Coleção pessoal de MauricioCCantelli
Quando você encontra o real sentido da vida, a urgência cede lugar ao próprio viver: a pressa nos tira o sentir.
Muitos querem impor suas concepções e frequentemente se contradizem nas verdades que proclamam; a sabedoria, porém, tem a sutileza de um pôr do sol: dá apenas a luz necessária para clarear o pensamento antes que a noite chegue.
Metas muito altas exigem um preço igualmente alto; impagável seria perder o sentido naquilo que se busca.
Tomar parte da própria vida é o que nos dá lembranças; onde faltam memórias, quase sempre faltou protagonismo.
Viver apenas dentro do que já parece viável é pouco; descobrir a extensão real das próprias possibilidades exige avançar sobre o pretenso impossível.
Se algo vive, é porque muda; o que não muda, cedo ou tarde, apenas parecerá vivo. Nada se perpetua como era; é a vida que permanece, mas já como outra coisa.
O mundo sempre foi e continuará caótico e ruidoso; ainda assim, não perde a paz quem governa a própria alma.
Na vida, portas e janelas se abrem e se fecham; mas ela nos ensina que, mesmo fechadas, ainda deixam alguma brecha de luz.
Os padrões sociais sobrevivem menos por sabedoria do que pelo medo que as pessoas têm de expor suas diferenças; ser igual não exige explicações.
A vida parece acolher melhor os que aceitam o selo da conformidade; muitos o usam por toda a vida, ainda que isso lhes custe o desaparecimento de si.
A pior das armadilhas é a que não nos derruba de uma vez, mas nos acostuma, aos poucos, a viver abaixo do que poderíamos ser.
O melhor da vida não está no que se idealiza, mas no simples viver com a consciência de que cada momento já é vida.
Uma mentira repetida mil vezes continua sendo mentira; no máximo, denuncia a inconsciência de quem a propaga.
Quem nada fez não deveria se queixar do caos; a ordem que desejava pronta custou o esforço que não quis empregar.
