Coleção pessoal de pensador
Com a voz embargada, entre a tristeza e a alegria, eu digo sim, quero continuar, com todos os riscos, quero ver mais um dia abrir de novo e meu coração também.
Porque, se a vida se transforma o tempo todo, talvez o único jeito de manter-se minimamente saudável seja também continuar em movimento:
todo amor que posso experimentar é contingente.
Quando pensamos em algo novo, ou estranho, e inquietante, muitas vezes esquecemos que há determinadas sensações de estranhamento que não vêm de algo que é inédito, mas justamente do que nos é familiar de alguma forma ainda não bem elaborada. Nem tudo que é familiar é automaticamente agradável ou confortável.
Aprendi diversos tipos e uma só regra: fazer pão é como se apaixonar. É preciso sentir os ingredientes. A cócega que a farinha provoca na palma da mão, o deslizar da manteiga, o fermento que é fino mas pesa um pouco e gruda nas linhas das mãos. Depois, dedicar atenção à sova, ao amassar vigoroso. O repouso da massa aproxima os cozinheiros dos escritores. Assim como um texto precisa descansar as palavras por um tempo antes de ser apreciado por olhos alheios, a massa pálida do pão precisa ficar só para se fazer magia. Estufada, com o dobro do tamanho e uma textura areada está quase pronta. Dependendo do forno, dá para fazer até dois tipos de milagre ao mesmo tempo.
Gosto de amor fácil. Que saiba: percepção requer envolvimento, juízo bom é pouco, assunto importa. Prefiro amor aparente. Em que feriados são inventados, atos falem delícias, exista perfeito acolhimento de convites ao silêncio. Quero amor sem ornatos. Com fomes primitivas, espantos ofertados de vez em quando, ventos deslinhavador de certezas. Espero amor visível. Capaz de transtornos em relógios, desperdiçar-se em fantasias, cair em precipícios, domesticar vendavais. No entanto, terei o desconhecido, inesperado, arrebatador amor que é teu. Sorte minha.
Pessoas são galáxias e, perdão pelo óbvio ululante, galáxias têm estrelas. Acontece que também têm outros corpos celestes, matéria escura, buracos, planetas, poeira, gás cósmico.
Tudo coexistindo, de modo perfeitamente confuso, orgulhosamente caótico.
Tipo gente.
Que de vez em quando ri de nervoso, fala o que não pensou, silencia o que deveria ser dito, hiperventila de medo, vai embora porque não sabe existir quando a vida faz o que sabe fazer de melhor: gargalhar dos nossos planos cheios de certezas.
Eu sofro quando ela sofre, e eu sou feliz quando ela é feliz. Eu não consigo distinguir onde eu termino e ela começa.
Você quer saber qual é o meu problema? Você. Você é o meu problema. Minha vida era perfeita até eu te conhecer. Mas se tornou uma bagunça desde que você entrou na minha vida.
Coisas falsas são sempre mais doces. Salvação, amor, felicidade e afins. Coisas doces são prejudiciais. Você sabe qual é a pior de todas? Felicidade. Os humanos acabam infelizes porque tentam ser felizes.
