Coleção pessoal de LEandRO_ALissON
Não importa o que um homem sofra, mas como ele se comporta no sofrimento. Ó homem, não está em tua mão sofrer ou não sofrer, mas se no sofrimento tua vontade se degrada ou se dignifica.
Lendo na Bíblia a vida de Moisés, de Abrahão, de Isaac, de Jacó, de Davi e de tantos outros, uma conclusão se impõe inexoravelmente: para considerar alguém PERFEITO, Deus exige muito menos do que qualquer imbecil palpiteiro. Os imbecis são sempre juízes mais severos do que Deus. Se até n'Ele encontram facilmente algum defeito, como não o encontrariam também naqueles que Ele considerou perfeitos?
O comunismo não é um grande ideal que se perverteu. É uma perversão que se vendeu como um grande ideal.
Recebi mais elogios de celebridades, vendi mais exemplares dos meus livros e apareci mais na mídia do que qualquer professor universitário do Brasil, mas esses merdinhas me acham um marginal desconhecido porque nunca fui visto fofocando na sala dos professores, o universo deles.
Assim, ser conservador é preferir o familiar ao desconhecido, preferir o tentado ao não tentado, o facto ao mistério, o real ao possível, o limitado ao ilimitado, o próximo ao distante, o suficiente ao superabundante, o conveniente ao perfeito, a felicidade presente à utópica. As relações e lealdades familiares serão preferíveis ao fascínio de vínculos mais proveitosos; comprar e expandir será menos importante que conservar, cultivar e desfrutar; a dor da perda será maior que a excitação da novidade ou da promessa.
Todo discurso ideológico busca, por definição, identificar os valores que defende com aqueles que já são aceitos majoritariamente pela platéia, isto é, assumir sempre ares de bom-mocismo.
Quando olho uma pessoa, não vejo nela o cargo, mas a substância humana E SÓ.
Tenho total desprezo por indivíduos cuja única substância é o cargo em que estão -- seja esse cargo político, empresarial, eclesiástico, militar, judicial ou universitário.
Por que os meus pretensos críticos não discutem jamais uma só tese da minha filosofia, e sim apenas opiniões de ocasião às quais eu mesmo não dou grande importância? É porque a política miúda é o limite superior da sua esfera de interesses, e imaginam que também o seja da minha.
Tudo em volta induz à loucura, ao infantilismo, à exasperação imaginativa. Contra isso o estudo não basta. Tomem consciência da infecção moral e lutem, lutem, lutem pelo seu equilíbrio, pela sua maturidade, pela sua lucidez. Tenham a normalidade, a sanidade, a centralidade da psique como um ideal. Prometam a vocês mesmos ser personalidades fortes, bem estruturadas, serenas no meio da tempestade, prontas a vencer todos os obstáculos com a ajuda de Deus e de mais ninguém. Prometam SER e não apenas pedir, obter, sentir, desfrutar.
Toda figura de linguagem expressa compactamente uma impressão sem indicar com clareza o fenômeno objetivo que a suscitou. Decomposta analiticamente, revela-se portadora de muitos significados possíveis, alguns contraditórios entre si, que podem corresponder à experiência em graus variados. No Brasil de hoje, todos os 'formadores de opinião' mais salientes, sem exceção visível — comentaristas de mídia, acadêmicos, políticos, figuras do show business — pensam por figuras de linguagem, sem a mínima preocupação — ou capacidade — de distinguir entre a fórmula verbal e os dados da experiência. Impõem seus estados subjetivos ao leitor ou ouvinte de maneira direta, sem uma realidade mediadora que possa servir de critério de arbitragem entre emissor e receptor da mensagem. A discussão racional fica assim inviabilizada na base, sendo substituída pelo mero confronto entre modos de sentir, uma demonstração mútua de força psíquica bruta que dá a vitória, quase que necessariamente, ao lado mais barulhento, histriônico, fanático e intolerante.
As figuras de linguagem são instrumentos indispensáveis não só na comunicação como na aquisição de conhecimento. Quando não sabemos declarar exatamente o que é uma coisa, dizemos a impressão que ela nos causa.
Todo conhecimento começa assim. Benedetto Croce definia a poesia como 'expressão de impressões'. Toda incursão da mente humana num domínio novo e inexplorado é, nesse sentido, 'poética'. Começamos dizendo o que sentimos e imaginamos. É do confronto de muitas fantasias diversas, incongruentes e opostas que a realidade da coisa, do objeto, um dia chega a se desenhar diante dos nossos olhos, clara e distinta, como que aprisionada numa malha de fios imaginários — como a tridimensionalidade do espaço que emerge das linhas traçadas numa superfície plana.
Suprimir as metáforas e metonímias, as analogias e as hipérboles, impor universalmente uma linguagem inteiramente exata, definida, 'científica', como chegaram a ambicionar os filósofos da escola analítica, seria sufocar a capacidade humana de investigar e conjeturar. Seria matar a própria inventividade científica sob a desculpa de dar à ciência plenos poderes sobre as modalidades 'pré-científicas' de conhecimento.
Mas, inversamente, encarcerar a mente humana numa trama indeslindável de figuras de linguagem rebeldes a toda análise, impor o jogo de impressões emotivas como substituto da discussão racional e fazer de simbolismos nebulosos a base de decisões práticas que afetarão milhões de pessoas é um crime ainda mais grave contra a inteligência humana; é escravizar toda uma sociedade — ou várias — à confusão interior de um grupo de psicopatas megalômanos.
Quando alguém, que lhe é intelectualmente superior, discordar de alguma ideia ou atitude sua, é prudente desconfiar de que o errado na história é você, refletindo com sinceridade sobre as críticas que lhe são feitas ou, ao menos, considerando-as seriamente.
Reconhecer um equívoco e dar um passo atrás, muitas vezes, não é apenas uma manifestação de humildade, mas de inteligência. Não é razoável, por orgulho, fixar compromisso com o erro: eventual possibilidade de desfazê-lo deve ser sábia e imediatamente aproveitada.
O conservador é como o quebra-mar que protege o porto.
Permite a ação dos ventos e das marés, não interfere no comércio que se dá no porto e em função dele, enquanto o protege da ação das ondas furiosas.
O segredo do sucesso econômico das grandes nações é o equilíbrio dialético do liberalismo na economia interna com a dose indispensável de protecionismo no comércio com as outras nações. A via segura do fracasso é, inversamente, o estatismo na economia interna aliado ao livre comércio internacional.
Quando alguém na nossa política vai entender que LIVRE MERCADO não é LIVRE COMÉRCIO?
Nunca fui tímido por natureza, mas entre os vinte e os vinte e poucos anos tive um período de timidez porque estava com todos os dentes estragados, não tinha dinheiro para consertá-los, parecia um mendigo e julgava que a coisa mais sensata a fazer com a minha cara era escondê-la. Por isso compreendo perfeitamente o fenômeno da timidez Ela tira você da corrente da vida e o espreme num canto escuro onde tudo só acontece em pensamento e nada se realiza. Ela esmigalha oportunidades como se fossem minhocas em que você pisa no caminho. Ela afasta você do que você quer e povoa a sua vida de tudo o que você não quer. Da timidez à depressão e da depressão ao ressentimento o caminho é bem curto. Os tímidos estão entre os alimentos preferidos do diabo. Ele os mastiga como chicletes e joga fora a borrachinha insossa que sobra no fim. Se você tem a tentação da timidez, largue disso imediatamente. Comece a fazer tudo o que você teme que vai cobri-lo de ridículo. É melhor pagar mico do que ser um mico.
Um filósofo tem de ser julgado pelas afirmações básicas que constituem o fundamento da sua filosofia, não sobre opiniões de passagem (em geral orais e improvisadas) sobre assuntos laterais.
Os meus atacantes invertem isso porque NÃO SÃO CAPAZES DE LER A MINHA OBRA FILOSÓFICA, muito menos de tentar apreender a figura do conjunto.
Qualquer crítica a opiniões laterais emitidas por um filósofo ou escritor tem de ser ao menos respeitosa ao ponto de reconhecer que detalhes menores e de ocasião não desmerecem o conjunto de uma obra.
Estudando a obra do Otto Maria Carpeaux, descobri dezenas de opiniões erradas aqui e ali. Vocês conseguem me imaginar falando dele, por essa razão, com ares de desprezo superior?
Os que se metem a meus críticos são bárbaros, selvagens iletrados que ignoram até as regras mais óbvias da ética intelectual.
