Coleção pessoal de MarcileneDumont

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Meu pensamento às vezes é pipa sem dono,
sobe alto, dança no invisível…
mas sempre tem Deus com uma linha me puxando pra fé.


Tem dia que o céu parece lençol estendido,
e Deus sacode as nuvens devagarinho…
só pra gente lembrar que ainda existe vento.


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O maracujá por fora é calmaria enrugada,
mas por dentro guarda tempestade doce…
igual gente que aprendeu a sorrir depois das trovoadas.

Deus às vezes fala baixo,
igual brisa mexendo folha…
porque quem tem fé aprende a ouvir sem barulho.

A joaninha anda vestida de festa
com seus botõezinhos pretos costurados à mão…
lembrando que até o pequeno nasce pronto pra encantar.

O sol hoje caiu no chão
feito moeda escapando do bolso de Deus…
e a água ficou rica de luz por um instante.

Ser forte não é não chorar,
é enxugar o rosto…
e continuar mesmo assim.

O coração avisa antes da queda,
mas a teimosia empurra…
e depois chama de destino.

Tem gente que pede sinal de Deus,
mas ignora os sinais…
porque queria resposta do seu jeito.


Cuidado com quem vive de atalhos:
quem corre demais pra chegar
às vezes nem sabe onde está indo.

Tem silêncio que fala mais
do que muita gente gritando…
porque verdade não precisa de eco.

Amor de mãe não é exagero,
é excesso que Deus permitiu
pra compensar o mundo.

O tempo não cura tudo,
mas ensina onde não doer mais…
e isso já é quase milagre.

⁠Tem gente que quer colher flores
mas nunca quis sujar as mãos de terra…
e ainda culpa o jardim.

⁠Fé não é gritar alto,
é confiar baixo…
mesmo quando tudo faz barulho.


Marcilene Dumont

Quem vive de aparência
maquia até o vazio…
mas espelho nenhum engana o coração.


Tem abraço que não aperta o corpo,
mas organiza a alma
como quem arruma a casa por dentro.

Saudade é tipo visita sem aviso:
chega, senta no peito…
e não pergunta se pode ficar.


Deus escreve certo
mesmo quando a gente insiste
em ler tudo ao contrário.

Coração não tem gaveta,
mas vive guardando o que não cabe…
e transbordando quando ninguém vê.


⁠Marcilene Dumont