Coleção pessoal de MarcileneDumont
Outono
Há dias em que acreditamos
que nada se move,
que o cinza se instala
e o vento só traz despedidas.
Mas o outono sussurra
que a mudança não chega de repente:
ela começa em pigmentos,
em tons que ardem nos olhos —
laranjas, vermelhos, amarelos,
um fogo silencioso antes da queda.
As folhas cedem devagar,
soltam-se em coragem,
aceitam o chão
como quem aceita o próprio destino.
A árvore, nua,
não é fraqueza —
é força em repouso,
guardando em silêncio
a seiva da próxima primavera.
Assim somos nós:
precisamos perder camadas,
despir memórias,
para que o novo encontre espaço.
Resiliência não é resistência:
é confiança na passagem,
é coragem no cair,
é força no recomeçar.
O outono nos ensina:
a beleza também está
no processo da despedida.
Mulher é resistência que canta, é ternura que luta, é vitória que inspira.
Não é o peso da vida que a define, mas a forma como ela escolhe levantar-se.
Mulher é raiz que sustenta, é asa que liberta, é horizonte que não se alcança.
Ela aprende a dançar com as tempestades para depois florescer nos dias de sol.
A RESILIENCIA da mulher não está em resistir sempre, mas em renascer quando todos acreditam que ela não pode mais
MARCILENE DUMONT
Às vezes, a maior transformação não é aquela que o mundo vê.
É aquela que acontece em silêncio — e muda tudo.
Eu comecei a viver com mais leveza.
Não porque tudo ficou fácil,
Mas porque eu fiquei mais forte,
e isso transformou tudo.
A vida deixou de ser apenas reação.
E passou a ser construção.
Eu comecei a escolher mais.
A sentir mais presença.
A viver com mais consciência.
Porque viver não é apenas continuar,
Sobreviver te mantém viva.
Mas viver é ter consciência dos valores que se quer e se tem , e é o que te transforma.
É estar presente naquilo que se constrói.
Marcilene Dumont
Migrar não é apenas mudar de país. É deslocar o próprio eixo interno. É acordar com o corpo em um território e a alma ainda fazendo conexão com o anterior.
Imigração e coragem tem aqueles que atravessaram oceanos sem saber nadar em certezas.
A quem refez a própria identidade entre malas, documentos e saudade.
E, sobretudo, àqueles que continuam mesmo quando tudo dentro pede para voltar.
Na Alemanha, eu aprendi que a vida não se define pelos erros, mas pela forma como escolhemos nos reconstruir depois deles. Entre acertos silenciosos e recomeços discretos, descobri uma força que não se anuncia — se prova.
Ali, entendi que é possível levantar dos próprios escombros sem precisar esconder as quedas. Que recomeçar não exige ter tudo, mas ter decisão. Que firmeza não é dureza, é clareza de quem sabe onde pisa.
Aprendi a me posicionar, a sustentar minhas escolhas e, principalmente, a viver de um jeito que fala por si — não pela perfeição, mas pela coerência. Ser exemplo deixou de ser um ideal distante e passou a ser uma prática diária, construída nos detalhes, nas atitudes, na constância.
Essa foi a lição que ficou: não importa o ponto de partida, nem os desvios do caminho. Sempre existe a possibilidade de reescrever a própria história — com dignidade, consciência e verdade suficiente para que outros também encontrem direção.
Marcilene Dumont
