Coleção pessoal de pensador
As coisas do passado são vertiginosas como o espaço, e seu traço na memória é deficiente como as palavras.
A memória não consegue restaurar fielmente os pesados caprichos da embriaguez e se esgota com o esforço.
O sal das horas se dilui, e na agonia do passado que se inicia, o futuro amanhece e imediatamente começa a correr.
A escrita exige drama e o drama nasce da luta angustiante entre a esperança e a desesperança, onde a fé, imagino, desempenha um papel essencial.
Estou farto de escrever sem a esperança de poder um dia me superar, de poder ultrapassar minha própria sombra.
É impossível satisfazer o impulso animal de escapar, uma vez que, a partir do caos da alma, não há para onde fugir.
Eu sei, é claro, que a memória retém tudo sem piedade, e admito minha fraqueza: tem coisas que eu não quero lembrar.
Me dói dizer isso, mas, como seres humanos, não há absolutamente nada em que possamos confiar além do nosso próprio julgamento.
Nossa própria civilização bárbara, maravilhada com o ato da criação, não respeita a criação de forma alguma.
Se alguém pudesse aprender as coisas mais importantes da vida, ainda teria que aprender a ficar calado sobre elas.
Nos momentos mais significativos da vida, a mente está ocupada com coisas completamente não essenciais e insignificantes.
É como se eles [os prêmios literários] provassem que não passei minha vida toda em vão, que pelo menos escrevi algo que pode ser bom para outras pessoas, ou pelo menos essa é a minha esperança.
