Coleção pessoal de Lulena

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​O VARAL DA ALVORADA
(Quando o sol acorda o que a noite perfumou)

​Estendo a roupa no varal e a luz do sol me lembra a fragrância do perfume da noite, acenando-me com um sorriso!
​Saí do onírico para o dia que desperta.

​Lu Lena / 2026

PROTEÇÃO DIVINA

​Às vezes, o que nos mantém de pé não é o que as mãos alcançam ou o que os olhos veem. É a força silenciosa que nos acolhe quando o chão parece faltar.

​Segurança não é sobre ter todas as respostas, mas sobre saber Quem nos segura em cada detalhe. No vazio das certezas, o sustento e a fé é real.

Lu Lena / 2026

​EQUILÍBRIO DO INVISÍVEL

​Não tenho segurança do nada, mas Deus me sustenta no tudo.

Lu Lena / 2026

​A BRAVURA ALÉM DO HORIZONTE
(Onde a maioria silenciosa é gigante para erguer o mundo azul)

​Às vezes, nosso olhar só vê a coragem como um ato solitário de ser minoria, mas não enxerga além — naquele horizonte azul no infinito — onde existe uma bravura absurda naquelas maiorias silenciosas que enfrentam o impossível todos os dias.

​Lu Lena / 2026

​O GALOPAR DO TEMPO


​Um dia de cada vez e o ano termina num dia.


​Lu Lena / 2026

​CHÃO E CÉU
​(A plenitude de uma caminhada entre dois mundos)

​Viver é caminhar, às vezes, com um pé no chão e uma mão no céu. E quando fecharmos nossos olhos e adormecermos na eternidade, veremos a luz que nos guiou nessa efemeridade terrena, porque é a mesma que nos soprou o fôlego da vida.
​
Lu Lena / 2026

​O SOM DAS CASCAS SOB OS PÉS
(Os desafios invisíveis da maternidade atípica)

​Ser mãe atípica é viver em um território de incertezas: nunca sabemos quando o vento da crise vai soprar, mas sentimos quando ele balança o nosso chão.

​É caminhar constantemente sobre ovos, sentindo o estalo delicado de cada um sob os nossos passos. Viver nesse universo é desafiar a lógica: é tentar acolher as cascas que se esfarelam e montar um quebra-cabeça cujas peças parecem ganhar novas formas a cada dia.

​Não há trégua, não há mapa. Resta-nos o silêncio das lágrimas que secaram, enquanto aguardamos, com o coração alerta, o próximo estalo.

​Lu Lena / 2026
​

METÁFORA DA EXISTÊNCIA
​
​A vida é a linha que tem que passar pelo buraco da Agulha.

Lu Lena /2026

​INFÂNCIA

​Terra molhada,
Chão batido da estrada...
Vem o petricor.

​Lu Lena / 2026

​O PALCO DO SILÊNCIO
(​Quando a maturidade dispensa a plateia)

​Às vezes, o despertar da maturidade se esconde atrás de um ruído que só tua alma escuta. E, nessa evolução, o teatro está vazio: apenas as luzes da ribalta acesas e as cortinas fechadas, para que esse barulho interno que ressoa no anonimato seja como aplausos no palco de tua existência.
​O espetáculo não precisa começar, pois a peça já estava escrita.

​Lu Lena / 2026

O VALOR DO QUE É ETERNO
(Homenagem Póstuma Rita Lee)


​Existem palavras que a gente escreve e que ganham asas próprias. Hoje, decidi fazer um resgate de um momento que foi um verdadeiro divisor de águas na minha trajetória literária.


​Os que estão me conhecendo agora talvez não saibam, mas essa frase de minha autoria — que nasceu no início das minhas publicações aqui no site Pensador que acabou atravessando fronteiras que eu jamais imaginei.


​Em maio de 2023, durante a despedida da nossa eterna Rita Lee, essas palavras foram escolhidas pela atriz Isis Valverde, para prestar uma homenagem póstuma que repercutiu em veículos como a Revista Caras.


​"O que importa é o talento que vem da alma, o corpo é perene e em breve se desfaz... a alma se perpetua na imortalidade!"


​Mesmo após algum tempo, faço questão de trazer esse registro novamente. Primeiro, porque a imortalidade da alma e do talento (como o da Rita) nunca sai de moda. Segundo, para reforçar que cada micro-conto, cada crônica e cada verso que compartilho aqui carrega essa mesma verdade e dedicação de anos.


​Agradeço a cada um que faz parte dessa jornada comigo, desde o início ou desde agora.


Lu Lena / 2026

TERÇO DA INTUIÇÃO
(Um Caminho de Luz em Cinco passos)

​A oração é um diálogo livre, e hoje compartilho com vocês a forma que fui intuída a rezar o meu terço. Nele, cada mistério é um passo por um caminho de luz:

​🌍 1º Mistério: Pela humanidade, pedindo cura e conforto para todos os corações.

​✨ 2º Mistério: Aos meus santos devotos, anjos e arcanjos, honrando minha rede de proteção.

​♥️ 3º Mistério: Pela minha família e amigos, o alicerce do meu caminhar.

​🙏 4º Mistério: Por mim, pedindo sabedoria e perseverança na minha fé.

​💙 5º Mistério: À todas as denominações de Maria, que se unem num só manto de amor.

​Rezar assim me traz paz. E você, já experimentou falar com o sagrado do seu jeito? 📿✨

​Lu Lena / 2026

​A PRIMEIRA CORDA BAMBA
(​Entre o cordão umbilical e o aprendizado da queda.)
​
Nascemos em uma corda bamba chamada cordão umbilical. Caminhamos entre acertos e erros e, até encontrar a perfeição, levaremos muitos tombos; o equilíbrio exige muita disciplina.

​Lu Lena / 2026

O sorriso muitas vezes é o abraço que a alma gostaria de receber.

Lu Lena / 2026

​O RITUAL DAS MÃOS LIMPAS
(A reconstrução da essência)

​Às vezes me pego pensando no tempo; olho o relógio que teima em ficar torto no armário da cozinha. Estou sempre endireitando-o, como se ele captasse minha inconstância entre o despertar e o anoitecer.

Houve uma época em que acreditei que o vazio daquela dor seria um inquilino permanente. Ela ocupava os cantos da casa, sentava-se à mesa e, silenciosamente, projetava uma sombra que parecia maior do que minha própria estatura.

Foi um período de invernos internos, onde o sofrimento não era visitante, mas o cinzel que, golpe após golpe, removia o que eu julgava ser essencial.

​Foi uma caminhada de olhos vendados; eu só via a terra árida, como em um deserto sem oásis. O que eu não sabia, enquanto as feridas ainda estavam abertas, é que aquele mesmo cinzel esculpia a mulher que vejo hoje no espelho.

Talvez não fosse apenas dor, mas a mágoa e a incredulidade de percorrer tal caminho. Com uma ironia cruel, esse processo me quebrou, mas também me reconstruiu, fortalecendo minha essência e dignidade.

​Mas chega o dia em que a maturidade nos ensina que tudo passa; até a sombra na memória torna-se um fardo inútil. Olhei para o passado e vi o rastro que ficou — linhas mal traçadas num bloco de anotações que insistiram em projetar esse "risco" na minha jornada.

Por muito tempo, tentei justificar ou curar o que não me pertencia. Hoje, o silêncio substituiu o lamento.
​Em um gesto quase litúrgico, faço como Pilatos: lavo as minhas mãos.

Deixo que a água leve os resquícios daquela influência, o peso e a poeira dos dias em que me senti pequena. Não há ódio, pois o ódio ainda é um vínculo; há apenas a indiferença da libertação.
​Sigo sem olhar para trás.

A sombra ficou onde as luzes não chegam e eu, finalmente, descobri que o idioma da minha pele agora só traduz liberdade. Volto a olhar o relógio torto na parede que, ironicamente, parece entender o que sinto.

​Foi naquela terra de chão batido que fui plantada. Deixei de ser raiz seca para me tornar árvore frondosa, cujos galhos são como braços enormes e as folhas como dedos de Deus. Observando o dia nublado — cinza como aqueles dias de outrora —, vou até a pia, respiro fundo e encaro o espelho:

​"Sei que, às vezes, posso parecer louca, mas é exatamente nessa insanidade que meus pensamentos revelam que hoje sou completamente sã."

​Num ato profético, repito o gesto de Pilatos e, definitivamente, saio de cena.

Lu Lena / 2026

O INTERDITO DO SER
(​Quando a resiliência se torna uma cela invisível.)

​Muitas vezes possuímos a força necessária, mas enfrentamos circunstâncias tão adversas que nos retiram o direito ao sentir; há uma interdição externa que nos nega essa permissão.

​A vida vai passando, e os ponteiros do relógio parecem cavalos selvagens correndo na praia deserta, com sede urgente de um oásis. São como os dias que nascem e morrem: às vezes nos exigem o encilho, mas em outros nos negam o fôlego.

​Então, erguemos castelos de resiliência sobre terrenos movediços, dunas disformes e mares agitados. Sob o peso do dever, os ombros aprendem uma postura que não admite o tremor.

Temos, inevitavelmente, a força — essa força bruta, quase descomunal, que nos mantém de pé quando tudo ao redor desmorona. Mas é uma força solitária que ninguém vê; só a gente sente e observa, desprovida de alento.

​As circunstâncias são como carcereiras invisíveis que impõem o silêncio aos nossos afetos. É a pressa do mundo, o rigor do papel que desempenhamos, a interdição de quem nos olha esperando apenas a solução, nunca o cansaço. O mundo nos aplaude a armadura, mas ignora a pele que pulsa por baixo dela.

​Negam-nos a permissão. Dizem que o sentir é um luxo para tempos de bonança, um desvio de rota para quem tem pressa em chegar. E assim seguimos: fortes por fora, mas com um deserto de palavras não ditas por dentro. Pois a dor que não encontra o direito de ser sentida não desaparece; ela apenas se acumula nas frestas da nossa estrutura, esperando o dia em que a força, finalmente, se canse de ser apenas pedra e reivindique o seu sagrado direito de pulsar.

​Porque a vida, tal qual uma vertente de rio, não foi feita para ficar represada em armaduras; ela nasce para contornar obstáculos e, enfim, desaguar no sentir.
​
Lu Lena / 2026

​O ECO DO VILAREJO
(​Fragmentos de um tempo de Outrora)

​E a flor se abriu em rosa ao longe, muito longe, ao som do realejo. Anjos do vento trouxeram-me os sonhos que deixei em tempos de outrora naquele vilarejo. Desperto e o que vejo, apenas o rastro do que foi, uma memória que flutua na fresta da janela: que são as pétalas encurvadas dançando com o vento.

​Lu Lena / 2026
​

​JANELAS ABERTAS

​Abri a janela e o vento bagunçou meus papéis. Os versos caíram, mas o mofo do passado voou com a correnteza. Respirei o aroma de flores. Juntei as letras e, hoje, a poesia sorri para mim.

Lu Lena / 2026

​GRITO NA ESCURIDÃO
(​Entre o pesadelo e a redenção)

​Meu grito ensurdecedor,
abafado e ganido...
Minhas lágrimas doridas,
trancafiadas na garganta,
secas, espremidas num
coração corroído...
Sem forças e aflita,
rastejo-me...
Na lama fétida e fria,
meu corpo enfraquecido
lentamente sinto...
As pálpebras que fecham.
​Pergunto a mim mesma:
Morri, será?
Ou apenas mais um pesadelo
interminável, na tentativa
estúpida e inócua de
encontrar-te nessa vida?
​Estou cansada, novamente
entrego-me à mercê dos seres
que zombam de minha dor...
Impossível nesse lamaçal
encontrar você, meu amor...
​Olho para meu corpo e não
o reconheço...
Dou voltas num poço fétido,
imenso...
​Sim, a luz eu vejo, o clarão!
Teu rosto disforme vejo
na imensidão...
Nesse devaneio, por alguns
instantes, seguro tua mão...
​Imploro-te!
Tire-me desse vão
onde você me colocou sem
dó e perdão...
Mate-me de vez,
então...
Para que meu grito
ecoe na escuridão...

​Lu Lena / 2026

​LÁPIDE DA ALMA
(​A peregrinação final da saudade)

​Nas lágrimas que borram o céu altivo,
vejo a lua que chora, triste e sombria;
as estrelas, espremidas e sem brilho,
na trágica sina de minha melancolia.
​No vão oco e obscuro de minha incoerência,
busco-te num coração flagelado e de luto;
perambulando em busca de minha existência,
sou peregrina enclausurada num reduto.
​Teu sorriso disperso na luz do luar eu vi...
sigo nesse destino que congela e paralisa,
nesse arrebatamento transfigurado em ti.
​Saudade enegrecida que causa tanto tormento,
círculo vicioso que entorpece e me agoniza…
Diante da lápide, minhas lágrimas borram o teu retrato,
e o vazio, enfim, em mim se eterniza.

​Lu Lena / 2026