Coleção pessoal de noi_soul

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⁠Uma vida inteira
valida as decisões de um segundo.
Qual a vida?
Qual o segundo?
Qual a história contarei?
A história é o agora
O tempo é a ponte
E as certezas são todas inúteis
Pois teríamos que inventar a verdade
para ter certezas úteis!

⁠Sou a contradição aos pedaços
Sou o som da mudez no espaço
Sou a pedra no meio do caminho
Sou a bebida do meu desalinho.

⁠Eu sou a intensidade da monotonia
Sou o cansaço da alegria
Sou a temperança da própria raiva
Sou a paixão lasciva e viva.

⁠Sou a persona grata non here
Sou o pudor da vergonha em mim
Sou o estrago do próprio embaraço
Sou o nó que desfaz o laço...

⁠Eu sou o buraco que não se esconde
A teia de aranha que engole o mal
Eu sou a tempestade do vento suave
Sou a certeza do vendaval.

⁠Eu sou o inverso do início
Sou o fim do começo do precipício
Sou a incerteza da minha razão
Sou o céu azul da escuridão.

⁠Sou a fronte acesa do fogo
Sou o extremo oposto do sol
Sou a figura em transe no rosto
Sou o temporal no fim do arrebol.

⁠Sou o escândalo da noite
Faceira
Sou o perfume, em cândido ardor
Sou a mortalha que prende o meio
Sou estranheza banhada em torpor.

⁠Sou a penúria da escassez
Que murmura
Sou o sentir da falta de sentimentos
Sou a paisagem da beleza
Enfeitada
Eu sou a sombra do próprio
Tormento!

⁠Eu sou o grilhão que prende a liberdade
Sou a pátria enfurecida
A vaidade!
Sou o pesadelo dos que dormem assombrados
Sou o estômago revolto
Revirado!

⁠Sou o revés de mim mesma
Sou a mão que açoita minha solidão
Sou o pesar do desespero
Sou a vida da morte em vão.

⁠Como se o tempo não bastasse
Eu me basto, meu amor!
Como se o tempo não vastasse
Eu me vasto, meu amor!

⁠Eu tive todas as oportunidades na vida
Inclusive quando não tive nenhuma.

⁠Cuide do seu corpo
De maneira que seus cuidados não escravizem suas ações
Cuide da sua mente
De uma maneira que seus cuidados não escravizem seu pensamento
Cuide da sua alma
De uma maneira que seus cuidados não escravizem seu sentimento
Cuide do seu espírito
De uma maneira que seus cuidados não escravizem você inteiro...

⁠Reconheço minha ignorância
Mas não me conformarei enquanto não puder ajudá-la!
Ajudar a quem?
A mim ou a minha ignorância, talvez...
Ajudá-la a olhar outros olhos
Verdadeiros reflexos de quem sou
Ajudá-la a enxergar outras faces
Herdeiros do mal e do bem, do não e do sim...
Ajudá-la a desterrar as máscaras
A soberba
A preguiça
A vaidade
Ah, como a ignorância é vaidosa!
Ela se esconde em si mesma.

⁠Estou pasma com a grandeza
dos pequenos detalhes
inutilizados… ou quase!
Com a esperteza dos tolos
com as dimensões de outros
possíveis, vãs, universos.

⁠Estou isolada do mundo
- E quem não está?
Uns fingem
Outros rolam
Outros ainda… Enrolam!

⁠De tanto dizer
que sou ingênua
posso acabar
acreditando em mim...

⁠Não aceito migalhas dos meus próprios pensamentos.
Posso aceitar migalhas dos outros
e até de mim mesma,
mas nunca aceitarei migalhas
do meu próprio pensamento.

⁠Como posso considerar a não boniteza
bela?
Eu posso tudo enquanto caio
em direção ao desconhecido,
afinal, estou morrendo, lembra-se?