Coleção pessoal de MauricioCCantelli
A adaptação talvez seja a forma mais decisiva da inteligência; a inteligência acha o melhor caminho, mas a adaptação atravessa os obstáculos de qualquer caminho.
Calar-se, às vezes, é fechar as comportas da alma para que a tempestade não arraste o que ainda merece ser preservado.
A distância respeitosa preserva os laços humanos; quem invade espaços não concedidos planta a semente da desconfiança.
O afeto irriga a conexão humana com naturalidade; o interesse falseia a proximidade para extrair proveito.
A amizade não mede o que falta; permanece. A conveniência só chega quando os frutos já estão maduros sobre a mesa.
Quando se confia, abre-se a porta da alma; a decepção nasce quando quem entra não está à altura do lugar que recebeu.
A incompletude tanto pode ser promessa de alegria quanto temor da ausência:
sente-se algo prestes a se cumprir, ou é a falta daquilo que nos foi tirado?
De qualquer modo, o vazio permanece.
Algumas almas divagam, seduzidas pelo simples ver passar, e apenas passam; outras se movem encantadas com o tocar e o fazer — essas são imparáveis.
Jogue gotas de óleo sobre um copo d’água e observe:
o óleo apenas toca a superfície, e a água permanece quase alheia ao que nela repousa. Assim interagem certas essências.
Todos querem trilhar o melhor caminho;
difícil é manter-se firme quando os espinhos ferem, o sol castiga e o horizonte já não se mostra.É então que os valorosos se revelam.
Há quem esteja constantemente feliz, e isso sempre desperta críticas; mas a paz alcançada exigiu muito esforço e muito sofrimento contido — justamente aquilo de que ninguém quer saber.
Ser intenso exige freios firmes;
perceber mais requer domínio do próprio sentir para não se afogar no que se percebe.
Não é rico quem tem tudo, mas quem precisa de pouco; não é sábio quem acredita saber tudo, mas quem compreendeu que nada sabe.
