Coleção pessoal de KANGAL
Deus não é apenas a luz que vence as trevas; talvez seja também o silêncio que existe antes dela, além do tempo, além do espaço. Ele permanece além das eras, onde impérios são apenas poeira e os nomes dos homens se perdem como ecos em catedrais abandonadas. Há quem o procure no esplendor dos céus, mas talvez ele se revele com mais profundidade nas feridas ocultas da alma, no instante em que o homem encara sua própria ruína e ainda encontra força para amar. Deus é o enigma que observa o nascimento das estrelas e o último suspiro das galáxias; a mão invisível que escreve destinos em páginas que jamais conseguiremos ler por completo. Entre o sagrado e o abismo, entre a esperança e o desespero, Ele permanece como a pergunta que atravessa a eternidade — e talvez a única resposta que a alma humana sempre procurou, mesmo antes de aprender a pronunciar Seu nome - "Adonai".
A Estrada e a Sabedoria
Corri pela BR-319, onde cada quilômetro revelava uma nova lição. Pelo caminho encontrei rios, fazendas, casas perdidas na imensidão, uma igreja silenciosa e até um acampamento onde crianças aprendiam a sobreviver. Encontrei também um igarapé escondido na mata, onde parei por alguns instantes, mergulhei em suas águas e encontrei forças para continuar.
Vi rostos gentis e encontrei pessoas de intenções duvidosas; conheci a beleza e os perigos que vivem lado a lado na estrada. No fim, percebi que aquela jornada não era apenas sobre ir longe, mas sobre aprender a voltar. A estrada me ensinou que a verdadeira sobrevivência não está apenas no corpo que resiste, mas na sabedoria que nasce de cada encontro, cada queda e cada escolha.
O Homem que Carregava o Frio
Eu carregava sacos de gelo durante o dia,
mas era a minha própria alma que congelava aos poucos.
Minhas mãos tocavam o frio da pedra,
enquanto meu corpo aprendia uma nova forma de dor.
Ao chegar em casa, a noite não trazia descanso;
trazia o julgamento do próprio corpo.
Cada músculo queimava como brasa escondida,
cada respiração era uma lembrança
de que eu ainda precisava continuar.
Deitado no escuro, entre o silêncio e a agonia,
eu não pedia riqueza, nem uma vida perfeita.
Minha única oração era simples:
“Que eu acorde amanhã.”
Porque havia um peso maior que a dor dos braços,
maior que o cansaço dos ossos:
era saber que o mesmo sofrimento me esperava no dia seguinte.
E mesmo assim eu levantava.
Vestia minha coragem como quem veste uma roupa velha,
pegava o caminho de sempre
e enfrentava mais um dia.
Ninguém via as lágrimas que eu engolia,
ninguém ouvia as batalhas travadas dentro de mim.
Mas ali estava eu —
um homem ferido pelo tempo,
mas ainda de pé.
Não porque era fácil suportar,
mas porque havia algo em mim
que a dor nunca conseguiu destruir.
Calíope, existe algo em você que vai além da beleza que os olhos conseguem enxergar. É como se a sua presença trouxesse calma para pensamentos que sempre estiveram perdidos e desse palavras para sentimentos que eu nunca soube explicar. Você tem esse jeito raro de transformar momentos simples em algo que permanece, como uma lembrança boa que a gente não sabe de onde veio, mas sente que sempre esteve ali. Talvez algumas pessoas não entrem em nossa vida apenas para passar, mas para deixar uma marca silenciosa que o tempo, por mais cruel que seja, não consegue apagar.
Talvez Caliope, seja você !
Alguém que eu ainda não encontrei ... Ou um devaneio dos meus pensamentos.
Dizem que a sorte favorece os corajosos… mas ninguém conta que a coragem sem preparação só favorece os acidentes.
Dentro de mim moram dois sussurros:
um busca a luz, outro abraça a sombra.
Entre a razão e a loucura,
caminho sendo o próprio conflito que me habita.
A velhice nos condena a estarmos conosco o tempo todo, e, meu amigo, se você não gostar de conversar consigo mesmo, vai acabar ficando maluco. Kkkkk
Se o teu coração for forte o suficiente, você renascerá a cada novo amanhecer, dia após dia, década após década, século após século, era após era, para sempre ♾️
Quanto mais tenho que escrever para ter prestígio e um nome ? Faça o suficiente para ver os seus dedos sangrarem
Querer? Até os condenados no fundo de suas almas desejaram o paraíso. Merecer? Até os demônios reivindicaram inocência diante do Trono de Deus. O Oráculo apenas sorriu, pois sabia que o destino não negocia com desejos, nem se curva ao mérito. Cada alma colhe aquilo que escolheu semear; e, quando o último sino da eternidade ressoa, reis e mendigos atravessam a mesma porta
Desculpe-me flor a falta de cordialidade! É que as ideias florescem na mente, como a água brota do chão
O desejo inspira, a rotina sustenta... mas quem te disse que o futuro floresce? Toda flor conhece o inverno. O dinheiro vem e parte como as marés, os impérios erguem-se para ciar de joelhos e beijar o pó. No fim, o único futuro que jamais falha é a morte. Não florescemos para permanecer; florescemos para aprender a cair, e cair com elegância!
E se viver muito não for viver que nem o profundo do mar? De que vale sorrir todos os dias, se o teu sorriso jamais encontrou a verdade? Há vidas longas que nunca despertam, e momentos breves que desafiam a eternidade. Talvez o tempo não peça pressa, mas sim sentido; não na quantidade de dias, mas na coragem de encarar as próprias sombras
E se o futuro não nascer do silêncio, mas da coragem de romper com ele? De que vale semear em segredo, se o medo enterra as próprias raízes? Talvez o destino não floresça apenas no que ocultamos, mas naquilo que ousamos revelar ao mundo.
Até onde tua liberdade te conduzirá? Ainda distingues o ciúme da traição, ou ambos já se confundem na penumbra da tua alma?
Disseste que tua liberdade valia mais do que o amor. Mas conheceste, de fato, o amor? Ou apenas vestiste a luxúria com o nome que ele nunca mereceu?
A cada desejo saciado, tornaste-te mais faminta; a cada noite, mais distante de ti mesma. A carne prometeu infinitos, mas entregou apenas o eco do vazio.
E assim, governada pelos próprios impulsos, caminharás até que teus dias se tornem insuportáveis. Então compreenderás, tarde demais, que nem toda corrente é forjada de ferro: algumas são tecidas pelos próprios desejos.
Foi nesse instante que se lançaram às chamas, não como vítimas, mas como quem confunde o incêndio com a luz. E a luxúria, faminta e silenciosa, perseguiu tua alma como um leão que fareja uma gazela perdida na noite, enquanto as sombras sorriam, pois sabiam que o verdadeiro abismo sempre nasce dentro do coração.
Doei-me por inteiro a algo que, de repente, já não significava mais nada. Aceitei o silêncio; ele não me feriu tanto quanto imaginei.
Mas ser esquecido por aqueles que um dia caminharam ao meu lado... essa foi a cicatriz mais profunda.
Ainda assim, não endureci. Tornei-me mais forte sem abandonar a gentileza, mais firme sem perder a humildade. Aprendi que cada coração trava batalhas invisíveis e que, muitas vezes, o abandono nasce da fraqueza de quem parte, não da insuficiência de quem permanece.
Por isso sigo adiante: com as marcas do esquecimento, mas sem permitir que elas roubem de mim a compaixão.
Há um irmão cuja força rivaliza com a minha, mas que fez das sombras seu único refúgio. Não atravessa o caminho que leva até mim, não pronuncia meu nome, nem ousa romper o silêncio que ergueu entre nós. Ainda assim, sua voz encontra outra estrada: alcança os ouvidos de meu pai.
Ignoro quais palavras derrama. Talvez sejam preces, talvez veneno; talvez verdades mutiladas vestidas de luz. Apenas sei que, enquanto evita meus olhos, conversa com os fantasmas da minha ausência.
E nas noites em que o vento parece carregar segredos, pergunto-me se é a culpa que o oculta nas trevas... ou se as próprias trevas já aprenderam a chamá-lo de filho.
