Coleção pessoal de nildinha_freitas_1
Meu lugar
Sentei muitas vezes num lugar que não era meu.
Não porque eu quisesse roubar o lugar do outro;
é que aquele não era o meu lugar.
Sentei como quem senta apenas por sentar.
Plantei muitas vezes em terrenos que não dariam frutos,
mesmo sendo meus.
Não que eu tivesse plantado errado.
Plantei tudo certo.
É que a terra não era boa
e, por isso, não frutifiquei.
Mas juro, eu tentei.
— Nildinha Freitas
É que o amor se esconde nas curvas de sua alma nua e bela. É que o amor mora dentro dos seus olhos negros que parecem o céu de estrelas. É que o amor fala comigo por meio do seu sorriso, e eu vou sentindo você nos detalhes mais simples e amando cada dia mais.
Nildinha Freitas
Há quem pense que morrer é o fim; eu não penso assim!
A morte é uma porta de passagem que se abre para o mundo que escolhemos enquanto vivos estivemos sobre esta terra.
Morrer é apenas passar, passar desta para melhor, ou para pior, quem sabe?!
Nildinha Freitas
Amar é ser livre!
Ninguém disse que o amor é submissão, prisão ou um modo de se escravizar. Nunca foi dito isso. O amor é um modo de se libertar; é um jeito de ser livre em um mundo acorrentado por ideias prescritas, estabelecidas por uma sociedade que grita. O que ela grita é: "Eu não quero laços, eu não quero estar próximo, eu não quero me prender".
O amor não é uma corrente; ao contrário, é a chave que liberta, que abre e que nos deixa livres para podermos voar como um pássaro em dia de sol, que voa sem saber para onde vai, mas que já está indo.
Nildinha Freitas
Eu preciso escrever um poema
Eu preciso de um poema.
Eu preciso escrever um poema de versos brancos,
que não se preocupe com rimas.
Eu preciso escrever um poema
que fale de amor sem dizer “eu te amo”.
Eu preciso de um poema.
Eu preciso escrever um poema
que não tenha travas,
que não tenha nada que me feche os olhos.
Eu preciso escrever um poema
que faça com que você enxergue
e que eu também possa enxergar.
E que eu possa ver o amor
nas coisas simples e banais do dia a dia.
Eu preciso escrever um poema
que não rime com nada,
só com alegria.
— Nildinha Freitas
Todos os dias aprendo a recomeçar! O passado é página que não dá para refazer; com ele, é só aprender!
O agora, esse tempo que tenho em minhas mãos, com ele é só construção. E o futuro, esse que vislumbro à minha frente, para ele vou melhorar e fazer diferente.
Nildinha Freitas
Durante muito tempo em minha vida,
eu fui grito,
mas aprendi a usar o não dito,
o não falar,
o não precisar gritar.
Eu aprendi que não dizer
fala bem mais
que uma, duas, três palavras e meia, ditas ou escritas.
O silêncio é a extensão da fala,
e não perde nada quem também cala.
Nildinha Freitas
Nunca estive preparada para partidas ou despedidas inesperadas. Ninguém me ensinou que alguém pode ir embora antes do fim, ou decretar um fim no meio da estrada. Ninguém nunca me falou nada.
Despedidas e separações são cortes profundos na alma, e eu nunca estarei preparada. Haverá lágrimas e haverá saudade, porque tudo o que sou é amor ao eterno. Mas finais felizes nem sempre serão um 'para sempre'.
Rótulos.
Desde que me reconheço como ser humano, fui rotulada por pessoas que sempre quiseram me pressionar a me calar, a me deixar em um lugar que nunca foi e nem será meu. Recebi o rótulo de complicada demais, de difícil de lidar; daquela que fala mais do que deveria e que se cala quando poderia falar.
Hoje, sou grata por todas as vezes que me rotularam, que tentaram me fazer desistir da minha autenticidade humana. Só o fizeram porque temiam a mulher que sei que sou! Aprendi a respeitar todo mundo, mas não aceito o desrespeito de ninguém; este é o motivo de tantos rótulos pairando sobre mim.
Escolha amar e viver coisas boas. Continue sendo feliz e se amando neste mundo cheio de fantasias temporais.
Nildinha Freitas
Quem não lê acaba sendo engolido pela névoa do desconhecimento, engolido e lido pelos que leem o mundo. A leitura deve ser de prazer e levar à cura. Mas ninguém lê só palavras. É necessário ler as pessoas sem julgar o final da história antes do fim.
Nildinha Freitas
Inteiramente Inteira
Essa sou eu:
uma confusão o tempo todo
dentro de mim mesma!
Certezas? Quase nenhuma.
Às vezes sã,
às vezes insana.
Essa sou eu: menina, mulher!
Aquela que cala,
aquela que canta,
aquela que grita,
mas que ninguém ouve.
Aquela que escuta, de vez em quando,
a voz do próprio coração,
e que encanta quase todo mundo,
ou não.
Essa sou eu:
meio século de histórias contadas e contidas,
de sonhos regados a vinho,
poesias, música,
arte de rua e de amores.
Fui podada, eu bem sei!
Impedida também fui,
mas hoje eu sou livre, livre, livre
feito galho saindo pelos lados da árvore
fincada no chão,
cujas raízes entraram no inferno adentro
só para poder alcançar o meu céu.
Essa sou eu,
razão batendo o tempo todo na minha cara
e palpitando um coração que ama sem medo.
Essa sou eu,
um baú de mil segredos,
com milhares de histórias para contar.
Histórias que nem lembro.
Vou escrevendo, escrevendo, escrevendo e,
de vez em quando,
eu canto, eu canto.
Essa sou eu:
uma mulher inteiramente inteira
e despida.
Nildinha Freitas
De tanto ouvir que eu não conseguiria, quase acreditei; mas, como gosto de teimar, segui minha teimosia.
Nildinha Freitas
Em lugares improváveis eu já encontrei o amor. Ontem mesmo vi amor entre o beija-flor e a rosa.
Eu já encontrei um amor nas mãos enrugadas da mulher que tanto lutou para ser quem é.
Eu já encontrei um amor na fila do banco, enquanto todo mundo tava preocupado com o tempo da demora.
Eu já encontrei um amor no meio da rua, em um abraço de saudade que deixou a minha alma nua.
Eu já encontrei o amor no café com bolo na casa da minha mãe e já vi amor nos olhos inocentes das crianças da minha vida.
Eu já encontrei amor até nas marcas deixadas pelas minhas feridas.
Nildinha Freitas
Escrevo minha história sem roubar o protagonismo de ninguém.
Cada um de nós tem seu próprio céu para existir, feito estrela.
— Nildinha Freitas
É difícil conviver com o caos, esse que se instala dentro do meu inconsciente, dentro de mim. O caos, o não saber, o medo, a dúvida, o não ter noção de para onde ir, a desorganização da existência e os meus questionamentos: o que é certo, o que é errado, o que para mim é bom e o que para o outro não é. É difícil. Às vezes é fácil, mas quase sempre dói muito lidar com o meu próprio caos, com o caos que existe em mim, que é maior do que o caos que existe no mundo. Mas eu também não sou só isso.
Nildinha Freitas
Poema musicado
Nildinha Freitas
Eu e você, Alê
Olha bem para o amor da gente
Olha como ele aconteceu! ?
Quem imaginaria juntar você e eu?
Estávamos
separadas pela linha do horizonte,
ainda assim o destino
Nos juntou.
Sei lá, talvez tenha sido amor,
desde antes de ser
Como você sempre me diz :
tinha mesmo que acontecer!
A gente se encontrou na hora certa,
depois de tanto esperar ter paz
e eu não tive medo de insistir em ficar.
Não que fosse preciso fazer isso,
é porque eu sabia
que tinha ali a conjugação do verbo amar.
E você também me queria, eu sei,
só que não sabia dizer,
não sabia expressar.
Foi acontecendo, acontecendo…
até que, de repente,
já éramos morada uma da outra.
E esse amor
Não é unilateral
Ele se revela
nos detalhes,
no zelo
E quando a gente se olha e diz :
vai ficar tudo bem no final!
Nosso encontro aconteceu
Agora é você, e essa sou eu.
Eu já não consigo imaginar
seguir minha vida sem teu abraço,
sem teu sorriso no final do dia,
sem nossas gargalhadas assistindo The Big Bang Theory
Com ou sem medo, a gente vai,
porque no final do dia a gente se tem.
Nosso amor só aconteceu
É amor entre eu e você Alê
A Maldição do Ego
É tanta guerra por todos os lados: guerras por poder, por território, por ouro, por petróleo. É tanta guerra acabando com sonhos, destruindo vidas. São tantas guerras secando a esperança daqueles que perdem quem amam e deixando sem esperanças aqueles que perdem o amanhã. O sol brilha e o céu também brilha à noite, mas não são estrelas por lá. Assusta.
É tanta guerra, é tanta gente que não está nem aí, gente que não se preocupa, que não liga. É guerra do ego, guerra para dizer quem manda mais.
Não faça de conta que não vê, que não enxerga tudo o que está acontecendo porque parece longe demais, mas está perto. Não faça de conta que não vê o mal dominando o mundo, não finja, não ache normal, não aplauda. Não faça isso! Não fique de um lado defendendo mortes e maldições.
São tantas guerras explodindo lá fora. São tantas guerras explodindo aqui dentro de mim que parece até que o mundo não tem mais jeito. Mas tem. Acredite.
Me abraça! Me abraça!
Sinto medo de vez em quando. E, de vez em quando, eu também sinto coragem pra enfrentar o que parece ser o ponto final.
O que é a vida, afinal?
Nildinha Freitas
Poeta Potiguar
O Tempo
O tempo é um sábio que evita falar.
É um senhor que sabe a hora de calar.
O tempo, o tempo é, inevitavelmente, um remédio que ajuda a curar.
O tempo, ah, o tempo ensina, porque é só nele que a gente cresce ou morre.
Nildinha Freitas
