Coleção pessoal de pensador
Quando o portão se fecha na frente dos rostos perturbados dos guardas, fica claro que eles realmente acreditam que somos criaturas repugnantes que precisam ser escondidas para proteção, para o nosso próprio bem, para exorcizar os demônios escondidos dentro de nós, mas, mesmo neste lugar amaldiçoado, com raiva, medo e ressentimento fervilhando dentro de mim, ainda não me sinto mágica. Ainda não me sinto poderosa. Eu me sinto abandonada.
No condado, não há nada mais perigoso do que uma mulher que diz o que pensa. Foi o que aconteceu com Eva, sabe, o motivo pelo qual fomos expulsas do céu. Somos criaturas perigosas. Repletas de charmes diabólicos. Se tivermos a oportunidade, usaremos nossa magia para atrair os homens para o pecado, para o mal, para a destruição.
Este é o único lugar onde podemos ser livres. Sem controlar nossos sentimentos, sem engolir nosso orgulho. Aqui podemos ser o que quisermos. E se extravasarmos tudo (...), não precisaremos mais sentir essas coisas. Não precisaremos sentir nada.
I. Amarás a beleza, que é a sombra de Deus sobre o Universo.
II. Não há arte atea. Embora não ames ao Criador, o afirmarás criando a sua semelhança.
III. Não darás a beleza como isca para os sentidos, se não como o natural alimento da alma.
IV. Não te será pretexto para a luxuria nem para a vaidade, se não exercício divino.
V. Não buscarás nas feiras nem levarás tua obra a elas, porque a Beleza é virgem, e a que está nas feiras não é Ela.
VI. Subirá de teu coração a teu canto e te haverá purificado a ti o primeiro.
VII. Tua beleza se chamará também misericórdia e consolará o coração dos homens.
VIII. Darás tua obra como se dá um filho: tirando sangue de teu coração.
IX. Não te será a beleza ópio adormecido, se não vinho generoso que te estimula para a ação, pois se deixas de ser homem ou mulher, deixarás de ser artista.
X. De toda a criação sairás com vergonha, porque foi inferior a teu sonho e inferior a esse maravilhoso Deus que é Natureza
O Pensador de Rodin
Apoiando na mão rugosa o queixo fino,
O Pensador reflete que é carne sem defesa:
Carne da cova, nua em face do destino,
Carne que odeia a morte e tremeu de beleza.
E tremeu de amor; toda a primavera ardente,
E hoje, no outono, afoga-se em verdade e tristeza.
O havemos de morrer passa-lhe pela mente
Quando no bronze cai a noturna escureza.
E na angústia seus músculos se fendem sofredores.
Sua carne sulcada enche-se de terrores,
Fende-se, como a folha de outono, ao Senhor forte
Que o reclama nos bronzes. Não há árvores torcida
Pelo sol na planície, nem leão de anca ferida,
Crispados como este homem que medita na morte
As mães, recordando batalhas,
sentadas se encontram no umbral.
Os meninos foram ao campo
colher as frutas do ananás.
Ao pé de seu cerro alemão
com o eco se põem a brincar.
Meninos de França respondem
sem rosto no vento do mar.
Palavra e refrão não entendem
mas logo buscam se avistar.
E não haverá mais segredo
quando nos olhos se mirarem.
Agora no mundo o suspiro,
O sopro se pode escutar.
E a cada estribilho as cirandas
se aproximam um pouco mais.
As mães, subindo a vereda
de odores que leva ao pinhal,
chegando à ciranda, começam
colhidas pelo vento a voar.
Os homens procuram por elas
e, sentindo a terra girar
e o canto dos montes ouvindo,
a volta do mundo vão dar.
Este longo cansaço se fará maior um dia,
e a alma dirá ao corpo que não quer seguir
arrastando sua massa pela rosada via,
por onde vão os homens, contentes de viver...
Todas íamos ser rainhas
de quatro reinos sobre o mar:
Rosalia com Efigenia e
Lucila com Soledad
No vale de Elqui, rodeado
de cem montanhas ou de mais,
que como oferendas ou tributos
ardem em vermelho e açafrão
O dizíamos embriagadas
e o tivemos por verdade
que seriamos todas rainhas
e chegaríamos ao mar.
Com as tranças dos sete anos
e batas claras de percal
perseguindo pássaros foragidos
na sombra do figueiral.
Dos quatro reinos,
dizíamos, indubitável como o Korán,
que por grandes e por certos
alcançariam até o mar
Quatro esposos desposariam
no tempo de desposar
e eram reis e cantadores
como David, rei de Judá.
Eu costumava passear apenas quando o tempo estava bom. Agora eu passeio em qualquer clima. Quando viajo, a minha maneira favorita de me familiarizar com uma cidade é caminhar por ela. Por que não fazer o mesmo na minha cidade natal?
Um dos preditores mais fortes de felicidade é se a sua atenção está ou não focada no momento presente.
Existe apenas uma vida muito boa, e essa é a vida que você sabe que deseja e que constroi para si mesmo.
Li em algum lugar como é importante na vida não necessariamente ser forte, mas sentir-se forte… se medir pelo menos uma vez.
Cheguei a um acordo com o fato de que a incerteza é um corolário inevitável da vida. Uma abundância de mistério é simplesmente parte do negócio - o que não me parece algo a lamentar.
Se essa aventura se revelar fatal e nunca mais tiver notícias de mim, quero que saiba que você é um grande homem. Caminho agora para dentro da Natureza Selvagem.
Saindo de Atlanta para o oeste, pretendia inventar uma vida totalmente nova para si mesmo, na qual estaria livre para mergulhar na experiência crua, sem filtros. Para simbolizar o corte completo com sua vida anterior, adotou um nome novo. Não mais atenderia por Chris McCandless; era agora Alexander Supertramp, senhor de seu próprio destino.
Ele estava convencido de que manteria sua palavra. Não porque ele temesse pela sua saúde, mas porque não se pode quebrar uma promessa feita a um anjo da guarda.
