Coleção pessoal de KANGAL

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A Conta é do Povo


Enquanto o povo trabalha para pagar imposto,
os poderosos trabalham para justificar o imposto.
A conta cresce, o salário encolhe,
e ainda dizem que é preciso ter paciência.


Curioso: quando falta dinheiro ao povo,
chamam de crise.
Quando sobra privilégio aos de cima,
chamam de direito.


Cobram sacrifício de quem já vive no limite,
mas protegem o conforto de quem nunca conheceu esse limite.
Prometem cortar gastos,
mas raramente cortam os próprios privilégios.


E depois perguntam por que o povo está cansado.


Não somos apenas números em uma planilha.
Somos quem paga, trabalha e sustenta essa máquina.


O poder muda de mãos.
Os discursos mudam de nome.
Mas a conta continua chegando.


E talvez o maior medo dos poderosos
não seja a revolta do povo —
seja o dia em que o povo finalmente
comece a perguntar, sem medo:


“Se o dinheiro é nosso,
por que a vida continua sendo tão cara para nós?”

Antes de colocar preço no trabalho de alguém, lembre-se de que você está colocando preço em horas de estudo, esforço, experiência, renúncias e dedicação. Nem todo serviço caro é exploração, assim como nem todo serviço barato é vantagem. Valorizar o trabalho alheio é compreender que, por trás de cada profissional, existe uma pessoa tentando construir sua vida com aquilo que sabe fazer. Negociar é legítimo; desrespeitar e desvalorizar, não.

Esteja atento a uma verdade pétrea, a experiência do outro diz respeito ao outro, a visão dele diz respeito somente a ele.

O ódio é um caminho amargo. Deixe a paz reinar em seu coração; assim, encontrará libertação, amor pela própria vida e apreço pela vida dos outros. Nunca se esqueça de que toda ação gera consequências.

O inferno não é um lugar distante, escondido em algum canto do universo. Muitas vezes ele acontece aqui mesmo, entre escolhas, atitudes e consequências.

Há pessoas que passam pela vida acreditando que podem ferir, humilhar, enganar e seguir adiante sem que nada aconteça. Caminham com a certeza de que são mais espertas que todos os outros. Mas o tempo tem um jeito curioso de colocar cada ato diante de seu próprio reflexo.

Nem sempre a resposta vem rápido. Nem sempre vem da forma que esperamos. Porém, cedo ou tarde, cada semente encontra sua estação.

A vida não precisa de vingança para equilibrar as coisas. Ela trabalha em silêncio. Enquanto muitos comemoram vitórias construídas sobre a dor alheia, o destino registra cada passo, cada palavra e cada escolha.

Por isso, não temo o que me fizeram. O que pertence a mim, carrego comigo. O que pertence aos outros, a própria vida se encarrega de devolver.

Porque, no fim das contas, o inferno não está depois da morte.

Muitas vezes, ele começa exatamente no momento em que somos obrigados a conviver com as consequências daquilo que escolhemos ser.

Olhar para trás muitas vezes parece um exercício doloroso de contagem de ruínas e promessas esquecidas pelo caminho. O passado não é um lugar para onde se possa voltar, mas um fantasma insistente que insiste em sentar à nossa mesa. Aprender a conviver com essa presença é o primeiro passo para não permitir que ele devore o nosso presente.


- Tiago Scheimann

Sorrisos de Vidro


Menina de cabelos cacheados,
carregava nos olhos
a luz que toda infância merece.


Mas quem deveria protegê-la
foi quem lhe roubou os dias,
transformando abraços em medo
e o silêncio em prisão.


Dos primeiros anos
até os doze,
ela aprendeu a sobreviver,
não a viver.


Cresceu.


Vestiu sorrisos,
escondeu cicatrizes
e fez do próprio coração
uma fortaleza sem janelas.


Agora seduz,
abandona
e parte corações,
como se cada homem ferido
pudesse pagar
pela dor de um único monstro.


Mas nenhuma lágrima alheia
devolve uma infância roubada.


E quando a noite cala o mundo,
ela encara o espelho
e encontra a mesma menina
de cabelos cacheados,
ainda esperando
que alguém a salve
do passado que nunca foi embora.


Seus sorrisos são de vidro:
brilham para quem olha,
mas por dentro
estão quebrados,
e cada pedaço
ainda sangra,
Sangra na sua
Própria Loucura.

Um poema é uma composição literária, puro pragmatismo e, profissionalismo.

O sofrimento instrui com uma violência taciturna, cuja magnitude nenhuma palavra de acalento é capaz de traduzir com exatidão. Ele despoja-nos de nossas máscaras, esfacela as nossas vaidades e nos prostra diante da nossa própria insignificância. Trata-se de um processo avassalador, contudo, é também o único orbe no qual a alma vislumbra o essencial.


- Tiago Scheimann

Apagar as pegadas do passado na esperança de seguir em frente é como tentar secar o mar com as próprias mãos. Tudo o que vivemos, os erros cometidos e as dores sentidas estão profundamente gravados na nossa estrutura. Não se trata de esquecer o caminho percorrido, mas de aprender a caminhar carregando a bagagem sem se curvar.


- Tiago Scheimann

Às vezes, o silêncio não significa fraqueza. Significa que você escolheu preservar sua paz em vez de alimentar discussões que não mudariam o coração de ninguém. Quem aprende a proteger a própria paz descobre que nem toda batalha merece ser travada.

​A vida nos ensina a dura lição de que o chão nem sempre estará firme sob os nossos pés quando mais precisarmos. Haverá momentos em que a queda será inevitável e o impacto contra a realidade parecerá definitivo e esmagador. O milagre não está em evitar a queda, mas na teimosia quase sagrada de se levantar e tentar mais uma vez.


- Tiago Scheimann

Quem ama a si mesmo corretamente, aprendeu a amar.
sfj,Plutatco,pens.

⁠A paciência tem mais poder que a força.
sfj,Plutarco,pens.

A consciência da própria ignorância é o primeiro sinal da verdadeira sabedoria.

O mundo adora distribuir rótulos. É mais fácil dizer "ela é difícil", "ela é fria", "ela é intensa", "ela é louca", do que gastar cinco minutos tentando entender a história de alguém. Humanos fazem isso porque catalogar pessoas dá menos trabalho do que conhecê-las. Uma bela economia de esforço intelectual.

⁠O que pensam ou dizem sobre mim, não traduz quem eu sou.

Cemitério de Sonhos


Não gostaria de ter uma vida ao estilo de Epicteto. Porém, o destino não me deu opções. Sou escravo do conhecimento e da sabedoria, mas já fui do amor e da tolice.


Gostaria de ter uma boa história para contar, e tenho! Entretanto, gostaria que tivesse sido mais épica: mais feitos, mais paixões, mais lutas, mais gentilezas.


Queria ter tido a oportunidade de viajar. Aqui no Norte, minhas condições nunca foram muito favoráveis. Queria conhecer o mar; meus pais também gostariam.


Nunca me deram armas em mãos, e o pouco de prestígio que eu tinha, perdi. Espero que a morte seja mais gentil comigo do que a vida foi. Não sou vaidoso, claro, porém tenho fascínio por alguns assuntos.


Nunca fui flor que se cheire; porém, poucas foram as flores que tive a oportunidade de cativar.


Será que Deus ainda tem algum feito para mim? Eu aposto que sim, mas tenho que pagar para ver esse show!


Assinado: KANGAL — Cemitério de Sonhos.

Eu gosto de histórias! São ótimas para se inspirar não acha ?

Durante 15 anos, ele entregou sua força, seu tempo e sua juventude a uma empresa, acreditando que o esforço seria recompensado. Mas, aos poucos, transformou-se em um homem preso à própria rotina, carregando responsabilidades como um burro de carga enquanto deixava sua própria vida para trás. Trabalhou para construir os sonhos dos outros, mas não teve a mesma disciplina para construir os seus.


Anos se passaram, e o que restou foi um homem cansado, vivendo na periferia, cercado pelas consequências das próprias escolhas. O salário baixo, a falta de planejamento e a acomodação diante da vida fizeram com que seus anos de trabalho se transformassem em uma história de frustração. Enquanto carregava pesos que não eram seus, permitiu que o próprio futuro fosse abandonado.


No fim da jornada, percebeu que não bastava apenas trabalhar duro; era preciso buscar crescimento, mudar de caminho e lutar por algo maior. Ficou marcado não apenas pelo que perdeu, mas pelo que deixou de conquistar. Uma vida inteira dedicada ao esforço, mas sem direção, terminou como um retrato triste de alguém que se entregou ao fracasso e viu o tempo passar sem construir o próprio destino.