Coleção pessoal de KANGAL

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Coleção de Fracassos


Diga-me, coleção de fracassos,
quantas histórias ficaram pelo caminho?
Quantos sonhos morreram em silêncio,
antes mesmo de encontrar abrigo?


Ainda jovem demais para amar no colégio,
carregava uma mente inocente
em um corpo que já anunciava a vida adulta.
Eu não sabia os caminhos,
não entendia os sinais,
não causei a impressão que desejava.


O tempo passou sem pedir licença.
Hoje carrego uma mente cansada,
como se um velho habitasse meus pensamentos.
Conheci muitos rostos,
muitos abraços,
muitos amores passageiros,
alguns oferecidos pelo destino,
outros comprados pela solidão.


Mas existe uma coisa que nem o tempo devolve:
a juventude perdida.
Aquele garoto que não sabia amar,
que tinha medo de tentar,
ficou preso em algum lugar do passado.


E talvez o maior fracasso
não tenha sido perder algumas histórias,
mas perceber tarde demais
que algumas oportunidades
só passam uma vez.

A Tragédia dos Que Brigam Entre Si


É estranho pensar
que pessoas comuns,
que acordam cedo,
trabalham duro
e carregam as mesmas dificuldades,
acabam se tornando inimigas
por causa de guerras que não criaram.


Lá em cima,
os poderosos discutem seus interesses,
fazem alianças,
mudam discursos
e seguem suas vidas.


Aqui embaixo,
nós perdemos amigos,
rompemos famílias
e carregamos mágoas
por causa de uma disputa
que nunca esteve em nossas mãos decidir.


O vizinho deixa de ser vizinho.
O amigo vira adversário.
O irmão olha para o irmão
como se fossem de mundos diferentes.


E no final,
quem realmente ganha com isso?


Enquanto brigamos por aqueles
que nunca saberão nossos nomes,
continuamos enfrentando
os mesmos problemas,
as mesmas contas,
os mesmos medos
e as mesmas incertezas.


A maior tristeza de uma sociedade
é quando o povo esquece
que tem mais coisas em comum
do que diferenças.


Nenhuma opinião vale
a perda de uma amizade.


Nenhuma bandeira vale
o desprezo por outro ser humano.


Nenhum líder merece
que alguém destrua a própria paz
ou transforme amor em ódio.


Porque no fim da vida,
não serão as discussões da internet,
os discursos dos políticos
ou as brigas por ideologias
que ficarão ao nosso lado.


Serão as pessoas.


As mãos que seguramos.
As histórias que construímos.
Os momentos que nunca mais voltam.


A verdadeira tragédia
não é existirem pensamentos diferentes.


É permitirmos que eles sejam usados
para nos afastar daqueles
que caminham no mesmo chão que nós.

O Último Quarto da Casa


Toda casa possui um quarto
que nunca aparece nas fotografias.


Foi nele que cresci.


Não faltou teto.
Não faltou alimento.


Mas faltava aquilo
que nenhum objeto consegue oferecer:
a certeza de ser visto.


Passei anos esperando
que aqueles que me deram a vida
também me mostrassem
como viver.


Esperei uma palavra.
Um conselho.
Uma direção.


Esperei que alguém segurasse minha mão
e dissesse:


"Não tenha medo.
Existe um caminho para você."


Mas algumas esperanças
não morrem de uma vez.


Elas desaparecem lentamente,
como uma luz esquecida
em um quarto vazio.


Então veio a pandemia.


O mundo fechou suas portas,
e eu também fiquei preso.


Dois anos entre paredes,
lutando contra o medo,
a solidão
e a sensação de que o futuro
estava distante demais.


Eu tinha apenas 17 anos.


Era um garoto tentando compreender
uma vida que já parecia pesada.


Estudei.


Acreditei que o conhecimento
seria uma ponte para outro destino.


Passei um ano preparando minha mente
para uma oportunidade.


Mas a dor, o medo e a incerteza
foram maiores que meus planos.


O ENEM passou.


E com ele,
uma parte dos sonhos
que eu ainda carregava.


Depois vieram os dias de trabalho.


O corpo aprendeu o significado
da exaustão.


As pernas carregaram pesos
que ninguém viu.


As mãos perderam a juventude.


E, enquanto muitos construíam memórias,
eu construía resistência.


Nunca pedi riqueza.


Nunca pedi uma vida fácil.


Tudo o que eu queria
era um lugar no mundo.


Um propósito.


Uma profissão.


Uma razão para olhar para o amanhã
e acreditar que eu também tinha destino.


Mas o tempo revelou
uma das dores mais silenciosas:


o amor de uma família
nem sempre alcança todos
da mesma forma.


Na mesma casa,
existiam diferentes medidas de cuidado.


O afeto que não encontrou meus caminhos,
a consideração que nunca repousou sobre mim,
foi entregue em abundância
à minha irmã.


A ela,
os braços abertos.


A ela,
a proteção antes mesmo da queda.


A ela,
a certeza de que haveria alguém
para enfrentar o mundo por ela.


E eu não invejo o amor que ela recebeu.


Nenhum irmão deveria desejar
menos amor para outro.


Mas existe uma tristeza profunda
em perceber que aquilo que foi dado em dobro a alguém
nunca encontrou espaço
nem uma única vez
para florescer em você.


Eu os amo.


E reconheço:
eles não me devem nada,
além da vida que me deram.


Mas a vida,
quando não é acompanhada de presença,
às vezes parece apenas uma existência.


Por isso temo o dia da despedida.


Não porque não exista amor.


Mas porque algumas lágrimas
nascem das histórias que vivemos.


E outras não conseguem nascer
pelas histórias que nunca tivemos.


Talvez eu não chore pelas lembranças.


Não por crueldade.


Não por falta de gratidão.


Mas porque passamos pela vida
sem construir aquilo que o tempo não consegue apagar.


Fotografias envelhecem.


Casas desmoronam.


Pessoas partem.


Mas as memórias permanecem.


E essa talvez seja a nossa maior tragédia:


não fomos uma família destruída pelo ódio.


Fomos uma família separada pelo silêncio.


Vivemos sob o mesmo teto,
mas em mundos diferentes.


E o mais triste de tudo
é descobrir que uma pessoa pode passar a vida inteira
procurando um lar,


mesmo estando dentro de uma casa.

O Cerco


Para destruir você, uniram-se.
Não com espadas,
mas com palavras cuidadosamente escolhidas.
Manipularam pensamentos,
contaram versões convenientes,
e fizeram da sua reputação
o primeiro campo de batalha.


Não buscavam a verdade.
Buscavam medir a resistência
de quem se recusava a cair.


Quando perceberam
que a difamação não bastava,
recuaram para a sombra.
Esperaram o cansaço,
a dor,
o momento em que a alma vacila.
Sabiam que a fraqueza de um instante
poderia causar mais estragos
do que anos de perseguição.


Mas toda introspecção revela um fato incômodo:
o rosto por trás da conspiração
nem sempre pertence a um estranho.
Pode estar dentro da própria família,
vestido de afeto e proximidade.
Pode surgir na voz
de quem um dia jurou proteger você.


E a revelação mais dura de todas:
o último conspirador
pode ser você mesmo,
quando já não consegue discernir
a verdade das mentiras
que repetiram ao seu respeito.
Quando a mentira, repetida inúmeras vezes,
passa a vestir as roupas da verdade,
e a dúvida se instala em sua consciência,
fazendo-o questionar
quem realmente é.


Proteja sua mente.
A reputação pode ser manchada.
Os aplausos podem desaparecer.
Mas quem preserva a própria essência
permanece de pé,
mesmo quando o mundo inteiro
espera vê-lo cair.


Porque a maior vitória
não é convencer o mundo
de quem você é,
mas impedir
que o mundo convença você
de quem nunca foi.

Coração de Pedra


Há amores que atravessam décadas.
O meu atravessou a alma.


Não foi longo o bastante para o calendário,
mas foi eterno para tudo aquilo
que morreu dentro de mim.


Conheci-te primeiro como quem contempla uma estrela distante:
bela, inalcançável, prometendo luz.
Quando enfim toquei tua existência,
confundi o brilho com o calor
e a esperança com a verdade.


Enquanto teus braços buscavam abrigo,
os meus construíam um lar.


Havia uma criança.


E, sem que ela soubesse,
devolveu humanidade aos meus dias.
Nos seus olhos havia a inocência
que o mundo ainda não havia aprendido a ferir.
Amei aquele pequeno ser
como se o destino, por um breve instante,
tivesse me permitido ensaiar a eternidade.


Mas algumas almas não conhecem o repouso.


São mares em permanente tempestade,
capazes de afogar até quem mergulha
com a intenção de salvá-las.


Eu não enxerguei.


Não porque me faltassem olhos,
mas porque o amor, quando se torna absoluto,
transforma a verdade na primeira vítima.


No fim, descobri que beijava uma ilusão
e abraçava um vazio que tinha o teu nome.


Desde então, ninguém mais conseguiu entrar.


Não por falta de beleza.
Não por ausência de bondade.
Mas porque existe uma porta
que só se fecha uma única vez na vida.


Hoje, meu coração não sangra.


Pedras não sangram.


Elas apenas carregam, em silêncio,
o peso de todas as ruínas que sobreviveram ao tempo.


E, se um dia alguém perguntar
qual foi o maior amor da minha existência,
não direi teu nome.


Direi apenas que houve uma primavera
tão intensa,
que foi capaz de transformar todas as estações seguintes
em inverno.

Amor Latente


Houve um amor tão imenso
que fez do meu peito um santuário
e dos meus olhos, devotos cegos da tua luz.
Amei-te com a força que antecede a criação,
com a fé insensata de quem acredita
que um único abraço pode ressuscitar a alma.


Entreguei-te tudo.
Até aquilo que eu jamais soube nomear.


Mas a verdade não anuncia sua chegada.
Ela rompe o silêncio como uma lâmina,
e o primeiro golpe sempre é nos olhos.


Quando enfim despertei,
o paraíso que eu jurava habitar
não passava de um templo erguido sobre ilusões.
Toquei tuas lembranças
e elas se desfizeram como cinzas entre meus dedos.


Então compreendi:


o amor e o ódio jamais foram inimigos.
São a mesma chama
condenada a mudar de cor.


O amor que um dia me deu fôlego,
que devolveu vida ao que havia morrido em mim,
foi o mesmo que, ao revelar seu verdadeiro rosto,
ensinou meu coração a sangrar sem morrer.


Hoje carrego apenas o silêncio.
Porque não existe escuridão mais cruel
do que a luz que revela
que todo o infinito vivido por dois
existiu apenas dentro de um.

Todas as escolhas que fazemos ao longo da vida têm consequências, mas, para quem nasce em uma classe social menos favorecida, o preço de um erro costuma ser muito maior. Muitas oportunidades não voltam, e o tempo perdido dificilmente é recuperado. Por isso, mantenha o foco, discipline sua mente e pense nas consequências antes de agir. Caso contrário, você pode acabar escrevendo arrependimentos em páginas que servirão apenas como testemunho de sonhos que ninguém verá se tornar realidade.

A Sabedoria é a Árvore da Vida.
Quem a busca encontra o caminho do Senhor.
Quem a abraça vence a morte.
Pois Deus concede a eternidade aos que O amam.
E sua promessa jamais será abalada.

Pois por meu intermédio os seus dias serão multiplicados, e o tempo da sua vida se prolongará.

Provérbios 9:11

Entrega tua vida nas mãos do Senhor e serás testemunha viva de bênção sem fim! Um feliz aniversário para você!

A Conta é do Povo


Enquanto o povo trabalha para pagar imposto,
os poderosos trabalham para justificar o imposto.
A conta cresce, o salário encolhe,
e ainda dizem que é preciso ter paciência.


Curioso: quando falta dinheiro ao povo,
chamam de crise.
Quando sobra privilégio aos de cima,
chamam de direito.


Cobram sacrifício de quem já vive no limite,
mas protegem o conforto de quem nunca conheceu esse limite.
Prometem cortar gastos,
mas raramente cortam os próprios privilégios.


E depois perguntam por que o povo está cansado.


Não somos apenas números em uma planilha.
Somos quem paga, trabalha e sustenta essa máquina.


O poder muda de mãos.
Os discursos mudam de nome.
Mas a conta continua chegando.


E talvez o maior medo dos poderosos
não seja a revolta do povo —
seja o dia em que o povo finalmente
comece a perguntar, sem medo:


“Se o dinheiro é nosso,
por que a vida continua sendo tão cara para nós?”

Antes de colocar preço no trabalho de alguém, lembre-se de que você está colocando preço em horas de estudo, esforço, experiência, renúncias e dedicação. Nem todo serviço caro é exploração, assim como nem todo serviço barato é vantagem. Valorizar o trabalho alheio é compreender que, por trás de cada profissional, existe uma pessoa tentando construir sua vida com aquilo que sabe fazer. Negociar é legítimo; desrespeitar e desvalorizar, não.

Esteja atento a uma verdade pétrea, a experiência do outro diz respeito ao outro, a visão dele diz respeito somente a ele.

O ódio é um caminho amargo. Deixe a paz reinar em seu coração; assim, encontrará libertação, amor pela própria vida e apreço pela vida dos outros. Nunca se esqueça de que toda ação gera consequências.

O inferno não é um lugar distante, escondido em algum canto do universo. Muitas vezes ele acontece aqui mesmo, entre escolhas, atitudes e consequências.

Há pessoas que passam pela vida acreditando que podem ferir, humilhar, enganar e seguir adiante sem que nada aconteça. Caminham com a certeza de que são mais espertas que todos os outros. Mas o tempo tem um jeito curioso de colocar cada ato diante de seu próprio reflexo.

Nem sempre a resposta vem rápido. Nem sempre vem da forma que esperamos. Porém, cedo ou tarde, cada semente encontra sua estação.

A vida não precisa de vingança para equilibrar as coisas. Ela trabalha em silêncio. Enquanto muitos comemoram vitórias construídas sobre a dor alheia, o destino registra cada passo, cada palavra e cada escolha.

Por isso, não temo o que me fizeram. O que pertence a mim, carrego comigo. O que pertence aos outros, a própria vida se encarrega de devolver.

Porque, no fim das contas, o inferno não está depois da morte.

Muitas vezes, ele começa exatamente no momento em que somos obrigados a conviver com as consequências daquilo que escolhemos ser.

Olhar para trás muitas vezes parece um exercício doloroso de contagem de ruínas e promessas esquecidas pelo caminho. O passado não é um lugar para onde se possa voltar, mas um fantasma insistente que insiste em sentar à nossa mesa. Aprender a conviver com essa presença é o primeiro passo para não permitir que ele devore o nosso presente.


- Tiago Scheimann

Sorrisos de Vidro


Menina de cabelos cacheados,
carregava nos olhos
a luz que toda infância merece.


Mas quem deveria protegê-la
foi quem lhe roubou os dias,
transformando abraços em medo
e o silêncio em prisão.


Dos primeiros anos
até os doze,
ela aprendeu a sobreviver,
não a viver.


Cresceu.


Vestiu sorrisos,
escondeu cicatrizes
e fez do próprio coração
uma fortaleza sem janelas.


Agora seduz,
abandona
e parte corações,
como se cada homem ferido
pudesse pagar
pela dor de um único monstro.


Mas nenhuma lágrima alheia
devolve uma infância roubada.


E quando a noite cala o mundo,
ela encara o espelho
e encontra a mesma menina
de cabelos cacheados,
ainda esperando
que alguém a salve
do passado que nunca foi embora.


Seus sorrisos são de vidro:
brilham para quem olha,
mas por dentro
estão quebrados,
e cada pedaço
ainda sangra,
Sangra na sua
Própria Loucura.

Um poema é uma composição literária, puro pragmatismo e, profissionalismo.

O sofrimento instrui com uma violência taciturna, cuja magnitude nenhuma palavra de acalento é capaz de traduzir com exatidão. Ele despoja-nos de nossas máscaras, esfacela as nossas vaidades e nos prostra diante da nossa própria insignificância. Trata-se de um processo avassalador, contudo, é também o único orbe no qual a alma vislumbra o essencial.


- Tiago Scheimann

Apagar as pegadas do passado na esperança de seguir em frente é como tentar secar o mar com as próprias mãos. Tudo o que vivemos, os erros cometidos e as dores sentidas estão profundamente gravados na nossa estrutura. Não se trata de esquecer o caminho percorrido, mas de aprender a caminhar carregando a bagagem sem se curvar.


- Tiago Scheimann

Às vezes, o silêncio não significa fraqueza. Significa que você escolheu preservar sua paz em vez de alimentar discussões que não mudariam o coração de ninguém. Quem aprende a proteger a própria paz descobre que nem toda batalha merece ser travada.