Coleção pessoal de LEandRO_ALissON

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"Só quando houve a fusão da experiência cultural com a experiência pessoal verdadeira, aí você sabe do que está falando."

"A filosofia é um instrumento de orientação pessoal no mundo."

"Quanto menos prática da religião um sujeito tem, mais se crê habilitado a diagnosticar a hipocrisia na prática religiosa dos outros."

"As pessoas não acreditam na mentira porque estejam enganadas, mas porque gostam da mentira. A mentira é o mais sublime dos poderes humanos: num relance, torna você superior ao conjunto da realidade."

"Quanto mais ignorante o sujeito, mais certeza ele tem. E quanto mais certezas absurdas ele tem, mais ele afirma que tudo é relativo, que não existem certezas definitivas."

A primeira exigência da civilização é que os homens estejam dispostos a reprimir seus instintos e apetites mais baixos: falhar nisso faz deles, precisamente porque são inteligentes, muito piores que meras bestas.

"A ideia de que a liberdade é mera habilidade de um sujeito em fazer valer os seus caprichos é um tanto quanto rasa, e mal consegue capturar as complexidades da existência humana; um homem cujos apetites são sua lei nos chama a atenção não como alguém liberto, porém escravizado. E quando uma liberdade tão estreitamente concebida transforma-se no critério das políticas públicas, a dissolução da sociedade estará próxima. Nenhuma cultura que tenha na autoindulgência publicamente sancionada o seu mais alto bem pode sobreviver por muito tempo, e um egotismo radical será desencadeado, no qual quaisquer limites sobre o comportamento pessoal serão experimentados como infrações contra direitos básicos. Perceber as distinções entre o importante e o trivial, entre a liberdade de criticar ideias recebidas e a liberdade para se consumir LSD, por exemplo, é o tipo de discernimento que mantém as sociedades livres do barbarismo."

"Não há amizades mais rápidas do que aquelas entre pessoas que amam os mesmos livros."

"Leiam as vidas dos grandes santos, dos grandes heróis, para vocês verem as possibilidades humanas superiores. Se você conhecer algum, melhor, mas se você não conhece, pelos menos pode ler e imaginariamente participar daquela experiência. A experiência estética e a experiência moral selecionam o que há de melhor, melhor e mais elevado. Você não vai analisar, não vai estudar, você vai simplesmente contemplar e deixar que aquilo se impregne no teu imaginário o máximo que der. Do mesmo modo, na tua vida diária, fuja da vulgaridade, da estupidez. Por exemplo, se uma pessoa te convida: 'Ah, vem no meu aniversario'. Você vai lá, os caras estão tocando pagode, enchendo a cara de cerveja, falando besteira. Para que você vai engolir esse veneno? Não vou não! Evite as más companhias. Se não tiver nenhum amigo, melhor, fica sozinho em casa. Fuja das pessoas que irão te dispersar, te rebaixar, te vulgarizar, te banalizar''

"O mundo entrou na era do caos sangrento a partir do instante em que os homens deixaram de ser julgados por seus atos e passaram a sê-lo pelos ideais que alegam. Impor esse novo critério a toda a sociedade foi a maior vitória do espírito revolucionário sobre a normalidade humana. Enquanto essa distorção monstruosa não for eliminada da atmosfera cultural, o mundo não terá um momento de paz."

Todo aquele que não se apresenta diariamente diante do Trono do Altíssimo, com o coração trêmulo de vergonha não só pelos seus próprios pecados mas pelos de todos os seus irmãos, consciente de que, em face da perfeição e da onissapiência divinas, CADA UM dos seus atos foi errado, mesmo aqueles que sua vaidade considerou os melhores, e sentindo até o fundo da alma que o Perdão é o ÚNICO bem valioso a ser ambicionado, -- esse NUNCA saberá o que é sinceridade, nem muito menos honestidade.

Só no plano do indivíduo autoconsciente é que o conhecimento pode adquirir validade: só na consciência individual vivente se realiza a prova apodíctica, só o indivíduo tem acesso efetivo às verdades universais, enquanto a coletividade deve se contentar com fórmulas mais ou menos convencionais — ou consensuais — de uma verdade meramente potencial.

O homem, o indivíduo humano, é o portador do conhecimento efetivo. O conhecimento enquanto bem social é apenas conhecimento potencial, é coleção de registros e convenções que, para tornar-se conhecimento efetivo, deve ser efetivado, atualizado na consciência do indivíduo vivente.

Nossa consciência tem um centro vital, localizado no miolo do coração, inalcançável pelo mero 'pensamento'. Ele domina os opostos como o jovem Mercúrio segurando as duas cobras e, entre as contradições e perplexidades da vida, orienta o pensamento que, em vez de se afirmar como soberano, consente em obedecê-lo docilmente.

Uma das principais ocupações daquilo que vulgarmente se entende por ciência é tomar como realidade de um ente e sua simples definição nominal.

O mundo só se tornou viável porque antigamente as nossa leis, a nossa moral, a nossa conduta eram regidas pelos melhores. Agora a gente tem a impressão de que são os canalhas que estão fazendo a nossa vida, os nossos costumes, as nossas ideias. Ou são os canalhas, ou são os imbecis, e eu não sei dizer o que é pior. Porque você sabe que são milhões de imbecis para dez sujeitos formidáveis.

No Brasil a vida intelectual superior, mesmo na sua expressão mais tosca, que é o debate ideológico, acabou. Se nos testes internacionais os nossos estudantes tiram sempre os últimos lugares, não é sem razão: o exemplo vem de cima.
Portanto, o conteúdo da minha obra, ou de qualquer outra que pareça detestável, não interessa mais. Basta a rotulagem superficial, passada de pata em pata entre bichinhos assustados para mantê-los a uma profilática distância de uma influência ameaçadora.

A condição de todo debate, com efeito, é alguma intimidade com a mente do adversário, alguma compreensão das percepções que o levaram à sua visão do mundo. Isso pressupõe a disposição e a coragem de deixar-se permear pela sua influência, confiando na própria força de superá-la depois.
Mas quem sobrou vivo entre os 'intelectuais públicos' deste país para absorver e, se possível, superar ou contestar o que ensinei em O Jardim das Aflições, em Aristóteles em Nova Perspectiva, em O Futuro do Pensamento Brasileiro, em A Filosofia e seu Inverso e em nada menos de quarenta mil páginas de aulas e conferências transcritas, sem contar uns quinhentos artigos publicados na mídia desde 1998 e os trezentos e tantos programas de rádio em que traduzi (ou talvez deformei) um pouco do meu pensamento na linguagem do mais acessível esculacho popular?

No mundo inteiro, quem critica um autor gaba-se de conhecer seus escritos melhor que ninguém. No Brasil, a autoridade de julgá-lo e condená-lo nasce da perfeita e intransigente recusa de ler o que ele escreve. Tento explicar esse fenômeno aos americanos, mas eles acham que estou com gozação.

A meta e propósito da música é a glória de Deus e o refrigério da alma. Se algo não leva isso em consideração, não é verdadeira música, mas apenas gritaria e agitação diabólica.