Coleção pessoal de MarcileneDumont
Liberdade não grita,
ela silencia tudo aquilo
que já não te pertence.
E, no espaço que sobra,
você finalmente cabe em si.
Eu não atravessei apenas fronteiras, oceano, euatravessei silêncios e versões de mim
até encontrar a voz
que nunca precisou de tradução.
Olhar para dentro
é atravessar desertos
sem garantia de oásis.
Mas é lá
que a verdade aprende a ter nome.
Há travessias que não pedem certeza,
pedem entrega.
E, quando a fé guia o passo,
o impossível deixa de ser muro
e se torna caminho.
Migrar é rasgar mapas internos.
É aprender a existir
onde o nome ainda não ecoa familiar.
Mas, no silêncio do estrangeiro,
algo em nós se expande.
Nem toda queda é ruptura ,
algumas são sementes
sendo empurradas para dentro da terra.
O que parece fim
pode ser só o começo invisível.
Há decisões que não nascem da lógica
nascem de um chamado.
E a ousadia é reconhecer
que a alma já chegou
antes mesmo do corpo partir.
Coragem é esse fogo silencioso
que continua aceso
mesmo quando o vento sopra contra.
Não é ausência de medo ,
é permanência.
A fé não encurta o caminho ,
ela sustenta os pés quando o chão desaparece.
E, quando Deus respira sobre o impossível,
até o oceano aprende a se abrir.
Não importa o ponto de partida, nem os desvios do caminho. Sempre existe a possibilidade de reescrever a própria história, com dignidade, consciência e verdade suficiente para que outros vejam que podem também encontrar direção.
é possível levantar dos próprios escombros sem precisar esconder as quedas. Que recomeçar não exige ter tudo, mas ter decisão. Que firmeza não é dureza, é clareza de quem sabe onde pisa.
Recomeçar não é voltar ao zero — é começar de um lugar onde você já sabe quem não quer mais ser.
O recomeço não pede permissão — ele acontece quando a alma não cabe mais no antigo cenário.
