Coleção pessoal de pensador

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⁠Quem renuncia ao mundo tem de amar a todos os seres humanos, pois também renuncia ao mundo deles. A partir daí começa a pressentir a verdadeira essência humana, que não é outra coisa senão poder ser amado, pressupondo-se que esteja à altura disso.

⁠É ridículo como você coloca arreios em si mesmo para este mundo.

⁠A desproporção do mundo parece ser, de maneira consoladora, apenas numérica.

Não deixe que o mal o faça acreditar que você poderia guardar segredos diante dele.

⁠Aquele que ainda em vida não se acerta com a vida precisa de uma das mãos para, com ela, afastar um pouco o desespero com o próprio destino – o que só se dá de maneira muito incompleta; com a outra mão, pode então registrar o que vê debaixo dos escombros, porque ele vê de outro modo e vê mais que os outros; afinal, morto em vida, ele é o verdadeiro sobrevivente.

⁠Como pode um coração, um coração não muito saudável, suportar tanta insatisfação, tamanha ânsia a dilacerá-lo sem cessar?

⁠Um momento de reflexão: Dê-se por satisfeito, aprenda (aos quarenta anos, aprenda) a ter paz no momento (sim, no passado você conseguia). Sim, no momento, no momento terrível. Ele não é terrível, é apenas o medo do futuro que o faz assim.

⁠A felicidade não é, pois, a coragem, e sim o destemor, sereno, de olhar franco, capaz de suportar tudo.

⁠Não evito as pessoas para poder viver em paz, e sim para poder morrer em paz.

⁠Estar sozinho é algo que tem um poder sobre mim que nunca falha. Meu íntimo se solta (superficialmente, por enquanto) e se revela disposto a deixar emergir coisas mais profundas.

Dormi, acordei, dormi, acordei, vida miserável.

⁠Criamos personagens para nós desde bebezinhos. Mas nós não somos nenhum deles. Não há um personagem fixo e permanente. Cada experiência que passamos nos modifica. Não há nada fixo. Tudo é impermanente.

⁠Somos a teia da vida. Somos a vida da Terra, interconectados, interligados com tudo o que existe. Somos um único corpo.

Tudo o que fazemos, falamos e pensamos mexe com a trama da existência.

⁠Se não formos capazes de apreciar este instante, não seremos capazes de apreciar nenhum outro momento.

⁠Somos todos sobreviventes de dinossauros e catástrofes, de guerras e extermínios. E sempre haverá quem sobreviva a todos nós.

Que corrijam nossas faltas e erros, que não os repitam e deem vida à sua própria vida.

⁠Cada vez que percebemos nossos descuidos, erros, faltas, não podemos voltar e apagar o que aconteceu.
Mas podemos nos comprometer a não repetir o erro.

⁠Há tantas possibilidades de ser feliz.
Há tantos instantes de bem-estar: encontrar uma rua, uma pessoa, descobrir ensinamentos, conhecer a si mesmo.

Talvez este último seja o verdadeiro estado de satisfação, esta a maior alegria – o autoconhecimento.

⁠Podemos fazer de nossa vida uma semente de ternura, de inclusão, de cuidado e sabedoria, de compaixão e gratidão, e não de maldade, do fel amargo da inveja, do rancor, do ódio e terror.

⁠É hora de despertar. Já não estamos mais no casulo que foi tão importante para nos gestar. Podemos abrir as asas e voar, livres e interdependentes, sendo o ar e a vida.

⁠Já não sou quem fui há um instante. Li um livro, ouvi um pensamento diferente dos meus e morri para quem eu era. Renasci para um novo eu, que também não dura mais do que alguns milionésimos de segundo. Logo já sou outra, e nunca a mesma.