Coleção pessoal de MauricioCCantelli

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Distraídos com a paisagem, as escolhas não parecem importantes; mas, quando o abismo chega, o desvio pode já ter ficado para trás.

Em sua caminhada, ele chega a uma bifurcação. Para decidir, não reflete muito; apenas olha ao redor. Como a paisagem lhe parece a mesma, conclui que qualquer rota serviria e segue adiante sem fazer o desvio.
Mais à frente, encontra um transeunte e pergunta:
— Aonde me leva este caminho?
O homem responde:
— Este caminho leva a um abismo profundo. E o desvio já ficou para trás.
Assim é a vida: muitas escolhas parecem irrelevantes porque, no início, a paisagem quase não muda. Mas é justamente nelas que o destino se inclina.

Uns criam bolhas mentais; outros passam a viver dentro delas. Uma bolha pode até oferecer conforto momentâneo, mas a paz está em assumir a própria vida com as próprias forças.

A imaginação é a força motriz da criação. Sem limites nem regras, vai e volta, sobe e desce, até que o inimaginável aconteça.

O mundo não lhe prometeu justiça; muitos só lembram da justiça quando os ventos não sopram ao seu favor.

Muitos defendem a liberdade de expressão até ouvirem algo que contrarie sua liberdade de impor certezas.

A arrogância é, muitas vezes, apenas a face mal-educada da ignorância.

A ignorância moderna não grita; ela posta, faz kkk, comenta e corrige os outros.

Se suas forças interiores já não o empurram adiante e você se sente perdido na floresta, pare. Reflita. Olhe ao redor. Há uma fortaleza em você — apenas ainda não conseguiu acessá-la. Procure uma rota onde a alma encontre algum repouso e as inseguranças percam terreno. Não mergulhe nas frustrações do presente; recorde as vitórias que já alcançou. Refaça-se, estabilize-se entre o íngreme e o plano e siga, enfim, com passos firmes e prudentes.

Naquele momento, não foi possível ver o que aquilo revelava, nem sentir o que havia no ar. Mas a névoa da ingenuidade se dissipou, e agora tudo faz sentido: nas palavras havia sabedoria; no ar, sentimento.

Muitos não suportam ser contrariados; veem no debate uma afronta. Quem realmente quer avançar, porém, ouve seu crítico atentamente.

Não permita que a alma dê abrigo ao sofrimento; há dores que chegam sorrateiras, se assentam sem pedir e tornam-se permanentes.

Certas memórias são impublicáveis; muitos gostariam de conhecê-las, mas algumas nos custam muito recordar.

Alguns fracassos nos ferem demais, não pelo que perdemos, mas por revelarem nossa imaturidade.

A realidade não se entrega pronta; deve ser buscada com meticuloso discernimento. Muito do que ouvimos são opiniões, e muito do que vemos são aparências. A prospecção do real exige esforço e lucidez.

Não devemos tratar como normal o que nos agride; logo os maiores absurdos virão nos assombrar.

Lembre-se: falar é habitual; agir é vital.

Nossa solidez de hoje nasce do digladiar de ontem; é frágil quem foge de si mesmo.

Aquele que teme o silêncio sofre com ruídos internos; a alma coesa filtra o que vem de fora.

Somos complexos, apesar da simplicidade corpórea; nossa mente é cósmica, e o corpo, atômico.