente rara, caso tudo desabe
Ela faria o que se revive.
Um som indigente
Fez-me o espio
Levanto crente
Desse desvio.
E quando levo corpo à checagem
Janela intacta, cortina a dormir.
No ventilador, apenas bobagem
Quebrado, caído, me ponho a sorrir.
Um pingo de raio se coloca pela fresta
E vejo a verdade do sonho horroroso.
Barulho parece pior, se infesta.
Esquecer do resto da casa é que é
Perigoso.
(Vanessa Brunt)
Muitas pessoas me perguntam o que eu estou esperando. Dizem que eu preciso sair mais, conhecer gente nova, me permitir viver experiências. Algumas acreditam que o amor é algo que se encontra pela insistência, pela exposição ou pela quantidade de portas que se abre ao longo do caminho. Talvez seja por isso que se surpreendam quando percebem que eu não procuro ninguém.
A verdade é que eu nunca procurei.
Não porque tenha desistido do amor, mas porque aprendi a diferenciar carência de conexão. Aprendi que a minha paz vale mais do que qualquer companhia e que nem toda presença é capaz de preencher aquilo que realmente importa.
Durante muito tempo, ouvi que eu precisava me mostrar mais ao mundo para ser encontrada. Como se o amor estivesse escondido em algum lugar e dependesse apenas de eu circular pelos ambientes certos para finalmente acontecer.
Mas o que meu coração espera nunca foi alguém qualquer. Nunca foi um encontro que servisse apenas para aliviar a solidão ou ocupar um espaço vazio.
Talvez seja justamente por isso que a minha espera tenha se tornado tão incompreendida.
Eu não estou esperando um relacionamento. Estou esperando uma conexão genuína. Algo que não possa ser forçado, fabricado ou apressado. Algo que alcance lugares que nenhum toque vazio é capaz de alcançar.
E não, isso não significa que eu não tenha desejos. Sou humana. Tenho saudades do que ainda não vivi. Tenho sonhos, expectativas e, por vezes, sinto o peso da ausência de alguém com quem compartilhar a vida.
Mas aprendi que sentir falta de uma conexão verdadeira não é motivo para aceitar qualquer aproximação.
Houve um tempo em que escolhi me guardar. E essa escolha me ensinou muito mais sobre mim do que sobre o amor. Aprendi a ouvir meus próprios silêncios, a compreender meus desejos sem me tornar refém deles e a reconhecer o valor daquilo que entrego quando decido permitir que alguém se aproxime.
Por isso não abro as portas apenas porque alguém bate. Não porque me considero difícil. Não porque me sinto superior. Mas porque algumas coisas dentro de mim custaram caro demais para serem entregues sem significado.
Se um dia acontecer, que seja verdadeiro. Que não nasça da pressa, da conveniência ou do medo de estar só. Que venha carregado de propósito, reciprocidade, admiração e permanência.
E se não acontecer, ainda assim estarei em paz.
Porque eu não construí a minha vida em torno da falta de alguém.
Mas continuo esperando.
Não por necessidade.
Por esperança.
Porque ainda acredito que algumas conexões não são encontradas por quem as procura desesperadamente. Elas chegam quando duas almas se reconhecem e, sem esforço, entendem que finalmente encontraram um lugar onde podem permanecer.
2 de fevereiro 2024
*
"Sempre observo o amanhecer
e o entardecer,
falando comigo através de paisagens..."
***
( Francisca Lucas )
____________________
Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
¹¹ Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.
Salmos 91:10,11
Que a semana comece com tudo que o bem emana...❣☚🌻
Há tempos escolhi esperar.
E às vezes as pessoas confundem a minha espera. Pensam que é ausência de desejo. Que é medo. Que é excesso de cuidado. Que é uma renúncia amarga feita por quem desistiu de viver.
Mas não.
Eu espero justamente porque sinto. Talvez mais do que deveria. Talvez porque tudo em mim sempre tenha sido intenso demais para caber nas superficialidades que o mundo oferece.
Eu não sinto falta de qualquer abraço. Não desejo qualquer presença. Não anseio por qualquer toque. O que me falta não é um corpo ao lado do meu. É uma alma que saiba permanecer.
Porque o toque, sozinho, nunca foi suficiente para mim. Meu coração sempre desejou aquilo que vem antes dele: a conversa que atravessa a madrugada, o interesse genuíno, a admiração silenciosa, a paz de poder ser quem sou sem precisar diminuir minhas profundezas para caber nos espaços de alguém.
Eu quis alguém que me encontrasse por inteiro. Alguém que compreendesse que meu corpo faz parte de mim, mas não é tudo o que sou. Que enxergasse a mulher por trás dos sorrisos, das fotografias, dos textos e das fortalezas que construí ao longo da vida.
Por isso me guardei.
Não porque me considero forte o tempo todo. Há dias em que a solidão pesa. Há noites em que a espera parece longa demais. Há momentos em que meus desejos me lembram que sou humana, que sinto, que sonho, que também gostaria de ter alguém para dividir os silêncios e repousar a cabeça depois de um dia difícil.
Mas, ainda assim, permaneço. Porque descobri que algumas esperas não são castigos. São cuidados.
E Deus sabe quantas vezes escolhi preservar aquilo que existe de mais precioso em mim, mesmo quando ninguém estava olhando. Quantas vezes troquei a facilidade de um momento pela esperança de uma história. Quantas vezes recusei o vazio disfarçado de companhia.
Eu não espero por perfeição. Não espero por um conto de fadas. Espero por verdade. Por uma conexão capaz de alcançar lugares que nenhuma aparência consegue tocar. Espero por alguém que compreenda que amor não é urgência. É construção. É presença. É escolha.
E se a minha espera tem sido longa, talvez seja porque meu coração nunca procurou qualquer pessoa. Ele sempre procurou lar.
E lares não são encontrados às pressas.
São reconhecidos.
29 de Janeiro de 2024
Há tempos carrego uma espera.
Não uma espera vazia, dessas que apenas contam os dias. É uma espera que me transformou. Que me ensinou a olhar para dentro, a compreender meus desejos, meus limites e os propósitos que Deus foi revelando ao longo do caminho.
Durante esse tempo, aprendi que esperar não é ficar parada. É preparar o coração para aquilo que se deseja viver. É cuidar da alma enquanto o tempo faz o seu trabalho silencioso. É permanecer fiel ao que acredito, mesmo quando a saudade de algo que ainda não aconteceu insiste em visitar meus pensamentos.
Tenho anseios. Tenho sonhos. Tenho o desejo de construir uma história bonita, de encontrar alguém com quem eu possa compartilhar a vida, os silêncios, os risos, os desafios e as conquistas. Alguém que compreenda que o amor verdadeiro não se sustenta apenas no encanto dos encontros, mas na decisão diária de permanecer.
Também tenho desejos que habitam meu corpo e minha alma. Sou humana. Sinto. Espero. Mas aprendi a não permitir que a pressa seja maior que o propósito. Porque algumas promessas florescem melhor quando respeitamos o tempo necessário para que criem raízes profundas.
Por isso sigo.
Nem sempre com a mesma força. Nem sempre sem questionamentos. Mas sigo. Acreditando que aquilo que Deus prepara não chega para preencher vazios, mas para somar caminhos, fortalecer propósitos e multiplicar alegrias.
Enquanto esse dia não chega, continuo cultivando quem sou. Continuo aprendendo, amadurecendo e me tornando a mulher que desejo ser quando o encontro acontecer.
Porque a minha espera não é ausência.
É preparação.
E cada dia vivido com propósito me aproxima não apenas de alguém, mas da versão de mim mesma que estará pronta para viver, com verdade e inteireza, tudo aquilo que hoje entrego em oração. 🌷
24 de janeiro 2024
Quando necessitar ausentar-se,
não vá longe.
Fique distante apenas o suficiente para que a saudade me visite,
mas nunca o bastante para que a tua presença deixe de morar em mim.
Que eu sinta tua falta,
mas continue encontrando você nos detalhes.
Não apenas nas lembranças,
mas nos gestos que permanecem,
nos silêncios que ainda carregam o som da tua voz.
Faça-se presente.
Demarque o teu lugar em meu coração para que o tempo jamais esfrie o abraço,
nem permita que a distância enfraqueça aquilo que construímos.
Porque gosto da saudade quando ela é ponte,
não quando se torna abismo.
Então vá, quando for preciso.
Mas deixe sempre um caminho de volta até mim.
Mantenha-se ecoando em forma de cuidado,
de carinho,
de amor.
Como quem zela pelo que é precioso.
Como quem, mesmo distante,
carrega no peito o desejo sincero de regressar ao seu lar.
O tempo é um ativo que busco,
sem adereços usar o dom divino,
Sem querer ser pretensiosa;
jamais na vida o desperdiço,
para a posteridade tenho escrito.
Da Paineira-rosa tenho a estatura:
O que pode levar distante a ternura,
nunca começa bem, logo não insisto.
O que ilude não convém porque confunde,
porque quero o que derrama e funde.
Quem é poeta sabe ler gente,
que são como água e azeite;
O romance e o drama sempre
serão dissonantes, paulatinamente.
A minha liberdade só encontra,
com cumplicidade outra liberdade
— E com o que é de verdade —
Porque se fez arrumada por dentro
para resistir a qualquer tempestade.
Indisponibilidade é porta blindada,
que não foi feita para ser forçada
pela virtude e disponibilidade;
Disponibilidade não é fachada:
é o caminho aberto e áureo.
Disponibilidade é encontro.
Se não existe como rumo novo,
não deve ser como caça ao tesouro;
Porque é o sol que sempre nasce
para quem realmente entendeu o jogo.
"O Peso dos Pensamentos"
Eu não penso tanto quanto pensava antes.
Com o tempo a gente descobre que pensamento pesa. Pesa nos ombros, pesa no peito, pesa na noite que não dorme. No começo é bonito pensar demais. Parece que se você pensar o suficiente, resolve o mundo. Resolve a vida. Resolve a dor.
Mas chega uma hora que a cabeça cansa de correr em círculo.
Aí você para.
Não é que pare de sentir. É que para de gastar energia tentando entender tudo de novo. O que já doeu, já doeu. O que já entendeu, já entendeu.
E é aí que começa o outro movimento: você para de pensar e começa a lembrar.
Lembra do que pensou há dez anos, há vinte. Lembra das conclusões que já tirou e esqueceu. Lembra das coisas simples que a pressa fez você jogar fora.
Talvez seja isso envelhecer: trocar a busca por respostas novas
pela coragem de olhar de novo pra resposta velha.
Marcio Melo
Não se demore longe...
Fique apenas o suficiente para que a saudade floresça mansa dentro de mim,
como quem rega uma ausência necessária para tornar o reencontro ainda mais bonito.
Mas não vá tão longe a ponto de levar consigo os vestígios da tua presença.
Deixe ficar o eco da tua voz,
a lembrança do teu riso,
os pensamentos que insistem em me encontrar nos momentos mais distraídos do dia.
Ausente o bastante para que eu sinta tua falta.
Presente o bastante para que eu continue te sentindo.
Porque há distâncias que aproximam,
e saudades que, em vez de afastar,
nos fazem habitar ainda mais profundamente o coração um do outro.
Então não se demore longe...
Fique apenas o tempo necessário para que a saudade exista,
mas nunca o bastante para que eu precise aprender a viver sem você.
Que Importância Tem Isso Agora?
Hoje já não tem mais importância, não é mesmo?
Já não há mais volta.
São outros tempos.
Tempos estranhos, mas que não apagaram o que foi vivido.
Distâncias enormes, carregadas de sentimentos enclausurados.
Mãos que se tocam, cheias de velhas lembranças.
Olhos que se fecham na busca do início.
Saudades... muitas saudades.
Mas... que importância tem isso agora?
Ou talvez tenha.
Talvez more justamente aí, nas lembranças que resistem ao tempo,
nos sentimentos que se recusam a partir,
nas marcas invisíveis que carregamos pela vida.
Porque algumas histórias terminam,
mas nunca deixam de existir.
Ivo Terra Mattos
O amor é o néctar que adoça.
É a essência que perfuma, espalha o aroma,
pinta com suas cores e embeleza a vida.
Estamos vivendo uma época estranha e paradoxal. Enquanto tentamos dar um toque humano à inteligência artificial, ao mesmo tempo nos tornamos robóticos no atual modo de viver, com métricas, gurus e fórmulas mágicas, como se isso fosse possível perante a complexidade humana e o que chamamos de acaso.
O pior é ter que ouvir inverdades de alguém que omite a história vivida
Que não se encoraja a desculpar-se
Mas é exuberante na acusação
Vestígios
Às vezes, vejo você em rostos desconhecidos,
em palavras soltas de frases que um dia foram nossas.
Já a encontrei em abraços de despedida,
em beijos de chegada,
até no perfume que o vento traz sem avisar.
Já acariciei rostos que guardavam seus traços,
olhei dentro de olhos parecidos com os seus,
mas nada era você.
Ninguém mais foi você.
Ivo Terra Mattos
Aquele que busca diariamente a renovação da mente por meio da Palavra de Deus é capacitado a discernir e experimentar a boa, agradável e perfeita vontade do Senhor.
A oração não deve ser tratada como uma atividade ocasional, mas como uma disciplina espiritual inegociável na vida de todo cristão.
