Coleção pessoal de pensador
Há apenas duas formas de ficar completamente sozinho neste mundo: perdido na multidão ou em total isolamento.
Chego ao campo e encontro
a transparência que me arrebata.
A paisagem sonora nada interrompe,
propaga-se pelo ar e regressa em eco.
O dia finda na debandada dos pássaros.
Durante a noite o fogo alimenta-me.
O vinho e a madeira dilatam,
indiferentes à estação.
Deitada na cama não me falta o ar.
Do céu vê-se a casa,
na casa o quarto,
dentro dele, eu.
A mudança está na cabeça das pessoas. Os movimentos sociais não tomam o poder. Eles dissolvem o poder por meio da transformação mental.
Em algum momento, há um fato que provoca a indignação (...) e, então, ao sentir a possibilidade de estarem juntos, ao sentir que há muitas pessoas que pensam o mesmo fora do âmbito institucional, surge a esperança de fazer algo diferente.
Preferia não saber das ruas
onde posso desfazer-me do desejo.
Ir ao encontro das estátuas
para me refazer do medo.
A noite é pequena e cabe
num gesto atirado ao ar
quando se parte sem olhar para trás,
nem necessidade de confirmar amor algum.
Tirei tudo dos bolsos.
Toquei o rosto para sentir a temperatura.
Não estou morta nem vou morrer.
De regresso a casa, a única certeza:
que a manhã virá para reflectir a palidez,
a habitual dificuldade em existir cedo.
Um país educado com internet progride. Um país sem educação utiliza a internet para fazer “estupidez”. Isso a internet não pode resolver, isso só pode ser resolvido pelo sistema educacional.
Poderia praticar esta forma de vida
que me assenta melhor do que a minha.
Quero dizer
é dentro da cabeça
e fora da minha vida
que me sinto menos só.
Poderia ficar aqui algum tempo
deslocando a cadeira
para acompanhar a trajectória do sol.
Não o faço.
Abro a porta que dá para a casa
e deixo devoluta a vida
imaginária no jardim.
Os últimos de pé são os vencedores. Apenas os mais fortes. Se quer ser um deles, fique forte.
(Tobio Kageyama)
Se você é o rei que governa o tribunal, eu vou ter que derrotá-lo e eu serei o último de pé!
(Hinata Shouyou)
COMO CORTAR RELAÇÕES
Às vezes tesoura cega basta
noutros casos é preciso usar os dentes
o fio de uma peixeira a minúcia
de um canivete suíço
às vezes a substância é tão frágil que
com a ideia de um corte se desmancha
noutros casos há que cortar os mares
não sei de quem a mão
fantasma que esfuma
o meu rosto o meu tempo o reflexo
que me habituei
a confirmar aqui
não sei quem plantou
na minha cara uma outra
biografia
não sei ao certo
mas desconfio que essa neblina
no espelho
seja eu.
Nos objetos fabricados pelos tuaregue
com seus poucos recursos
para o uso cotidiano
bolsas
selas de camelo
tendas
seria de se supor alma seca
alinhavada pela funcionalidade
no entanto eles os fabricam
intrincados
coloridos
lindos
com seus poucos recursos
cunhando
do deserto
um carnaval
