Coleção pessoal de Lulena
ONDE O SOCORRO SE ENCONTRA
(Um pedido de cura para o mundo e um convite para olhar para o alto.)
Que Deus cure todas as doenças e direcione a humanidade de volta ao caminho da luz. Nos perdemos de tal forma que nos esbarramos, mas não nos encontramos mais...
Mas que, no silêncio de uma oração ou na delicadeza de um gesto, possamos aprender a enxergar o outro novamente. Que o amor seja a ponte que nos resgate desse desencontro, nos lembrando que nunca estamos sozinhos enquanto houver fé no coração.
Lu Lena / 2026
O MALABARISMO
(A arte de não soltar o céu)
Com uma mão eu toco o céu e a outra eu toco o chão,
e assim vou seguindo fazendo esse malabarismo chamado vida.
Suspensa pelo fio da esperança
e ancorada pela corda da realidade.
Lu Lena / 2026
MILAGRE EM CADA SUSPIRO
(A santidade da existência humana frente à impermanência)
E, do sopro divino, uma vida é canonizada num corpo ignoto, que morre e renasce a cada suspiro nesse mundo imprescritível.
Lu Lena / 2026
Nunca dependa de ninguém. Lembre-se sempre: você nasceu sozinho e morrerá só. Portanto, a única pessoa que precisa de você é você mesmo — e Deus.
Respire fundo, olhe para o céu e diga:
— Mostre-me o caminho, Pai!
Lu Lena / 2026
A ENGRENAGEM DO CAOS
(Onde a matéria se corrompe e o espírito silencia.)
O homem destrói a matéria,
adultera a própria essência.
E a humanidade mergulha
nessa turbulência caótica.
Surge, então, a pergunta:
— Pai, por que me abandonaste?
Agimos como seres irracionais.
Desprovidos de fé,
fizemos do mundo uma paisagem morta.
Lu Lena / 2026
AROMAS DE MIM
(O despertar dos resíduos adormecidos)
Magnetizada pelo aroma das flores,
Sobrevoo os mais silenciosos recantos.
O meu pensamento vem delineando
E penetra no ar o meu encantamento.
Mais uma vez, deixo-me embalar,
Nesse sonho que mexe com o que sou.
Ele penetra fundo na minha alma,
Em busca de resíduos adormecidos.
Buscam também partículas indecisas,
Que, repentinamente, dentro de mim,
Se despertam em um novo pulsar.
São essências que ganham vida,
Misturas de um tempo guardado,
Em confusos aromas que surgem,
E que somente eu sinto.
Lu Lena / 2026
JANELA DO TEMPO
(A brevidade dos ciclos)
Olho para trás e tenho certeza de que tudo passa; nada é para sempre. O dia pode ter sol, chuva ou ser nublado; são apenas dias que nascem e morrem, em constante metamorfose — ora casulos, ora borboletas. Simplesmente observo, calada, na janela do tempo.
Lu Lena / 2026
PROJEÇÕES
(A percepção por trás da mente)
Acredito naquilo que vejo...
mas, às vezes, não quero acreditar.
Percebo quão fugaz é crer em meus pensamentos,
ao notar que são apenas criações daquilo que penso.
Lu Lena / 2026
CAVALOS SELVAGENS
(Quando o relógio corre mais rápido que a coragem)
O problema é que sempre esperamos que o outro dê o primeiro passo para que possamos dar o nosso; assim, vamos tropeçando em nossas próprias pernas enquanto o relógio voa, com seus ponteiros derradeiros num galopar de cavalos selvagens e misteriosamente imponentes, aguardando o apito para a corrida do nosso tempo.
Lu Lena / 2026
O RASCUNHO DEFINITIVO
(A ilusão de que podemos passar a vida a limpo)
Quando nascemos, trazemos conosco um bloquinho de notas, um lápis e uma borracha.
Ao longo dos dias, vamos anotando nossa história. Algumas vezes corrigimos o que foi feito; outras, apagamos. Muitas vezes, arrancamos uma folhinha inteira para refazer o caminho, e assim o bloquinho vai diminuindo.
Chega um momento em que decidimos comprar um caderno bonito, bem encadernado e com muitas folhas, com a intenção de passar tudo a limpo. É aí que nos damos conta: o lápis já está gasto e sem ponta de tanto usar, e a borracha já nem existe mais...
Por quê?
Porque tudo já estava escrito!
Lu Lena / 2026
ORAÇÃO DA MÃE ATÍPICA
(O Caminho da Mansidão)
Que Deus derrame Suas bênçãos e fortaleça a fé em nossas almas cansadas. Que enxugue as lágrimas de nossos olhos — tantas vezes pesados de sono e de entrega — e nos conceda a paz de quem confia em Teu desígnio.
Recebemos como missão zelar por Teus filhos de luz, essências divinas de pureza e almas vítreas em corpos terrenos. Onde a caminhada é longa,que a paciência seja nossa guia e cada pequeno passo, um valioso aprendizado.
Pois Tu venceste o mundo e nos ensinaste que o amor tudo transforma. Nós, mães, O seguiremos com mansidão e coragem.
Amém!
Lu Lena / 2026
DIVAGAÇÃO DA POESIA
(O Despertar do Poeta)
Contemplo o anoitecer
e a vejo sempre ali…
fulgente, a lua minguante,
naquele vaivém como uma
gangorra; as estrelas
cintilantes fazem algazarra
num torpor pueril e brincam
com ela no céu…
As demais, sorridentes e
arfantes, dançam graciosas
com fadas e querubins, feitos
num esboço colorido e vibrante
em pedacinhos de papel…
Sinto-mecativo e emoldurado,
onde o vazio permeia meu espírito
num rebuliço de ideias…
Ou será apenas a ribalta
de um cenário infante?
Onde estão as palavras? Onde
está a poesia que emoldurava
a minha mente?
E o papel pergaminho, onde eu
fazia manuscritos soltos e os
soprava pelo caminho?
Onde andará a minha inspiração?
Serei eu umlírico solitário, orbitando
dentro de mim mesmo, nessa fugaz
divagação?
Ouço, agora, o tique-taque do relógio,
do tempo que me desperta desse
instante…
Onde, mais uma vez, o meu sonho
élúcido e eloquente.
Lu Lena / 2026
A JAULA
Ele inerte seguiu no canto. O cadeado enferrujou, o carcereiro partiu e ele já não lembrava como caminhar sem bater nos muros. A grade caiu.
Lu Lena / 2026
O VOO DO SER
(Entre o sopro e a luz)
Sou como uma nuvem passageira,
Sem forma fixa, sem peso ou chão;
Voo livre que separa o tempo
da finitude.
Nesse toque divino me desfaço,
Desprendo-me das amarras de quem julguei ser,
Deixando o ego perdido
Para um novo sentido poder florescer.
E finalmente, dentro dessa luz, me encontro,
Pois no ponto mais alto me liberto
Dessa impermanência no infinito.
Lanço um suspiro ao campo estelar que sorri para mim,
No sopro que acabo de soltar.
É nos dedos de Deus que me encontro,
Como um verso escrito em pleno ar,
No silêncio que desata esse nó da existência
E me ensina o segredo de apenas estar.
Lu Lena / 2026
TERRAS SEM FRESTAS
(A arquitetura que o desejo não atravessa)
Não construa sonhos onde as muralhas do castelo já foram alicerçadas. Há solos que não aceitam novas sementes, pois as pedras antigas sufocam qualquer tentativa de jardim.
Lu Lena / 2026
O AVESSO DO DIZER
(O Verbo que o Silêncio Esconde)
Assim, vou vivendo entre sonho e realidade,
essa ilusão é como a bruma que borda o amanhecer,
e vivo assim em passos lentos caminhando sem saber...
tropeçando em letras para juntar o que não consigo dizer.
Se no meu silêncio mora a poesia desconexa,
aí eu pergunto:
— Palavras pra quê?
Lu Lena / 2026
CASTELO DE SONHOS
(O despertar do tempo)
A menina, até hoje,
brinca com sua boneca de pano.
Com seu sorriso indulgente,
desabrocha no jardim da vida
pétalas em flor...
Em seu castelo pueril,
observa agora, atentamente,
suas mãos enrugadas
e as marcas de expressão
no rosto que ficou...
Mas ela continua sonhando,
convicta, que o tempo não parou.
Lu Lena / 2026
GRAMÁTICA DO CAOS
(Quando a vida ignora as regras da sintaxe)
O passado virou futuro num pretérito que se fez presentepontuadopor reticências e ponto de interrogação, esperando oavaldo ponto final, nessa jornada da vida semnexoelógicaverbal, o que resta é exclamação!
Lu Lena / 2026
A HERANÇA DE ALADIM
(Onde o passado guarda a luz que o futuro precisa.)
Toda vez que desço naquele porão escuro, cheio de entulhos e lembranças, encontro aquele baú fechado e empoeirado. Ao abri-lo, lá está: a lâmpada mágica que achei na infância.
Quem sabe um dia, ao abrir aquela porta rangendo, eu encontre somente a luz da esperança sorrindo para mim e dizendo:
— Faça agora os seus pedidos!
Lu Lena / 2026
O PRÓXIMO ATO DO PAI
(Silenciando o barulho do mundo para enxergar os planos divinos.)
Quando a cena se torna repetitiva, é preciso sair de trás das cortinas do palco da vida e assumir o papel de espectador. Apague os holofotes da ribalta e deixe que sua luz interna se acenda; só assim os olhos da sua alma poderão enxergar o próximo ato que o Pai reserva para você.
Lu Lena / 2026
