Coleção pessoal de MariaAlmeida
Muito mais do que receber o bem, o ímpeto natural e espontâneo de o fazer, é sentir o horizonte mesmo sem o ver.
Se é difícil conservar as amizades conseguidas, a reconquista das amizades perdidas passa pelo delicado fio ténue do extremo cuidado.
A amizade não leva. Guarda.
A amizade não vai. Fica.
A amizade não trai. Conserva.
A amizade não julga. Respeita.
Aceite o passado, faça as pazes com ele e continue em frente. Não olhe para trás com arrependimento. Desligue-se do ego. Decore a sua alma. Ame as pessoas. Seja feliz. E tenha uma vida bela e positiva.
Olhei para trás e a savana perdida entrou-me pelos olhos dentro.
Na sua decolagem intrépida, o avião parecia estratificar-se contra a massa de ar quente, fazendo cócegas na minha vasta esperança.
Lembro-me de ter sorrido ao imaginar a hipótese íntima e remota, ouvindo o meu coração dançar.
Alguma coragem sólida, depois de ter tocado com os dedos no vermelho fogo das folhas. Voar… mesmo quando tudo parecia desabar.
Devagar, com a mente raiada no horizonte, rodei a imagem gravada na retina, fixando-a algures, num outro infinito, aí permanecendo petrificada, teimosamente ausente do que era obrigada a deixar no ontem e no minuto atrás.
O barulho ensurdecedor do avião humedeceu-se na calma plenitude de um céu imensamente azul, e eu senti, como se, sob a minha pele, o meu corpo tivesse mudado, como se, depois do arrepio de cada fibra, eu me dispersasse e encontrasse como folha solta na turbulência do vento.
De resto, pouco sei,
quando penso que vejo,
muito para além do simples olhar,
a simplicidade com que me dei.
