Coleção pessoal de MarcioGermano1969
Ainda que eu esqueça, algo em mim reconhece que a inquietação não desaparece; apenas se recolhe em silêncio, como quem aguarda o próprio tempo. Fica suspensa, até que o simples som do seu nome a desperte outra vez.
É incompreensível que haja guerras santas na Terra. Talvez, no invisível que não nos é dado ver, até santos e anjos se enfrentem em combates que escapam ao entendimento humano — como se toda luta fosse apenas uma forma de tocar o reino do indizível.”
Quiçá este seja o nosso refúgio: perder-se na mansidão deste oceano azulado, observando a calma das ondas. Desprovido da inquietude, misturo-me à natureza; ela me move, me comove. A orla me faz sentir parte dessa natureza infinita.
Que sigamos nossos destinos incertos, mas, ainda que eu caminhe nos trilhos que a vida reserva para mim, não me surpreendo em sentir o perfume, vestígio sutil que você deixou no tempo e que o vento, às vezes, insiste em trazer de volta.
Para entender a dimensão das águas, sua força e o curso de um rio, é preciso, primeiro, conhecer as suas nascentes. Algumas pessoas levarão dias, meses ou anos; outras, uma vida inteira.
Olhar para dentro de si é tratar-se com mais leveza, sem cobranças.
Se for para transbordar, que seja de amor...
Deixe a vida conduzir você, porque a vida é uma dádiva divina.
Em nosso coração existem duas sementes: o joio e o trigo. Você é quem decide qual delas irrigar.
É verão de dezembro. O sol foi tão gentil enquanto eu buscava as palavras de alguns versos. Versos estes que mexiam com a minha inquietude — aquela que não doma esse mundo selvagem lá fora, mas que é suficiente para me fazer vagante.
Ecos da alma, capazes de nos levar para tão longe, mas também de nos trazer para mais perto quando nos permitimos compreendê-los.
Como as águas escuras do Rio Negro, cheias de mistérios, assim eu te imagino.
Me desconcerto com teus encantos; beleza estonteante que me torna simples, e eu me deixo levar.
Pode até me chamar de Solimões — serei apenas o curso do seu prazer.
Somos tão passageiros que permitimos aos detalhes escapar em silêncio.
O tempo — esse abismo silencioso entre um lugar e outro — recorda-nos que talvez procuremos nos galhos aquilo que só pode ser encontrado nas raízes.
Eu, tão imerso na corrente da vida, mal percebi que o passado é fugaz: escapa pelos dedos, atravessa os dias, costura memórias ao presente e, silenciosamente, escreve aquilo que chamamos de destino.
Há uma luz que atravessa a varanda.
Nos sonhos de infância, conto os passos para medir o tamanho dos meus sonhos.
Até hoje, damos os mindinhos para ficar de bem.
A gente cresce por fora, mas por dentro continua esperando o dia em que vamos crescer como os nossos pais.
Há um mistério no caminho dos teus olhos sedutores.
Eles atravessam a noite como quem conhece segredos que o coração ainda tenta esconder.
E os meus, assustados pela intensidade do sentir, me traem sem defesa, procurando os teus antes mesmo que o dia desperte por completo.
Continuo caminhando pelos corredores da madrugada, ouvindo pensamentos que ninguém escuta. É nessa delicada inquietação que vou colhendo estrelas pelo caminho — pequenas luzes espalhadas pela escuridão — para iluminar os teus sonhos enquanto o universo decide o destino inevitável e silencioso desses encontros que acontecem primeiro na alma, antes de acontecerem no mundo.
Quando a solitude nasce da escolha e do equilíbrio, compreendemos que estar só é diferente de sentir-se sozinho. É nesse silêncio interior que passamos a valorizar ainda mais a presença, os afetos e as conexões humanas
Éramos tão ingênuos que acreditávamos que algumas pessoas seriam para sempre. Confundíamos promessas com certezas. Achávamos que o mundo fazia sentido. Sorríamos sem desconfiar de nada. Pensávamos que crescer resolveria tudo.
Entregávamos o coração sem manual de instruções e acreditávamos que bastava amar para tudo dar certo. Fazíamos planos como se o amanhã fosse garantido.
Éramos tão ingênuos que não percebíamos a felicidade enquanto ela acontecia. Sonhávamos alto sem medo da queda. Achávamos que a maturidade vinha apenas com a idade.
O tempo passa, mas deixa marcas: um rastro feito de carinho, respeito, confiança e momentos que foram só nossos.
É nas imperfeições da vida que percebemos o quanto somos parecidos, porque nos encontramos nas mesmas dores, nas mesmas lembranças e nas mesmas histórias.
Mais importante do que ter é ser luz. Mesmo nos dias escuros, ser alguém que vale a pena lembrar.
Cultivar pensamentos saudáveis, preservar a essência e continuar acreditando naquilo que nos torna humanos.
Talvez seja justamente isso que nos faça eternamente ingênuos.”
Além de você mesmo, não existe absolutamente nada: apenas um vazio, um espaço, um caderno em branco.
Só você pode fazer por você.
E isso não é um peso, é liberdade.
Porque, quando não há nada definido, tudo se torna possível.
Cada escolha sua é um traço. Cada atitude, uma linha que começa a dar forma ao que antes era silêncio.
Você não precisa esperar aprovação, nem o momento perfeito, nem que alguém venha te dizer o caminho.
O caminho nasce quando você decide caminhar.
Haverá erros, dúvidas e dias em que o vazio parecerá maior do que sua coragem.
Mas até isso faz parte do desenho.
Até o que parece falha é, na verdade, construção.
No fim, não se trata de ter todas as respostas — porque nem todas cabem em palavras.
Trata-se de transformar o silêncio em sentido
e o vazio em algo que só você pode preencher.
Não é sobre escolher entre amar ou ser amado, mas entender que um dá sentido ao outro — é como perguntar a uma gaivota qual asa é mais importante: a esquerda ou a direita.
